CFQ defende governança baseada em estratégia, dados e fortalecimento dos regionais durante Congresso de Governança nos Conselhos Profissionais 

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Conselho apresentou estratégias para ampliar eficiência, fiscalização e integração entre Federal e regionais 

“Não existe governança real sem olhar para quem está na ponta.” A declaração do gerente executivo do Conselho Federal de Química (CFQ), Weverton Borges, marcou a participação da autarquia no 2º Congresso de Governança nos Conselhos Profissionais, realizado nesta quinta-feira (21), em Brasília, com foco em estratégias de gestão, uso de dados e fortalecimento regional. 

Durante o painel sobre governança e estrutura administrativa, Weverton destacou que o modelo defendido pelo CFQ vai além da construção de processos burocráticos e se apoia em planejamento estratégico, análise de dados e fortalecimento da atuação regional. “A gente propõe algo maior. A base estruturante precisa ser feita com base na estratégia e essa base precisa ser construída a partir de dados”, afirmou. 

Segundo ele, não é possível discutir excelência na atuação do Conselho Federal sem considerar a realidade operacional dos Conselhos Regionais de Química, responsáveis pelas ações que chegam diretamente à sociedade. 

“Uma defesa que o Conselho Federal de Química faz há muito tempo é que não existe execução eficiente no federal sem considerar os regionais. Tratar de excelência no federal sem olhar para o regional é a mesma coisa que dar um tiro na água. A base é o regional, são eles que executam as ações efetivas de impacto para a sociedade”, destacou. 

Dentro dessa proposta, o CFQ vem trabalhando na construção do chamado “Conselho Regional Mínimo”, iniciativa voltada à criação de parâmetros estruturais e operacionais capazes de garantir um padrão mínimo de atendimento e de capacidade institucional em todos os regionais. 

De acordo com Weverton, para que esse modelo se tornasse viável, foi necessário primeiro construir diagnósticos baseados em dados concretos e nas diferentes realidades enfrentadas pelos regionais. 

Como exemplo, ele citou o Conselho Regional da 14ª Região, que abrange Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Segundo o gerente executivo, os altos custos das ações de fiscalização em uma região de grandes distâncias territoriais e logística complexa tornam necessária a criação de mecanismos específicos de investimento e apoio operacional. 

“O custo de uma fiscalização é extremamente alto e, muitas vezes, o número de profissionais e empresas não acompanha esse investimento direto. Isso impacta outras áreas e, em alguns casos, o regional não consegue sequer estruturar equipes em áreas como controladoria”, explicou. 

Para enfrentar esses desafios, Weverton apresentou o Programa de Desenvolvimento das Atividades Finalísticas (PDAF), iniciativa do CFQ voltada ao fortalecimento da estrutura dos regionais e à ampliação da capacidade operacional dos conselhos. 

“Nós estamos no primeiro ano do investimento do PDAF. O próximo passo é avançar na contratação de serviços de dedicação exclusiva para otimizar os CRQs modelo, permitindo que os regionais avancem nas suas frentes de atuação a partir de uma estrutura mínima de governança”, afirmou. 

Segundo ele, o objetivo é reduzir desigualdades estruturais entre os regionais e construir um sistema mais equilibrado, eficiente e alinhado às necessidades da sociedade. “O que a gente espera é que os resultados tenham coerência com aquilo que se espera do conselho. Nossa ideia é mostrar que fazer o simples e bem feito já é um grande avanço em um sistema tão diversificado e cheio de especificidades”, concluiu. 

Governança como estratégia institucional 

O painel também contou com a participação de Elderson Ferreira, Auditor do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), e de Henrique Farinon, diretor do Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público (IGCP) e idealizador do Pronagov. 

Durante sua apresentação, Elderson Ferreira destacou que a governança pública precisa ir além da prestação de contas e ser encarada como ferramenta estratégica para geração de resultados concretos para a sociedade. “Hoje o foco é o que nós vamos entregar para a sociedade brasileira. A governança como estratégia, e não só como prestação de contas”, afirmou. 

Segundo ele, esse modelo de atuação tem ampliado o reconhecimento institucional dos conselhos profissionais e fortalecido a construção de políticas públicas mais eficientes e transparentes. Como exemplo, citou o convite feito ao Conselho Federal de Enfermagem para integrar o Compromisso Cidadão, plataforma colaborativa desenvolvida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) com o objetivo de aproximar governo e sociedade, reduzir burocracias e ampliar a transparência dos serviços públicos. 

Já Henrique Farinon reforçou que governança deve ser compreendida como cultura organizacional permanente e não apenas como um conjunto de normas administrativas. “Boas práticas sozinhas não perduram. É preciso organizar tudo sob aspectos de referência, como os da CGU e do TCU. Isso precisa vir de cima para baixo, com lideranças comprometidas com as mudanças”, disse. 

Farinon também ressaltou a importância dos conselhos profissionais para a sociedade e destacou que não existe governança efetiva sem integração entre estratégia, operação e fiscalização.