Mulheres e Meninas na Ciência aproxima estudantes da Química e reforça protagonismo feminino

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Com workshops, experiências práticas e atividades interativas, evento promovido pelo CFQ, CRQ- XIII e Unisul incentivou jovens a descobrirem a ciência como espaço de pertencimento, inovação e futuro profissional

Com workshops, experiências práticas e atividades interativas, evento promovido pelo Conselho Federal de Química (CFQ), Conselho Regional de Química da 13ª Região (CRQ XIII) e Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) incentivou jovens a descobrirem a ciência como espaço de pertencimento, inovação e futuro profissional.

Olhares atentos, curiosidade estampada no rosto e entusiasmo para descobrir o que acontecia dentro dos laboratórios. Foi assim que estudantes de diversas escolas chegaram ao auditório da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) para participar da segunda edição do evento Mulheres e Meninas na Ciência.

A iniciativa reuniu alunos do ensino médio e técnico em uma programação voltada à aproximação entre juventude, ciência e mercado profissional, mostrando que a Química pode ser muito mais próxima, dinâmica e acessível do que muitos imaginam.

Participação feminina ainda enfrenta desafios

Mais do que despertar interesse pela ciência, o evento também trouxe à tona um debate importante: a necessidade de ampliar a participação feminina nas áreas científicas e tecnológicas. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, mulheres ainda enfrentam desafios relacionados à representatividade, permanência e ocupação de cargos de liderança nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Atualmente, elas representam apenas 26% dos ingressantes nesses cursos no Brasil, mesmo sendo maioria entre os estudantes universitários do país.

Na Química, as desigualdades também aparecem nos espaços de liderança, pesquisa e reconhecimento acadêmico. Mulheres ocupam apenas 3 em cada 10 postos de trabalho em STEM e representam pouco mais de um terço dos bolsistas de produtividade do CNPq, voltados a pesquisadores de excelência. Em cargos de chefia e coordenação científica na área química, a presença feminina ainda varia entre 12% e 30%.

Diante desse cenário, ações voltadas à educação científica e ao incentivo de meninas na ciência têm ganhado cada vez mais importância. Promovido pelo Conselho Federal de Química (CFQ), em parceria com o Conselho Regional de Química da 13ª Região (CRQ XIII) e a Unisul, o evento buscou justamente aproximar os jovens da ciência de forma prática, acessível e inspiradora.

Incentivo à ciência e novas trajetórias

Representando o CFQ, o 1º secretário Jonas Comin destacou que incentivar a participação feminina na ciência é investir no futuro do país e no fortalecimento da inovação. “O Sistema CFQ/CRQs acredita que incentivar a educação científica é investir no futuro do país. Aproximar os estudantes da Química significa estimular inovação, desenvolvimento e oportunidades. E iniciativas como o Mulheres e Meninas na Ciência ajudam a ampliar a participação feminina nas áreas científicas e mostram às estudantes que elas também pertencem a esses espaços.”

Segundo ele, fortalecer a presença feminina significa também construir o futuro da ciência e da indústria química. “A ciência química precisa de novas mulheres, de novas meninas ocupando esses espaços, tanto na pesquisa quanto na inovação, principalmente em cargos relacionados à atuação do profissional da Química.”

Para a coordenadora do Comitê de Mulheres do CFQ, a conselheira federal Andrea Piluski, proporcionar esse contato com estudantes ainda no ensino médio é essencial para ampliar horizontes e incentivar escolhas profissionais mais conscientes.“É importante comunicar, falar para as meninas, para as mulheres, como é a nossa profissão na área da Química, o que nós podemos fazer e em que áreas podemos atuar. Assim, elas conseguem, antes mesmo de decidir uma carreira, entender como vão atuar e quais são as expectativas de crescimento.”

Andrea também ressaltou que o Comitê de Mulheres do CFQ, criado em 2025, nasceu justamente com o propósito de fortalecer referências femininas na ciência e inspirar novas trajetórias profissionais. “Uma das atribuições desse comitê é realmente inspirar as mulheres, mostrar o que é a nossa carreira e onde ela pode chegar. Tenho mais de 30 anos de experiência no mercado e é um prazer compartilhar essa trajetória com meninas e mulheres que estão começando.”

O presidente do CRQ XIII, Clovis Duarte de Bom, também destacou a importância de incentivar jovens mulheres a enxergarem a ciência como possibilidade real de futuro profissional. “O evento Mulheres e Meninas na Ciência tem grande importância porque estamos incentivando meninas que hoje são futuros talentos para o mercado de trabalho. Queremos trazê-las ainda mais para a área da Química, porque o mercado está aberto e a indústria química brasileira é muito pujante, precisando de profissionais habilitados.”

Clovis também ressaltou que ações voltadas à educação científica ajudam a aproximar os jovens das oportunidades existentes na indústria e na pesquisa. “Nós temos um grande compromisso de incentivar e apoiar eventos como este. É importante que essas estudantes entendam que existe um mercado de trabalho aberto, cheio de possibilidades e que precisa de novos talentos.”

Ciência na prática

Mais do que ouvir sobre ciência, os estudantes puderam vivenciá-la na prática. Divididos em quatro grupos, os participantes passaram por workshops interativos e oficinas experimentais que transformaram os laboratórios da universidade em espaços de investigação, descoberta e aprendizado.

Uma das atividades foi conduzida pela equipe da Baly Energy Drink, que apresentou técnicas utilizadas no controle de qualidade de bebidas. Durante a oficina, os estudantes finalizaram a preparação de um energético e puderam entender como análises químicas fazem parte da rotina industrial para garantir segurança e qualidade aos consumidores.

Já na oficina promovida pela Guimarães Produtos de Limpeza, os participantes produziram detergente do zero, acompanhando processos ligados à pesquisa, desenvolvimento e formulação de produtos utilizados diariamente pela população. A atividade também reforçou a importância das normas de segurança e das regulamentações da Anvisa no desenvolvimento de saneantes.

A relação entre ciência, microbiologia e autocuidado esteve presente nas experiências conduzidas pela Kitlabor. Os estudantes observaram, a olho nu, a presença de materiais biológicos que podem contaminar embalagens de maquiagem e conheceram conceitos relacionados ao controle microbiológico e ao equilíbrio do pH da pele em produtos de skincare.

Os participantes também se divertiram com o jogo “Mistura Explosiva”, iniciativa educativa desenvolvida pelo CFQ em parceria com a Abipla para conscientizar sobre os perigos da mistura inadequada de produtos de limpeza e reforçar a importância da segurança química no cotidiano.

Descoberta, inspiração e transformação

Para a conselheira regional do CRQ XIII, Franciellen Koball, o principal objetivo do evento foi permitir que os jovens experimentassem a ciência de forma concreta e se reconhecessem nesse ambiente. “Esse evento foi pensado para que os estudantes, não só as meninas, os meninos são bem-vindos também, tivessem essa vivência prática, para que eles se descubram como cientistas. Então esse é um dia de muita descoberta, muita atividade prática, muita mão na massa.”

Ela também destacou que ainda existe uma distância entre meninas e as carreiras científicas, muitas vezes causada pela falta de representatividade. “Quando a gente pergunta sobre cientistas, ainda vem à mente uma figura masculina. Então, o objetivo é fazer com que mais mulheres se aproximem da área, sobretudo da Química.”

Representando a reitoria da Unisul, o coordenador acadêmico Juliano Frederico da Rosa ressaltou que experiências como essa ajudam a despertar talentos e reduzir o receio que muitos jovens têm das áreas científicas. “Muitos jovens ainda têm receio da ciência, da Química e da matemática. Essas iniciativas fazem aflorar, nas pessoas que têm essa vocação, a vontade de dizer: ‘eu quero fazer ciência’.”

O coordenador do curso de Engenharia Química da Unisul, Otoniel Sousa de Oliveira, reforçou que aproximar os estudantes da realidade universitária também é uma forma de promover transformação social. “Nós temos essa responsabilidade de ser essa luz, de mostrar o que é a ciência, o que é a engenharia química, mostrar o que o profissional da área faz, para que haja transformação social.”

Entre os participantes, a estudante Lara Luiz Nunes contou que a experiência trouxe novas perspectivas sobre o futuro profissional. “Gostei bastante do evento. Como aluna da rede pública de ensino, ter referências femininas na ciência para me guiar, para me motivar para um futuro profissional melhor, foi muito legal. Eu nunca tinha vivido algo assim na escola.”