PDPetro, em seu segundo dia, destaca situação privilegiada do Brasil e seus profissionais na transição energética
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No segundo dia do PDPetro, a temática da empregabilidade no setor de energia, tanto às renováveis quanto às convencionais, esteve em lugar de destaque na programação. Uma das mesas de debate, mediada por Raimar van den Bylaardt, membro do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), teve como proposta abordar “A Demanda de RH em Energias Renováveis e Novas Tecnologias”, e contou com os debatedores Raphael Moura, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Fernanda Perez, da agência de recursos humanos Brunel, e Ricardo Yogui, especialista na área de Inovação.

Fernanda trouxe números que expõem o gigantismo do mercado de energia no país, com uma demanda projetada enorme para os próximos cinco anos especialmente no âmbito da energia solar e eólica. Ela acredita que haverá uma corrida por bons profissionais nessa área e, por conta do caráter inovador desse mercado, haverá também a necessidade de uma adequação de expectativas entre o contratante e o postulante a esses cargos.
“É importante alinhar as expectativas, só para começar a conversar. Quero dizer com isso que um gestor de determinada companhia não pode chegar para nós, recrutadores, e demandar um profissional que tenha 15 anos em energia eólica. Não existe esse profissional. Como a gente substitui essa necessidade? Faz esse gap, essa distância entre a necessidade e a oferta do mercado diminuir através da qualificação. Esses profissionais vão fazer cursos e vão se especializar para entender do mercado de renováveis. Vai ser um profissional com padrão acadêmico para poder suprir a não vivência no setor”, comentou a recrutadora.
Moura, o representante da ANP, afirma que a agência observa com atenção a formação profissional de mão de obra qualificada que permita ao Brasil fazer frente ao esperado boom tecnológico oriundo das energias renováveis.
“O que temos pela frente são aspectos relacionados à transição energética, mas também da preponderância dos aspectos ambientais, sociais e de governança na condução dos negócios. Estamos cientes que a indústria do petróleo é de ponta, é uma das grandes catalisadoras do desenvolvimento tecnológico do Brasil”, afirmou Moura.
O terceiro participante da mesa de debates, Ricardo Yogui, aponta que as melhores maneiras para se explorar o universo de oportunidades profissionais que se apresenta tem de ser foco de todos os profissionais que pretendem direcionar suas carreiras para o segmento.
“Eu enxergo oportunidades e todos vocês que estão aqui estão em linha em uma área onde o mundo inteiro fala de transição energética e quem é a referência? Somos nós, que temos uma janela de oportunidade para criar essa simbiose, né? Sinto que temos no Brasil não só os componentes, mas a mistura dos atores que gera a mágica de produzir um ambiente de inovação. Quando falamos das condições que temos no Brasil, os estrangeiros têm uma inveja e a gente sequer se dá conta. Às vezes a gente não percebe porque já estamos acostumados. Nós podemos ser referência global nesse processo”, complementou Yogui.
Outra mesa redonda do 12º PDPetro no segundo dia de evento foi a “Perspectivas e Obstáculos: Construindo Competências para o Futuro na Indústria de Energia em Transformação”, que teve como mediador Luiz Hegele, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), e debatedores Marcos Vitor Barbosa, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), Adriano dos Santos, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Rafael Castro, da Universidade de Campinas (Unicamp).

Barbosa, que é engenheiro da área de petróleo, acredita que quem está vocacionado para o trabalho no segmento de petróleo e gás está em condições melhores de reposicionar seus conhecimentos e atender as demandas do mundo atual, de redução da pegada de carbono e de transição para as energias renováveis.
“As novas tecnologias exigem que a gente relacione melhor todos os conhecimentos básicos que a gente adquiriu na faculdade. Então, na faculdade a gente fez termodinâmica, a gente fez transferência de calor… Isso tudo permanece válido e deve continuar sendo ensinado, deve continuar presente no currículo. O papel de cada um de nós, seja como profissional, seja como professor ou agente de ensino, é incentivar essa interação de conceitos, é pensar soluções diferentes do clássico, porque o clássico a gente já sabe fazer”, comentou.
Adriano dos Santos, por sua vez, converge com Barbosa no sentido de que o caminho para ingressar no mercado das energias renováveis.
“Acho que o maior desafio não é só desenvolver novas tecnologias e novo conhecimento, mas é integrar tudo. Então, por exemplo, 95% de hidrogênio é produzido por combustível fóssil. Então, como que a gente faz ele ser produzido de maneira mais limpa? E depois de produzido, como a gente armazena ele? Como a gente transporta? Eu acho que a gente consegue fazer ele sair de 95% de combustível fóssil e passar pela energia limpa. Mas também depois que você consegue fazer isso, como você armazena isso tudo?”, indagou o palestrante da UFRN.
Castro acredita que eventos como o PDPetro também ajudam os jovens estudantes a encontrarem um direcionamento no segmento.
“Eu participei no primeiro PDPetro, que não era nem PDPetro ainda, em Natal, em 2001. E isso guiou toda a minha carreira para o petróleo. A pesquisa também precisa ser direcionada para a transição: a gente começa a ver agora trabalhos de turbinas eólicas, de energia geotérmica, de armazenamento, que a gente já tem visto bastante. O Programa de Recursos Humanos da ANP (PRH) é um ótimo início para fazer essa adaptação e os professores e pesquisadores que trabalham nas universidades podem começar a colocar esses elementos e direcionar pesquisas na parte de transição, sem problema nenhum”, concluiu o pesquisador da Unicamp.
Presença do Sistema CFQ/CRQs na PDPetro
O Sistema CFQ/CRQs é um dos patrocinadores do evento e a única instituição a contar com um estande no local. O PDPEtro é realizado pela Associação Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento em Petróleo e Gás (ABPG), em colaboração com a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).
O PDPetro busca reunir pesquisadores, estudantes e profissionais da indústria de petróleo, gás e biocombustíveis para promover discussões sobre os avanços científicos e tecnológicos e discutir temas relacionados à integração entre academia e indústria no Brasil.