Eleição da nova diretoria da SBEnQ e homenagens encerram o XXII ENEQ em Belém (PA)
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Após quatro dias de intensa programação, na última quinta-feira (12) ocorreu a solenidade de encerramento do XXII Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ), realizado no auditório do Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN), da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém (PA). O evento reuniu 1.132 participantes, que acompanharam a apresentação de mais de 900 trabalhos e participaram de 45 conferências e debates.

Política editorial
Durante a manhã, foi promovida uma mesa-redonda com o tema “Por uma política editorial para fortalecer a produção de conhecimento na educação em Química”. O debate contou com a participação da professora Maria das Graças Cleophas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), do professor José Euzébio Simões Neto, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e do professor Marcelo Giordan, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e editor-chefe da Revista da Sociedade Brasileira de Química (SBEnQ).

No painel, a professora Maria das Graças abordou o uso de inteligência artificial (IA) no campo editorial, ressaltando que, embora a tecnologia possa oferecer vantagens, é necessário manter a criatividade e o rigor acadêmico. “A inteligência artificial é uma ferramenta desenvolvida por humanos e deve apoiar, e não substituir, nossa criatividade e capacidade crítica. A IA pode melhorar a eficiência em algumas áreas, mas é fundamental que preservemos nossa originalidade e rigor acadêmico,” observou. Ela enfatizou também que, apesar dos benefícios da IA, a tecnologia deve ser integrada ao processo editorial sem comprometer os padrões de qualidade.

Já o professor Simões Neto trouxe um panorama crítico sobre as editoras predatórias. “Devemos estar atentos às práticas predatórias que visam facilitar a publicação sem uma revisão adequada. A comunidade acadêmica precisa combater essas práticas para manter altos padrões de qualidade,” recomendou. “É necessário exercer vigilância ética na publicação científica,” complementou.
Marcelo Giordan Santos, editor-chefe da Revista da Sociedade Brasileira de Química (SBEnQ), encerrou o debate com uma visão sobre a evolução da publicação científica e o papel da revista no cenário acadêmico.

Novo mandato
À tarde, ocorreu a eleição da nova diretoria da Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ). A professora Irene Cristina de Melo, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi eleita presidente. Bruno dos Santos Pastoriza, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), assumiu o cargo de vice-presidente, e Gahelyka Aghta Pantano Souza, da Universidade Federal do Acre (UFAC), foi nomeada secretária-geral. Foram também escolhidos os membros do Conselho Consultivo e os representantes regionais.
A professora Irene Cristina de Melo, ao assumir a presidência da associação, expôs as metas da nova gestão. “Esta será a terceira gestão da SBEnQ e marca a primeira vez que temos uma mulher na presidência. A nova diretoria, composta por um grupo jovem e engajado, traz novas perspectivas e está comprometida em elevar a associação a um novo patamar. Apesar de a SBEnQ ser relativamente nova, já tem demonstrado uma presença marcante na educação em Química,” comemorou.

Ela também abordou as perspectivas futuras da SBEnQ. “Um dos nossos principais objetivos é iniciar um processo de internacionalização. Buscaremos uma colaboração mais estreita com o MEC e outras entidades de políticas públicas para o ensino de Química. Também planejamos fortalecer as parcerias com instituições como a Sociedade Brasileira de Química, além do Conselho Federal de Química, dos Conselhos Regionais (CRQs) e outras associações, para aprimorar o ensino em todo o país,” concluiu.
Prêmio Roseli Pacheco Schnetzler
Na cerimônia de encerramento, a SBEnQ prestou uma homenagem ao professor Attico Chassot, mestre em Educação e doutor em Ciências Humanas. Ele recebeu o prêmio Roseli Pacheco Schnetzler por suas contribuições ao ensino e à pesquisa em Química. Chassot foi amplamente reconhecido por sua influente trajetória na área.
Participação ativa
Para o professor Wilton Rabelo Pessoa, co-presidente da Comissão Organizadora da 22ª edição do ENEQ e diretor-adjunto do Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI) da UFPA, o saldo do encontro foi extremamente positivo. “A participação de mais de 1.000 inscritos e a apresentação de mais de 900 trabalhos demonstram a importância do encontro. O sucesso do evento reforça a relevância de realizar encontros dessa natureza na região Norte,” avaliou.

Ao término do evento, foi anunciada a comissão organizadora do XXIII ENEQ, que acontecerá em 2026, em Pelotas (RS). O professor Bruno dos Santos Pastoriza, da UFPEL, que assumirá a presidência da próxima edição, não escondeu sua empolgação. “Estamos ansiosos para organizar o próximo ENEQ e continuar promovendo discussões importantes para o avanço do ensino de Química,” concluiu.

XXII ENEQ
Voltado para docentes de Química e Ciências da educação básica, do ensino superior e estudantes de licenciatura e pós-graduação, o XXII Encontro Nacional de Ensino de Química ocorreu de 9 a 12 de setembro em Belém (PA). O evento teve o objetivo de debater o cenário atual de defesa e resgate de direitos na esfera social, ambiental e no campo da educação pública.
Paralelamente ao evento, também foram promovidas a primeira edição do Encontro Regional de Ensino de Química – Norte (EREQUI – Norte) e a 8ª edição da Mostra de Materiais Didáticos de Química (VIII MOMADIQ).
