Método multirresíduos para agrotóxicos em alimentos e amostras ambientais é tema de palestra
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O professor de Química da Universidade Federal de Santa Maria, Renato Zanella, trouxe para discussão estudos voltados aos avanços dos métodos multirresíduos para agrotóxicos e outros contaminantes em alimentos e amostras ambientais por GC-MS/MS e LC-MS/MS, durante a 45ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química.
O tema que a princípio soa denso, quando compreendido em sua totalidade revela a importância do profissional da Química nas áreas de vigilância e controle, apresentando, assim, mais um escopo de atuação para a categoria. Durante a palestra, o doutor em Química Analítica pela Dortmund Universität, na Alemanha, contou sobre os critérios rígidos de controle de outros países, principalmente no que se refere à importação de produtos.
Para além de uma tese, hoje o tema estudado pelo professor fez com que a cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, possuísse um laboratório para realização das análises de amostras, até mesmo em contribuição com os órgãos públicos de vigilância, a exemplo do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
“Nós somos da rede de Química Analítica, então o nosso foco é o de estabelecer métodos para poder analisar alimentos. As demandas surgem de feiras e, até mesmo, do Ministério. Atualmente, o nosso laboratório auxilia na produção de orgânicos no RS e em aplicações para o Ibama, em que, também no estado, fazemos a análise em água e em solo. O que nós fazemos é estabelecer os métodos para fazer aplicações”, completou o doutor em Química. O profissional faz uso da alta sensibilidade e seletividade da cromatografia líquida e gasosa acoplada à espectrometria de massas em série (LC-MS/MS e GC-MS/MS) para identificar em uma mesma análise centenas de compostos. Desta forma, sua pesquisa garante um preparo de amostra rápido, eficiente e abrangente, de maneira que a análise de agrotóxicos em alimentos ocorra com tempo e custo reduzido.
Apesar da essencialidade desse trabalho, o pesquisador destaca que no Brasil, infelizmente, há poucas empresas públicas que possuem laboratórios credenciados de análises Químicas, citando, entre as que conhece, a Embrapa. Segundo ele, esses órgãos são vitais para controle e fiscalização do uso incorreto de defensivos que, muitas vezes, trazem malefícios ao meio ambiente e à saúde humana.
Outro ponto ressaltado por Zanella se refere à comparação entre as regras nacionais e internacionais, principalmente em relação à produção de produtos para consumo interno e externo. Segundo o químico, devido à fiscalização internacional, as regras adotadas no Brasil pelos produtores destoam conforme o cliente. “As empresas que importam os nossos produtos enviam analistas para avaliar os produtos consumidos. O público externo tem mais interesse em saber o que é”, lembrou.
Esse argumento é o que, para o pesquisador, reforça importância do controle de qualidade e até mesmo de novos critérios para produção de alimentos, além de evidenciar o potencial mercadológico para os profissionais de Química que queiram trabalhar nessa área.