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Especialistas debatem importância dos profissionais da Química na área de cosméticos e saneantes

Há um consenso de que a limpeza e a desinfecção são essenciais para a saúde física e mental. Os cosméticos têm também um papel social similar. Em ambos os casos, a indústria tem o papel de oferecer produtos que sejam eficientes e confiáveis. Para que isso seja possível, é indispensável mão de obra capacitada e qualificada: os profissionais da Química.

Estes foram os assuntos debatidos no painel da terceira noite da Semana dos Profissionais da Química, promovida pelo Sistema CFQ/CRQs. “A importância dos profissionais da Química na área de cosméticos e saneantes” teve como mediadora Raquel Lima, presidente do Conselho Regional de Química da 19ª Região (CRQ XIX).

Participaram como palestrantes a engenheira química, vice-presidente administrativa financeira da Associação Brasileira de Cosmetologia e membro da Comissão Técnica de Cosméticos do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), Enilce Maurano Oetterer; e o bacharel em Química, consultor técnico e professor de Química Orgânica e Inorgânica Rodrigo Machado Quintino dos Santos.

Enilce falou sobre o mercado dos cosméticos, os movimentos do setor, o papel da Ciência Química no segmento, indústrias e serviços correlatos e as novas tecnologias da indústria cosmética. “O profissional da Química é fundamental dentro de todos estes processos, já que se trata de indústrias de transformação. Tudo requer essa expertise, dos insumos às embalagens. E cabe destacar essa importância também nas inovações, para que sejam intensificadas por meio da pesquisa, investimento em parques tecnológicos e afins”.

Como quarto país que mais consome cosméticos em todo o mundo, o Brasil apresenta um campo fértil para os profissionais da área. Segundo a conselheira, os setores de ação e oportunidades estão em áreas como gestão de qualidade; controle de qualidade; serviços de análises químicas; assuntos regulatórios; pesquisa e desenvolvimento; produção; meio ambiente; gestão de resíduos; tratamento de água; segurança do trabalho, produtos, processos e pessoas; controle de pragas; logística; controle de transporte; comercial e vendas técnicas; consultoria técnica e responsabilidade técnica, entre outros.

Na parte sobre saneantes, Rodrigo falou sobre a legislação da área, o processo de colocação do produto no mercado e as matérias-primas. Ele deu dicas e técnicas para o desenvolvimento seguro e eficaz de produtos, além de tirar dúvidas dos participantes.

O palestrante chamou ainda a atenção para as mudanças no mercado dos chamados “saneantes cosméticos”. “Antigamente o consumidor tinha poucas fragrâncias para escolher. Eram quase sempre as mesmas: pinho, lavanda, rosas. Agora temos uma grande variedade de fragrâncias e de fórmulas. Isso advém da variedade que se vê no mercado de cosméticos. As matérias-primas têm mudado, as embalagens, as tecnologias. Isso tudo é a indústria química avançando”, observou.

Um olhar sobre a indústria química brasileira

O painel contou ainda com a participação do Conselheiro Federal do CFQ Newton Mario Battastini. Ele bateu um papo com a mediadora, Raquel Lima, sobre as necessidades e expectativas da indústria química no Brasil.

Segundo ele, existe uma preocupação no setor sobre a dependência do exterior. “A maior parte do que se consome aqui precisa ser importado, pois não produzimos mais. Por exemplo, somos um país agrícola, mas compramos toda a ureia usada em fertilizantes de outros países. Se acaso deixarem de vender para nós, a produção agrícola para. Temos de trazer de volta a indústria química que tínhamos nos 80, pois se trata de uma área transversal e estratégica”.

Para Battastini, o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) caracteriza um olhar de cuidado do Estado para com as indústrias químicas. “É necessário que se debata bastante o assunto para que se perceba a sua importância para o setor que, por sua vez, é estratégico para o Brasil. Em todo o mundo, os governos olham com muita atenção para a indústria química pelo fato de ser fundamental para o desenvolvimento de um país. Temos que unir forças para que a Química seja um plano de Estado, não apenas de governo. Quem domina a Química no mundo vai dominar muitas outras coisas”, destacou.

A presidente Raquel corroborou as palavras de Battastini. Ela afirmou que o assunto é muito importante e não pode ser deixado de lado. “É necessário lutar pela indústria química brasileira sim. E juntos somos fortes”, finalizou.

Assista ao painel: