Dia Mundial da Água: atuação do profissional da Química é essencial para garantir qualidade e disponibilidade hídrica
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Debate do CFQ destaca papel estratégico da Química na gestão da água e aponta necessidade de maior participação técnica em decisões sobre recursos hídricos.
Garantir água em quantidade e qualidade para a população, sem comprometer os ecossistemas, é um dos principais desafios da atualidade. Exige atuação cada vez mais estratégica dos profissionais da Química. O tema foi destaque do evento Falas da Química em alusão ao Dia Mundial da Água, promovido pelo Conselho Federal de Química (CFQ), em parceria com o Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ-III/RJ).
O presidente do CRQ-III e coordenador do Comitê de Meio Ambiente do CFQ (COMAM), Harley Martins, ressaltou a importância de ampliar o debate técnico sobre a gestão dos recursos hídricos. “Estamos falando de um tema central para a sociedade. A Química tem papel fundamental tanto no tratamento quanto na preservação da água”, afirmou.
O debate foi mediado pelo presidente do Conselho Regional de Química da 17ª Região (CRQ XVII/AL), Alberto Jorge Silveira, que reforçou a complexidade do tema. “A segurança hídrica é um dos grandes desafios da atualidade. Ela garante que a população tenha acesso à água em quantidade e qualidade adequadas, ao mesmo tempo em que com ela preservamos os ecossistemas”, explicou.
O palestrante do painel foi o Gerente Geral de Controle de Qualidade e Tratamento da CEDAE-RJ, Robson Campos, que chamou atenção para a necessidade de ampliar o olhar sobre a atuação do profissional da Química. “A estação de tratamento é, essencialmente, uma indústria de transformação química. Mas o desafio hoje é atuar antes disso, na gestão dos mananciais”, destacou.
Campos também pontuou sobre a diferença entre a segurança hídrica e a segurança da água, uma vez que se tratam de conceitos complementares, porém distintos. “Enquanto o primeiro está relacionado à disponibilidade de água nos mananciais para diferentes usos, o segundo envolve os processos de tratamento e distribuição para a população”, lembrou.
Ciência pouco presente nas decisões
Um dos pontos centrais do debate foi a importância da participação dos profissionais da Química nos espaços de decisão, como os Comitês de Bacia Hidrográfica, previstos na Política Nacional de Recursos Hídricos.
Segundo Campos, embora o Brasil tenha um modelo de gestão descentralizado e participativo, ainda há lacunas na incorporação do conhecimento técnico-científico. “Muitas discussões acontecem sem a presença de especialistas em qualidade da água. Falta conteúdo científico nas decisões”, afirmou.
De acordo com o palestrante, instrumentos como o enquadramento dos corpos d’água, que define metas de qualidade com base em parâmetros físico-químicos e microbiológicos, dependem diretamente da atuação dos químicos, o que reforça a necessidade de maior protagonismo técnico.
Outro ponto enfatizado foi a mudança de perfil exigida dos profissionais da área. Tradicionalmente ligados às análises laboratoriais e ao controle de qualidade, os químicos são cada vez mais demandados a atuar na gestão de recursos hídricos e na formulação de políticas públicas.
Para Campos, essa transição é essencial diante dos desafios atuais. “Temos tecnologia para tratar praticamente qualquer água, mas o custo social da degradação dos mananciais é muito alto. Precisamos atuar na origem do problema”, disse.
Ele também citou os impactos de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, que aumentam a turbidez da água e desafiam os sistemas de tratamento. “Já temos tecnologia para lidar com essas situações, mas é preciso que esse debate técnico avance e se traduza em investimento em infraestrutura”.
Capacitação e protagonismo
O evento apontou, ainda, a necessidade de ampliar a formação dos profissionais para atuação na área de segurança hídrica. Iniciativas como cursos da Agência Nacional de Águas (ANA) e programas de pós-graduação foram citadas como caminhos, além da possibilidade de o próprio sistema CFQ desenvolver capacitações específicas.
Ao final, os participantes reforçaram que a atuação dos profissionais da Química vai além da Ciência e tem impacto direto na sociedade. “A Química é a ciência da transformação da matéria, mas também deve ser da transformação social”, concluiu Campos.
O debate integrou a programação especial do CFQ dedicada ao Dia Mundial da Água e reforçou o papel estratégico da Química na construção de soluções sustentáveis para o futuro dos recursos hídricos.