Com calor e tempo seco no DF, CFQ reforça cuidados com a manutenção de piscinas

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Maior incidência solar e aumento no uso das piscinas exigem atenção aos parâmetros da água; Sistema CFQ/CRQs destaca cuidados importantes para garantir segurança em condomínios, clubes e residências

O Distrito Federal enfrenta temperaturas elevadas, com os termômetros ultrapassando a marca dos 36°C e a umidade relativa do ar em níveis críticos, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com o calor intenso, aumenta também a procura por piscinas em clubes, condomínios e residências.

Nesse período, no entanto, a combinação entre temperaturas elevadas, forte incidência solar e maior número de banhistas pode alterar o equilíbrio químico da água e exigir atenção redobrada com o tratamento.

Com cerca de 80 mil piscinas no Distrito Federal, segundo estimativas da Associação Nacional das Empresas e Profissionais de Piscinas (ANAPP), a manutenção adequada torna-se ainda mais importante para reduzir riscos à saúde e garantir condições seguras de uso.

O engenheiro químico Wagner Aparecido Contrera Lopes, conselheiro federal e coordenador da Comissão de Legislação, Normas e Procedimentos do Sistema CFQ/CRQs, explica como o sol pode acelerar a degradação do cloro, diminuindo sua capacidade de desinfecção.

“A forte incidência de sol acelera a desgaste do cloro, reduzindo a eficiência da desinfecção. Além disso, nos dias mais quentes, aumenta naturalmente a utilização das piscinas. E cada usuário leva para a água suor, oleosidade da pele, protetor solar, cosméticos e outros contaminantes. Esse aumento da carga orgânica consome parte do cloro disponível e, consequentemente, pode reduzir a eficiência da desinfecção”, explica.

Confira dicas do Sistema CFQ/CRQs para manter a piscina segura no período de calor e tempo seco

  1. Monitore com frequência os parâmetros da água

Nos períodos mais quentes e de maior utilização da piscina, é importante aumentar a frequência das medições. Parâmetros como cloro, pH e alcalinidade precisam ser acompanhados e ajustados corretamente, pois atuam de forma integrada na qualidade da água.

O aumento da temperatura também pode favorecer a proliferação de algas e bactérias quando o tratamento não é realizado adequadamente.

  1. Não confie apenas na aparência da piscina

Uma água transparente e aparentemente limpa não significa, necessariamente, que esteja própria para uso. Alterações químicas ou microbiológicas nem sempre são perceptíveis visualmente.

“Nos períodos de maior utilização, o acompanhamento técnico se torna ainda mais importante, mesmo que a água esteja aparentemente limpa. Água transparente não significa necessariamente água segura. O profissional da Química precisa acompanhar os parâmetros da água”, destaca Wagner.

  1. Não aumente a quantidade de produtos químicos por conta própria

Mais cloro não significa, necessariamente, uma piscina mais segura. A aplicação excessiva ou inadequada de produtos pode causar irritações na pele e nos olhos e, em situações mais graves, provocar intoxicações.

“Simplesmente aumentar a quantidade de produtos químicos também não é a solução, já que o excesso de cloro e outros produtos pode provocar irritações e intoxicações”, alerta o especialista.

Por isso, o tratamento não deve ser feito de forma intuitiva. A quantidade de cada produto precisa considerar as condições da água, o volume da piscina e as orientações técnicas e dos fabricantes.

  1. Redobre a atenção nos dias de maior movimento

Quanto maior o número de banhistas, maior também a quantidade de substâncias levadas para a água, como suor, oleosidade, protetor solar e cosméticos.

Esse aumento da chamada carga orgânica pode consumir parte do cloro disponível e reduzir sua capacidade de desinfecção. Em clubes, condomínios e outros locais de uso coletivo, o monitoramento deve ser ainda mais rigoroso nos períodos de maior movimento.

  1. Armazene os produtos químicos em local adequado

O calor também exige atenção às casas de máquinas e aos ambientes onde os produtos utilizados no tratamento da piscina são armazenados.

Os produtos devem permanecer em suas embalagens originais, em locais ventilados e protegidos da incidência direta da luz solar e de fontes de calor. Também devem ser seguidas as condições de armazenamento indicadas nos rótulos e pelos fabricantes.

  1. Nunca misture produtos químicos diretamente entre si

Esse é um dos principais cuidados durante o manuseio. Produtos incompatíveis podem reagir entre si, provocando acidentes e até a liberação de gases tóxicos.

“Em relação ao manuseio, a recomendação é nunca misturar produtos químicos diretamente entre si, fora das piscinas. Produtos incompatíveis podem reagir de forma violenta e liberar gases tóxicos. Assim, reforçamos que devem ser respeitadas as orientações do fabricante”, alerta Wagner.

  1. Conte com acompanhamento de profissional habilitado

Especialmente em piscinas de uso coletivo, o acompanhamento técnico permite identificar alterações nos parâmetros da água e orientar corretamente a utilização dos produtos químicos.

Em períodos de calor intenso, maior exposição solar e aumento no número de usuários, esse controle se torna ainda mais relevante para manter a eficiência da desinfecção e proporcionar condições adequadas de uso da piscina.

Como fazer o correto?

Para orientar síndicos e administradores de condomínios, o Sistema CFQ/CRQs disponibiliza o Manual do Síndico, publicação que reúne informações sobre a contratação e a fiscalização de serviços que envolvem atividades da área da Química.

No caso do tratamento de piscinas em condomínios, o documento reforça a importância de que o serviço seja acompanhado por Profissional da Química habilitado e registrado no Conselho Regional de Química (CRQ), com a correspondente Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

Segundo Wagner Aparecido Contrera Lopes, a ART formaliza a responsabilidade técnica pelo serviço e oferece mais segurança ao condomínio e aos usuários da piscina. “Em um condomínio, a ART é a garantia para o síndico e para os usuários da piscina que o tratamento está sendo conduzido sob a responsabilidade técnica de um profissional da Química habilitado. Portanto, o prestador de serviços deve providenciar a ART, formalizando a indicação do profissional que será o responsável técnico pelo serviço. Recomenda-se, ainda, que a ART seja fixada em local visível aos usuários para transmitir-lhes segurança”, detalha Wagner.