Notícias

CRQ IV promove discussão sobre a Legionella

A bactéria provoca o Mal dos Legionários ou a Febre Pontiac 

A pandemia de Coronavírus (Covid-19) despertou um alerta para outras doenças como a Legionella, uma bactéria que vive na água e se dispersa no ambiente por meio de spray ou aerossol. Esse micro-organismo foi tema da live do Conselho Regional de Química da 4ª Região (SP), no seu canal do Youtube, na quinta-feira (8).

Para discutir o assunto, extremamente alarmante, o CRQ IV convidou o engenheiro químico Marcos D´Avila Bensoussan, diretor da Divisão Água para América Latina na NSF International e colaborador da European Hygienic Engineering and Design Groupa, organização europeia não governamental para normas sobre Legionella e qualidade da água para indústria de alimentos.

De acordo com o engenheiro químico, a bactéria pode estar presente nas redes prediais de água quente ou fria dos grandes edifícios, como em hotéis, escritórios, centros comerciais, shoppings, hospitais, entre outros. A bactéria provoca o Mal dos Legionários, semelhante a uma pneumonia,  ou a Febre Pontiac (quadro infeccioso mais leve). No Brasil, se estima mais de 6 mil mortes por ano em função de pneumonia causada pela Legionella.

Recentemente uma importante norma foi publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a prevenção de legionelose associada aos sistemas prediais coletivos de água.

Marcos Bensoussan contou um pouco da história da bactéria Legionella, que começou em 1965 em um hospital psiquiátrico em Washington, nos Estados Unidos, onde 81 pacientes sofreram uma infecção respiratória e 15 deles morreram. Três anos depois, também nos EUA, em um hospital da cidade de Pontiac, houve um novo surto de infecção respiratória que afetou 95% dos trabalhadores.

“Esse caso ficou suspenso porque ninguém sabia exatamente o que tinha acontecido. Por sorte, um dos médicos que estava cuidando do caso guardou algumas amostras de sangue para estudo. Mas, em 1976, houve um surto de pneumonia com mortes na Filadélfia, durante a comemoração dos 200 anos da independência americana em um hotel ocupado pelos legionários, ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coreia”, recorda Bensoussan.

Segundo o engenheiro descobriu-se que a bactéria estava presente na água do prédio que abrigou a convenção dos legionários, por isso, a bactéria foi batizada de Legionella. “Nosso ambiente tem vários riscos. A Legionella é um risco moderno e ela vive na água, seu habitat natural, e faz parte também da água potável. Está presente nos rios, poços e nas represas. Mas, o perigo está nos sistemas hidráulicos das edificações residenciais, comerciais e das indústrias”, diz.

Porém, a Legionella se desenvolve mesmo onde há sistemas hidráulicos. Por isso, que em cachoeiras, rios ou represas não trazem tantos riscos, com baixa possibilidade de contaminação. “Mas, quando ela [bactéria] entra dentro de sistemas hidráulicos, dentro de estações de tratamento de água e, principalmente, nas edificações ela se prolifera muito. As tubulações são um meio propício para o crescimento da bactéria, principalmente, em alta temperatura ou em água estagnada”, afirma o palestrante.

A Legionella se dissemina no ambiente por meio de micropartículas de água em forma de spray ou aerossol. Bensoussan explica que as torres de resfriamento de ar condicionado ou de refrigeração de processos industriais, os ventiladores com spray, aparelhos de consultórios dentários, sistema de irrigação e fontes ornamentais são pontos de riscos e de possível propagação, entre outros.

“Os chuveiros são uma das fontes mais perigosas para a Legionella porque têm o contato direto com as pessoas”, enfatiza o professor.

Na opinião de Bensoussan, é importante fazer uma limpeza de rotina nos chuveiros e outros equipamentos por spray ou aerossol, principalmente, quando ficam muito tempo sem uso. Bensoussan ainda apresentou durante sua palestra alguns casos recentes do surto de Legionella pelo mundo. 

NBR 16824

Em junho de 2020, depois de muitos anos, o Brasil apresentou um procedimento publicado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e com a colaboração de várias entidades, inclusive, o Sistema CFQ/CRQs. A NBR 16824 estabelece parâmetros para a Avaliação de Risco da Legionella, sobre o processo APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) e sobre e algumas medidas de controle como a análise de Legionella na água, a limpeza de caixas d’água e higienização de reservatórios e sistemas de cloração que ajudam a  reduzir o risco de transmissão da doença.

Covid-19

Ao final da explanação, o professor apresentou uma comparação dos casos de Covid-19 e Legionella. “Os fatores de riscos, sintomas, pneumonia, falências de órgãos e problemas cardiovasculares são os mesmos.” A bactéria Legionella precisa do meio água e o vírus da Covid-19 circula pelo ar, de pessoa para pessoa.