Brasília sedia o 8º Encontro Nacional de Fiscalização do Sistema CFQ/CRQs com foco em inovação e governança

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Evento reúne representantes do Sistema CFQ/CRQs e do TCU para debater padronização dos procedimentos de fiscalização, segurança jurídica, governança e investimentos na atividade fiscalizatória

O Sistema CFQ/CRQs realiza, nesta semana, o 8º Encontro Nacional de Fiscalização. O evento reúne conselheiros, fiscais e lideranças do setor de todo o país com o objetivo de alinhar estratégias, debater atualizações jurídicas e aprimorar os processos de fiscalização da atividade química no Brasil.

O presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho, destacou que a fiscalização é a expressão máxima do compromisso do Sistema com a proteção da população brasileira.

Presidente do Conselho Federal de Química durante discurso no 8º Encontro Nacional de Fiscalização.

“Não se trata apenas de cumprir metas burocráticas, mas de garantir que os processos industriais, laboratoriais e de serviços sejam conduzidos com segurança, qualidade, responsabilidade e, sobretudo, com ética de profissionais devidamente habilitados”, enfatizou Ribamar.

O presidente ressaltou ainda que, diante das transformações tecnológicas, a atividade fiscalizatória precisa modernizar ferramentas, alinhar diretrizes e fortalecer a integração entre o CFQ e os Conselhos Regionais de Química (CRQs) para garantir uma atuação eficiente, uniforme e qualificada.

Em sua fala, Ribamar reforçou o papel do evento como espaço de convergência para o fortalecimento da área: “Este 8º Encontro Nacional de Fiscalização representa um espaço essencial para essa construção. É aqui que podemos trocar experiências, compartilhar boas práticas, discutir desafios e encontrar juntos caminhos para uma fiscalização cada vez mais íntegra, preventiva, moderna e eficaz”, destacou.

O desafio de unificar procedimentos respeitando as regionalidades

O coordenador da Comissão de Fiscalização e Orientação Profissional (CFISC), Rodrigo Moura, destacou que o maior desafio do encontro é equilibrar a unificação dos procedimentos fiscais com as especificidades regionais de cada um dos 21 conselhos do país.

“O desafio maior é exatamente esse: trabalhar, respeitar a regionalidade de cada conselho, a individualidade da administração de cada gestor de conselho regional, mas ao mesmo tempo trabalhar a legislação para que a aplicação da norma, a atuação fiscal, tenha o mesmo caráter, a mesma atuação e o mesmo padrão em todo o Brasil”, explicou Rodrigo Moura.

O coordenador salientou que o grande valor do encontro está na troca de experiências e de boas práticas entre os serviços de fiscalização, o que contribui para a unificação de entendimentos e eleva o padrão de trabalho oferecido à sociedade e aos profissionais da Química.

Complementando essa visão de alinhamento nacional, o Conselheiro Federal Wagner Contrera, Coordenador da Comissão de Legislação, Normas e Procedimentos do Sistema CFQ/CRQs, apresentou, em sua palestra, um diagnóstico da fiscalização no país, mapeando dados de arrecadação, investimentos, vistorias e autuações.

“A ideia de apresentar esses dados aos gestores e aos próprios fiscais é exatamente para que a gente possa identificar as necessidades de melhoria e ter uma atuação o quanto mais uniforme em todo o Brasil”, destacou Wagner, reforçando que a troca presencial entre os profissionais é fundamental para o aprendizado e o aprimoramento contínuo do Sistema.

Ação conjunta e alinhamento com o TCU

Uma das palestras, ministrada por João Manuel da Silva Dionízio, representante da Diretoria de Conselhos Profissionais (DICONP) do Tribunal de Contas da União (TCU), abordou o “Acórdão nº 309/2026”. Durante a apresentação, Dionízio ressaltou a importância da atuação dos fiscais para a garantia de produtos e serviços seguros para a população, enfatizando o conceito de unicidade do Sistema.

João Manuel da Silva Dionízio em palestra durante evento.

Em sua fala sobre diretrizes de governança e sobre o impacto da decisão do TCU, o representante reforçou que o objetivo do órgão de controle é atuar em sintonia com os conselhos para fortalecer a gestão e evitar a fragmentação. “A gente quer uma estrutura que tenha uma capacidade de resposta melhor, para que a gente possa avançar”, apontou Dionízio, reforçando o valor do diálogo e do aperfeiçoamento contínuo das normas e dos procedimentos.

Segurança jurídica e rotina fiscal

A integração entre o suporte normativo do CFQ e a atuação técnica na ponta também esteve no centro do debate jurídico do evento. Segundo Leandro Coelho, da Assessoria Jurídica do CFQ, o Acórdão nº 309/2026 do TCU é um marco para a padronização das ações. Ele reforçou que o Conselho Federal atua como ponto focal junto ao TCU, preservando a autonomia dos regionais.

“O agente fiscal já é capacitado tecnicamente, porque só podem ser químicos os fiscais, e tem essa base jurídica também para poder apoiá-los. Eles fazem a constatação, mandam para o chefe da fiscalização e o chefe da fiscalização fundamenta. É bem importante seguir o rito do procedimento, que é a nossa Resolução 287, para que não tenha depois uma anulação na justiça ou uma invalidação”, explicou Leandro Coelho.

Outros pontos debatidos no encontro foram a descentralização financeira e os investimentos viabilizados pelo Programa de Desenvolvimento da Atividade Finalística (PDAF). O 2º Vice-Presidente do CFQ, Wilson Botter Júnior, destacou que o programa disponibiliza recursos para que os CRQs invistam em suas estruturas de fiscalização, segundo critérios técnicos preestabelecidos e respeitando rigorosamente a legislação de compras públicas.

“A distribuição de recursos se pautou em critérios como o número de fiscais, número de fiscalizações, número de empresas e arrecadação anterior, para atender a cada um segundo a sua necessidade”, afirmou Botter.

Ele acrescentou que os aportes têm reforçado a atuação fiscalizatória nos regionais, permitindo melhorias estruturais indispensáveis para os conselhos de todo o país.

A visão de quem atua na ponta

Para os profissionais que vivem o cotidiano das vistorias, o evento representa uma oportunidade direta de aprimoramento técnico e institucional. John Rogério Costa, agente fiscal do CRQ da 4ª Região, ressaltou a importância da atualização oferecida na programação presencial.

“Um evento como esse é uma grande oportunidade para aprender mais e se atualizar a respeito de temas relevantes para a fiscalização, sejam jurídicos, comportamentais ou operacionais”, pontuou o agente fiscal.

John destacou ainda a troca de experiências sobre a gestão do dia a dia e o suporte prestado aos fiscais no campo: “Estou aprendendo a nível comportamental, jurídico e em temas relativos às abordagens na rotina de fiscalização”.

Além das palestras citadas, outros temas também foram abordados durante o primeiro dia do evento. O encontro se estende até sexta-feira (9).