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CRQ XIX: live aborda Química Forense e Perícia criminal

A Semana em celebração ao Dia do Químico, que está sendo realizada entre os dias 14 a 18 de junho, está repleta de oportunidades para conhecer as mais diversas áreas de atuação da profissão. Na quarta-feira (16), o Conselho Regional de Química da 19ª Região (CRQ XIX) realizou live sobre a atuação dos profissionais da Química na área pericial, podendo, inclusive, ser fundamental na comprovação de evidências para desvendar e solucionar casos criminais.

O III Simpósio Química em Ação, do CRQ XIX, promoveu o debate online “Química Forense”, com mediação da presidente do Regional, Raquel Lima, e da perita oficial criminal, palestrante e professora das Ciências Criminais e das Carreiras Policiais Gabriela Nóbrega.

Gabriela iniciou a fala explicando que a área, às vezes, não é tão percebida como sendo uma atribuição também dos químicos. Segundo ela, desde os anos 2000, em virtude das séries televisivas, o tema obteve grande destaque, o que a motivou ingressar na perícia, impulsionada por toda publicidade em torno desses programas, junto, é claro, com o período em estava realizando cursos para se formar como delegada de polícia. “Meu primeiro concurso foi para delegado de polícia. Nunca tinha ouvido falar sobre perícia. Dentro da carreira foi quando eu conheci a perícia. E olha que sinuca de bico? Terminei o curso, mas larguei de mão. Eu não nasci para ser delegada de polícia, eu nasci para ser perita”, reforçou.

Embora não tenha formação em Química, segundo Gabriela, na polícia, a área é transversal, permitindo com que vários profissionais possam interagir. A perita ainda explicou as diferenças entre os tipos de perícias, atualmente divididas em três categorias – Médica, Odontológica e Criminal, sendo esta última aberta a diversas formações de nível superior. Ela também lembrou a existência da perícia civil e do setor privado.

A presidente do CRQ XIX destacou que esta carreira tem grande aceitabilidade de profissionais formados em Química, Química Industrial e Engenharia Química, reforçando o potencial desse mercado para aqueles que gostam da área. A palestrante concordou e ainda mencionou que na carreira policial desconhece estados que não aceitem químicos ou químicos industriais em seus quadros de perito criminal: “É mais uma área de atuação para os membros do Conselho, para os Químicos. E diga-se de passagem, sou suspeita para falar. Além de dinâmica, a área também apresenta remuneração satisfatória”.

Durante a fala, Gabriela também contou um pouco do seu dia a dia e dos principais mitos propagados pela ficção. Sobre como funciona na prática, ela ponderou que apesar de existirem diversas formas de realizar a perícia, seja em campo ou até mesmo pela análise de fotos coletadas no local do crime. Outro ponto bastante enfatizado pela palestrante foi o dinamismo da área e a capacidade de fazer parte da solução de um crime.

Quanto aos mitos, a perita destaca que há grandes diferenças, tais como legislação, acesso a bancos de dados e resolução de casos em curto tempo. No entanto, algumas das tecnologias utilizadas em séries são, de fato, reais. Em contraponto, também há os excessos tecnológicos com imagens ultra-aumentadas, essas ainda não são reais.

Dentro da Perícia Criminal, Gabriela também é especialista em manchas de sangue, uma área bem famosa, também pelas séries televisivas. Segundo ela, fã do seriado que a induziu a aprofundar os conhecimentos nesse campo, as dispersões de manchas de sangue relatam muito a trajetória do crime, podendo, em muitos casos, facilitar a localização de vestígios e indícios do criminoso.

Mas, mais uma vez, ela também alertou para os exageros, reforçando que nem tudo o que é visto na televisão é realista, a exemplo do diâmetro da gota do sangue explicar a altura que ela caiu. Segundo ela, há muitos fatores que impedem essa constatação, entre eles a aderência da superfície e a temperatura do ambiente.

Para encerrar o debate, a mediadora e palestrante também falaram sobre a ética da profissão de perícia, que inclui, acima de tudo, colocar à Ciência em prol da justiça. Gabriela completou dizendo as características para atuar nessa área, listando conhecimento científico, ética, e fibra moral. “É preciso dizer a verdade sempre, doa a quem doer”.

Para assistir, acesse: https://www.instagram.com/p/CQLpqQxn9Fy