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Instituto Federal em Minas Gerais produz álcool para doação

O Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) Campus Uberaba entregou, no mês de maio, uma remessa de álcool glicerinado e álcool em gel para instituições sem fins lucrativos. O objetivo é disponibilizar a produção hidroalcoólica para atender a comunidade local. A coordenação do projeto voltado à produção de antissépticos para ações de enfrentamento à Covid-19 é da química e professora do IFMT Márcia do Nascimento Portes.

Até o momento, três entidades foram beneficiadas: Hospital Hélio Angotti, Asilo Santo Antônio e a Casa de Acolhimento Isabel Aparecida do Nascimento. Cada instituição recebeu 50 frascos de 500ml de álcool glicerinado e 25 frascos de 500ml de álcool em gel, produzidos sob a responsabilidade técnica da professora Márcia e seguindo as instruções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Regional de Química da 2ª Região (CRQ II).

Também integram este projeto dois professores de Biologia e um de Ciências da Computação, além de um aluno bolsista de Engenharia de Computação. A interdisciplinaridade das áreas, segundo Márcia, foi um dos grandes destaques, além de ser um dos pontos centrais para a viabilização dessa ideia. “Não basta ter conhecimentos de laboratório se eu não tiver parceria para envasar, armazenar, etiquetar, cadastrar. Unimos nossos conhecimentos e forças nesta ação, e deu muito certo”, comemora.

De acordo com a química, inicialmente, houve questionamentos em relação à possibilidade de execução desta proposta. No entanto, com o apoio da reitoria do IFTM, que se mostrou disposta a estabelecer e respeitar protocolos de segurança, a produção foi assegurada. O que a princípio trazia medo, em pouco tempo foi substituído pelo contentamento em trabalhar por uma causa nobre. “Num primeiro momento, entendi a necessidade de ter álcool em gel para propiciar a assepsia. Mas, depois, entendi que fazia parte de algo maior. Meu conhecimento em Química e a manipulação consciente, a partir dos conhecimentos técnicos, iriam ser úteis para a sociedade de uma forma diferente”.

Ela ressalta que a profissão pode sempre extrapolar as fronteiras do óbvio. “Toda a carga de conhecimento que agregamos, quando cursamos algo relacionado à Química, tem que voltar de alguma forma para a sociedade. Meu saber não está relacionado apenas ao que ensino aos meus alunos. Existe um valor comunitário no que podemos fazer. A comunidade escolar e científica se envolveu nesta ação. A comunidade percebe isso. Os valores do saber dos químicos foram tão necessários que pensei: ‘que profissão bacana eu escolhi. Tenho uma expertise que agrega muito, não somente a mim. Me senti muito valorizada’”.

Márcia, que também é delegada no CRQ II, explica que o trabalho de fiscalização realizado no Conselho foi mais um fator a trazer credibilidade à produção de álcool para doação. “As pessoas sabem que há regras rigorosas que precisam ser seguidas para a segurança de todos, mas é muito legal mostrar que vai além disso. Que também podemos lidar com esta parte prática e colaborativa, e que tudo isso pode andar junto”, finaliza.

O projeto do IFTM segue em produção até o final do ano.