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CRQ IV aborda inclusão e diversidade no universo cosmético

A inclusão e a diversidade no universo cosmético foram temas da live do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), realizada no dia 1º de julho. Cada vez mais, a indústria de cosméticos lança novos produtos, rompendo parâmetros ultrapassados e integrando pessoas e comunidades que não se sentiam contempladas diante de suas características físicas. Segundo os especialistas, o foco atual é saúde, beleza e bem-estar, priorizando as tecnologias verdes, os recursos naturais renováveis e a sustentabilidade de toda a cadeia. 

Neste novo momento, estudar temas como fisiologia humana, epigenética, saúde mental, disfunções da microbiota e patologias emergentes são pré-requisitos para expressar a funcionalidade de novos produtos e criar efetividade no cuidado com a saúde e a beleza.

Para falar sobre este assunto, o CRQ IV convidou o químico Celso Martins Júnior, diretor técnico da Grandha Professional Hair Care; e a doutora em Química pela UNICAMP, com pós-doutorado em Toxicologia Molecular e Celular de Radicais Livres e em Lesões por Ácidos Nucleicos, Maria Inês Harris

Mediando o evento online, participaram a engenheira química Silvana Kitadai Nakayama, e a química Valéria Bueno de Deus. 

Abrindo os trabalhos, Silvana Nakayama salientou que a inclusão é inestimável por transpor crenças e expressar autoestima e bem-estar. 

O químico Celso Martins Júnior, em fala, relatou que a inclusão e a diversidade figuram como um mercado de nichos pouco explorados. Ele ainda citou a tendência das novas barbearias. 

“Eu penso em oportunidades. As barbearias estão apenas começando, diferente do que já acontece na Europa. Aprendemos sobre o cabelo crespo. É uma transformação inédita, tratamentos completamente diferentes do passado, com o desenvolvimento cosmético específico, desencadeando o mercado de polímeros, de produtos oncológicos, de aromaterapia e de concepções veganas. Um mercado high tech, com colorações diferentes. O Brasil é um celeiro”, avaliou o químico.

Para Júnior, a questão do nicho tem uma relação direta com a oportunidade. O produto tem que ter o espírito da empresa e os consumidores precisam se sentir importantes no processo. “Essa é a melhor forma de aplicar o contexto estratégico para o negócio. Não se pode pensar só no dinheiro. O projeto vai ficar pobre”, acrescentou. 

Júnior e Maria Inês relataram o contexto do lançamento e da popularização do filtro solar. De acordo com eles, este foi um produto inclusivo, principalmente, para as pessoas de peles mais claras que não frequentavam um dia ensolarado na praia. 

“Hoje temos mais recursos, com mais desenvolvimento tecnológico. Ao entender os tipos de pele, isso trouxe mais conhecimento e permitiu desenvolver produtos com características para grupos étnicos. Atualmente, elaboramos produtos para mulheres com uma determinada característica de pele, idade e com um ritmo de vida agitado”, destacou Maria Inês.

De acordo com Maria Inês, que é membro da Sociedade Brasileira de Toxicologia, uma outra característica muito inclusiva de toda essa evolução científica nas fábricas é com relação à redução de preços dos produtos, deixando mais acessíveis para faixas da população que tempos atrás não poderiam ter acesso. “Eram preços proibitivos para esses públicos”, completou.

Maria Inês revelou que a questão da tonalidade dos produtos são os maiores avanços. “São quase que produtos personalizados. Temos máquinas de esmalte que você cria a sua cor, e outras tecnologias que dão exatamente o tom da sua pele.” 

Silvana, por sua vez, comentou que os homens também fazem parte deste processo. “Eles já usam esmalte, quer dizer, inclui todos e tudo.”

Citando um exemplo prático de inclusão na sua carreira, Júnior falou sobre a aplicação de alisantes. “A primeira parte da minha jornada, nos primeiros 10 anos, a tendência era o alisamento de cabelos. Todo mundo queria alisar, mas tem cabelo que não convém o alisamento. Fica muito mais harmonioso [o cabelo] com cachos e ondas. 

Segundo o especialista, o uso do formol foi muito trágico no Brasil, e muitas empresas deixaram de fabricar. “Temos sistemas químicos para cabelos cacheados e ondulados.”

Ainda conforme o executivo, a aromaterapia vem construindo um processo de consolidação no mercado, com terapias integrativas para o corpo todo. 

Futuro da Cosmetologia 

Para Júnior, o cenário pós-pandemia é promissor. Ele observou uma recuperação rápida da economia e do setor. “O consumo vai crescer muito, os hábitos vão perdurar. A diversidade das cores vai continuar. A perfumaria brasileira está se sofisticando e indo para o mercado internacional. Isso é inclusão. Isso que o CRQ está fazendo é inclusão, um jeito de pensar, uma nova forma de olhar as coisas, o mercado e as tendências, sinais e sensações. Se a gente pode ver não é mais tendência”, concluiu. 

Já Maria Inês acredita que o consumidor, durante a pandemia, aprendeu a observar mais o mercado. “Ele [o consumidor] aprendeu que tem que olhar, ler. Foi um processo educativo, um sujeito ativo na busca por informações, se acostumou a formar a sua própria ideia.”

Segundo a profissional, muita gente gostou de estar no seu lar, do isolamento, da sua própria companhia. “Isso é uma oportunidade para a indústria: o autocuidado”, avaliou. 

Assista à live: https://www.youtube.com/watch?v=xCzPUNXgpdU