Da molécula ao mercado: no in-cosmetics Latin America 2026, Sistema CFQ/CRQs destaca a presença da Química na inovação do setor cosmético
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Na maior feira do segmento, a autarquia reforça a importância da ciência e do rigor sanitário para garantir a estabilidade, segurança e inovação na indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.
Durante a feira in-cosmetics Latin America 2026, o Sistema CFQ/CRQs destacou a importância estratégica da ciência Química para o avanço da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Em sua participação no evento, a autarquia enfatizou como a atuação dos profissionais da área é determinante tanto na criação de novas tecnologias quanto na garantia de segurança, eficácia e estabilidade de cosméticos e fragrâncias desde o desenvolvimento até o consumidor final.

O conselheiro federal Dr. Ubiracir Fernandes Lima destacou que, além do desenvolvimento de novas fórmulas e substâncias, o mercado também precisa garantir que esses produtos tenham estabilidade para lidar com as condições climáticas do Brasil. “O nosso papel enquanto Sistema CFQ/CRQs foi mostrar que existe essa ciência por trás para prever e monitorar o comportamento das substâncias desenvolvidas. Precisamos criar sistemas nas formulações para prever interações com a luz, a umidade e o oxigênio, garantindo que a inovação e a qualidade do produto se mantenham íntegras até o final do prazo de validade”, explicou o conselheiro.
Esses e outros temas foram abordados por Ubiracir durante sua palestra “Da molécula à formulação: como a ciência química auxilia a gerar novas tecnologias”, no evento.
Segundo o palestrante, o setor como um todo, dos profissionais envolvidos aos clientes, hoje enxerga o rigor científico como um caminho para boas práticas e inovação, e o CFQ é um aliado para garantir esse rigor. “O público e os profissionais estão entendendo, cada vez mais, que a ciência Química é uma aliada indispensável para a inovação e que o Sistema CFQ/CRQs atua ao lado da indústria e da proteção da sociedade”, completou Ubiracir.
A importância da pesquisa de base, ou “ciência de bancada”, em toda a cadeia produtiva do ramo, foi outro destaque da palestra de Ubiracir. “Se eu não tiver dados de segurança, eficácia e estabilidade da formulação que foi proposta, o produto não é regularizado. E se ele não é regularizado, não chega ao mercado. Posso ajudar daqui, da minha bancada, o profissional que lá na frente faz a empresa sobreviver. É uma cadeia, está todo mundo junto”, disse o conselheiro.
Para o especialista, a inovação não pode vir a qualquer custo, o setor deve se preocupar também com as regras sanitárias. “Não adianta ter o produto mais bonito ou mais eficaz se ele não cumpre a regra sanitária. O grande desafio da inovação é compreender como as estruturas moleculares determinam as interações químicas e como a formulação controla a sua estabilidade e segurança até a ponta”, explicou.
Por fim, Ubiracir enfatizou que a ciência Química é a solução, não uma barreira para o mercado. “A ciência química é solução. Ela só é um problema quando é mal aplicada ou usada sem o devido cuidado técnico. No Sistema CFQ/CRQs, trabalhamos para trazer suporte, capacitação e segurança para que a indústria e os profissionais atuem de forma correta e regulada”.
A visão de quem atua no mercado: segurança e criação olfativa
A relevância do controle técnico e da habilitação profissional evidencia-se no dia a dia das indústrias do setor. No evento, a farmacêutica e técnica em química Larissa Soares, que atua como avaliadora de fragrâncias no mercado, explicou como a Química é peça-chave no desenvolvimento de novos aromas e na segurança do produto para o consumidor final. “As fragrâncias estão totalmente ligadas à parte química, tanto pelo estudo das moléculas quanto pela construção olfativa de topo, meio e fundo. A Química é fundamental para trazer segurança sobre quais matérias-primas podem ser usadas e garantir que estejamos alinhados com a regulamentação para evitar componentes alergênicos”, pontuou a profissional.
Larissa ressaltou ainda a importância de as empresas do setor manterem profissionais devidamente cadastrados e acompanhados pelos Conselhos Regionais de Química, assegurando respaldo técnico em todas as etapas de produção.
Letícia Dias, graduada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pesquisadora em Química Computacional na área de cosméticos, comentou que a união entre ciência e mercado é o que impulsiona o setor. “O mercado cosmético ganha muito quando unimos o olhar do consumidor à ciência química aplicada. Ver estandes explicando a química por trás de cada benefício, e não apenas o aspecto sensorial, mostra como a inovação e a pesquisa científica são essenciais para o setor”, destacou Letícia.
Para a pesquisadora, apesar de o grande público do setor ser majoritariamente feminino, o fortalecimento das mulheres na pesquisa acadêmica e no desenvolvimento científico ainda deve ser fomentado cada vez mais. “Ainda precisamos de uma visibilidade maior de mulheres na ciência e na pesquisa. Na área cosmética, o público feminino tem predominado justamente por entender o produto como consumidora e como cientista. Sabemos o que o público busca e temos muito a contribuir no desenvolvimento e na inovação do setor”, finalizou Letícia