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Demanda por produtos químicos cresce 9,2%; vendas internas registraram elevação de 7,66% no 1º trimestre de 2021

O Relatório de Acompanhamento Conjuntural (RAC) da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), divulgado agora em maio, revela que o setor registrou 9,2% de crescimento na demanda por produtos químicos, enquanto a produção teve alta de 0,81%, e as vendas internas tiveram elevação de 7,66%, nos primeiros três meses de 2021 em comparação com igual período do ano anterior. 

A Abiquim congrega indústrias químicas de grande, médio e pequeno portes, bem como prestadores de serviços ao setor químico nas áreas de logística, transporte, gerenciamento de resíduos e atendimento a emergências. A associação também é responsável pelo acompanhamento estatístico do setor e promoção de estudos específicos. 

O crescimento da demanda também exigiu importações de matérias-primas, que cresceram 19,1% nos primeiros três meses do ano, ocupando recordes de 47% do mercado local de químicos nos últimos 12 meses.

Ainda de acordo com o RAC, o volume de exportações recuou 8,4% no primeiro trimestre deste ano, sobre igual período do ano passado, na contramão do que se poderia esperar com a desvalorização do real, em relação ao dólar. 

Para a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, o motivo para os resultados positivos e a recuperação nacional se devem, sobretudo, pela essencialidade da Química e da necessidade dos produtos no atendimento das demandas relacionadas à pandemia desde meados do ano passado.

“Muitos produtos fabricados nas diversas cadeias que nascem na Química são utilizados para garantir a higienização dos ambientes (cloro, álcool em gel, sanitizantes, desinfetantes, detergentes, entre outros), muitos entram na linha de frente diretamente nos hospitais (medicamentos, oxigênio, anestésicos, luvas, máscaras cirúrgicas e descartáveis em geral, bolsas de sangue, seringas, dentre outros). Também, há uma forte correlação da Química com o PIB. Se o PIB crescer, a demanda por produtos químicos tende a ser elevada em 1,3 a 1,5 vezes esse aumento”, acentua.

Já o índice de utilização da capacidade instalada do setor ficou em 73% na média do primeiro trimestre de 2021. “O baixo índice de ocupação das instalações, justamente em um período de aumento da demanda interna, evidencia a falta de competitividade da indústria local, com consequente desestímulo a novos investimentos, além de risco de desativação de unidades produtivas”, afirma a diretora.

Conforme ela, o índice ainda é muito baixo para os padrões históricos da Química. O setor trabalha em processo contínuo, e o ideal seria que a ocupação das instalações estivesse acima de 85%, sendo que abaixo de 80% passa a ser um nível crítico e preocupante. 

Expectativas e Reiq

A demanda medida pelo Consumo Aparente Nacional (CAN), resultado da soma da produção mais importação excetuando-se as exportações, revela como anda a capacidade de competição das empresas instaladas no país em relação às suas congêneres no exterior. A indústria química brasileira vem perdendo espaço para o produto importado há algum tempo.

Se forem levados em consideração os últimos 30 anos de análise, de 1990 a 2020, a taxa anual de crescimento do CAN foi de 3% (o dobro da taxa de crescimento do PIB industrial, que foi de 1,4%, em igual período), a produção subiu a uma velocidade inferior, de 1,5% ao ano, as vendas externas cresceram a 1,4% ao ano, enquanto as importações tiveram alta de 9,5% ao ano, mais de três vezes o aumento do CAN e mais de seis vezes o que cresceu a produção local, justificando a elevação da ociosidade. 

“O país perdeu a oportunidade de transformar esse crescimento da demanda em investimento local, em empregos de elevado grau de instrução e em aumento da arrecadação para o governo. Essa situação não pode se manter em um setor que é estratégico e essencial para o desenvolvimento do Brasil. Não há país desenvolvido ou em desenvolvimento que não tenha uma indústria química forte”, alerta.

Na avaliação da diretora, extinguir o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) neste momento representará uma sensível piora na competitividade da Química nacional, gerando aumento na carga tributária na base da petroquímica nacional, que se refletirá nas mais importantes cadeias produtivas. 

“O REIQ precisa ser mantido até que o país efetivamente realize a tão esperada e necessária Reforma Tributária. Pois, o cenário internacional também é desafiador. O petróleo, assim como outras commodities, voltou a subir, estimulado pela expansão da demanda, pressionando a nafta, com reflexos nas cotações dos químicos. A situação de preços é agravada por conta da desvalorização do real, em relação ao dólar, em um mercado cuja característica é a de ser tomador de preços e não formador”, completa Fátima. 

Ainda segundo ela, o ritmo menor de crescimento da produção em comparação à demanda local deve-se ao fato de que o Brasil ainda é pouco competitivo em Química. “Temos matéria-prima e energia mais caras do que os nossos concorrentes no mercado internacional, fora o custo Brasil que muitas vezes inviabiliza a produção local. Ademais, a desvalorização do real e a sobre oferta de produtos no mercado internacional estimulou as importações.”

Fátima destaca que a entidade tem dialogado com os parlamentares da Frente Parlamentar da Química e demais membros do Congresso Nacional para mostrar os impactos e prejuízos caso o REIQ seja extinto, sem que o país passe antes por uma Reforma Tributária. 

A extinção do regime trará diversos impactos no setor industrial, desde a perda de empregos diretos e indiretos, quanto à migração de serviços e postos de trabalho para outros países. Segundo o estudo conduzido pela FGV Projetos e com base na matriz insumo produto do IBGE, essa alteração implicará no aumento de impostos para a cadeia química, além da elevação dos custos de produção, que podem gerar retração de demanda da indústria química brasileira da ordem de R$ 2,2 bilhões; piora no quadro geral de competitividade, e perda de até 85 mil postos de trabalho.

“O REIQ reduz a diferença tributária entre a indústria química nacional, que paga entre 40% e 45% de imposto sobre o faturamento em relação às concorrentes estrangeiras, que pagam entre 20% e 25% de tributos, além de mitigar o Custo Brasil”, detalha a diretora. 

O pleito a favor da manutenção do Regime tem o apoio de 75 entidades, entre elas seis federações industriais e a CNI; 58 sindicatos, que representam os profissionais do setor e 11 entidades de classe.