Debate destaca avanços científicos para a transição energética e a bioeconomia amazônica

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Painel organizado pelo CRQ VI (AP e PA), durante a COP 30, reforçou o papel da Química na criação de soluções limpas e no aproveitamento estratégico de resíduos e óleos amazônicos

Durante a participação do Sistema CFQ/CRQs na COP 30, o CRQ VI (AP e PA), promoveu, na Green Zone, o painel “Alternativas Sustentáveis e Transição Energética para Descarbonização”, reunindo especialistas da Universidade Federal do Pará para discutir caminhos científicos e tecnológicos capazes de impulsionar a descarbonização e fortalecer a bioeconomia amazônica. O debate foi mediado por Lênio José Guerreiro de Faria, conselheiro do CRQ VI e professor da UFPA.

O engenheiro químico Nélio Teixeira Machado explicou que a descarbonização passa pela substituição progressiva dos combustíveis fósseis por fontes renováveis, como energia eólica, solar e hidrelétrica, e pelo aproveitamento de biomateriais derivados da biodiversidade amazônica. Segundo ele, resíduos agroindustriais de cadeias como a do açaí, do dendê e do cacau podem ser transformados em biocombustíveis, novos materiais e produtos de alto valor agregado. Entre os exemplos apresentados está a massa asfáltica formulada com insumos de açaí, reduzindo o uso de petróleo no pavimento das cidades.

O diretor adjunto do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, Luís Adriano Santos do Nascimento, destacou o potencial ainda pouco explorado dos microrganismos amazônicos, como microalgas, cianobactérias e outros, na produção de biocombustíveis avançados, como biodiesel de segunda e terceira geração, diesel verde e bioquerosene de aviação. Para ele, “valorizar os resíduos é um caminho”, mas é igualmente estratégico reconhecer o universo dos microrganismos como ativo essencial da bioeconomia amazônica.

Adriano ressaltou que a bioeconomia depende da capacidade de transformar produtos tradicionais da floresta, como andiroba e patawá, em itens de maior rentabilidade, impulsionados por ciência, tecnologia e inovação. Ele citou parcerias com grandes empresas, como a Natura, e também iniciativas de microempreendedores, como o casal da Fibras da Amazônia, que, em colaboração com uma aluna de mestrado, está desenvolvendo um novo biomaterial para papelaria, renovável, de maior qualidade e com potencial para abrir novas cadeias produtivas sustentáveis.

O pesquisador também apresentou o histórico trabalho do Grupo de Catálise Oleoquímica, que há mais de 40 anos desenvolve alternativas ao petróleo, reunindo laboratórios de oleoquímica e combustíveis e criando um ambiente propício à inovação. Ele reforçou ainda a importância da cooperação Sul-Norte para o intercâmbio científico e tecnológico na bioeconomia.

Ainda segundo o palestrante, o Laboratório de Óleos da Amazônia, localizado no Parque de Ciência e Tecnologia, onde todos esses projetos são desenvolvidos, atua em parceria direta com comunidades ribeirinhas, quilombolas e extrativistas, assegurando que os conhecimentos produzidos retornem à sociedade por meio de soluções sustentáveis, inclusivas e alinhadas à lógica da bioeconomia.