Sistema CFQ/CRQs encerra participação no 22º ENQA e reforça papel da Química Analítica no desenvolvimento científico e industrial
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Edição reuniu cerca de 1,2 mil estudantes e mais de 700 trabalhos científicos. Presença institucional contou com atendimento no estande e participação em debates sobre regulação, formação e novas aplicações analíticas.

O Sistema CFQ/CRQs participou do 22º Encontro Nacional de Química Analítica (ENQA) e do 10º Congresso Ibero-Americano de Química Analítica (CIAQA), realizados entre os dias 15 e 18 de setembro, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Maceió (AL). Patrocinador da edição, o Conselho Federal de Química manteve presença institucional e técnica no encontro, que reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais de diversos países para debater os avanços das análises químicas e sua conexão com a indústria e a sociedade.
Ao longo dos quatro dias, o encontro somou cerca de 38 horas de programação, nove simpósios temáticos, 12 atividades paralelas e aproximadamente 90 palestrantes e convidados. O evento mobilizou cerca de 1,2 mil estudantes e reuniu mais de 700 trabalhos científicos.
No estande institucional do Conselho Federal de Química, representantes do Sistema CFQ/CRQs receberam os participantes, prestaram orientações sobre a profissão e apresentaram a atuação dos Conselhos Federal e Regionais. O espaço também promoveu o diálogo com pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes regiões do Brasil.
A presidente do Conselho Regional de Química da 6ª Região (CRQ VI – Pará e Amapá), Patrícia da Luz, destacou a importância desse contato com o público:
“A presença institucional do Sistema CFQ/CRQs no ENQA é fundamental para aproximar o Conselho dos profissionais e pesquisadores da Química Analítica. O nosso estande está de portas abertas para atender os congressistas e prestar orientações. Por ser um encontro que reúne participantes de todo o país e do exterior, o apoio e o patrocínio do CFQ ampliam a visibilidade da área e fortalecem toda a nossa categoria.”
A relevância do controle analítico e da atuação técnica para a qualidade dos produtos de consumo também foi destacada pelo conselheiro federal José Ribeiro dos Santos Júnior:
“O ENQA evidencia a força e o rigor da Química Analítica, que dialoga com todas as demais áreas da ciência química. O controle analítico é a base da qualidade. Seja na produção de alimentos ou na área de cosméticos, qualquer produto precisa do respaldo da Química Analítica para obter certificação e ter sua segurança técnica atestada.”
O debate sobre formação e ampliação da representatividade na ciência também integrou a programação. A professora de Química da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Lívia Paulia, apresentou iniciativas voltadas ao incentivo e à permanência de mulheres na área científica:
“Trouxemos ao ENQA o Projeto Lunetas, dedicado a incentivar alunas da educação básica a escolher carreiras nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Na graduação, nosso foco é contribuir para que essas estudantes permaneçam na universidade e avancem para a pós-graduação. Em um campo rigoroso e metodológico como a Química Analítica, esse apoio contribui diretamente para ampliar a presença de mulheres, especialmente de mulheres negras, na pesquisa científica. Trata-se de reconhecer e fortalecer competências para consolidar lideranças femininas na ciência e na tecnologia.”
Controle de qualidade e pesquisas sobre cannabis medicinal encerram debates no ENQA
No último dia da programação, o Simpósio Temático 9 concentrou as discussões na caracterização química e no controle da qualidade da cannabis medicinal. A atividade foi coordenada pela professora Ana Cristi Basile Dias, do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB).
Representando o Conselho Federal de Química no painel, o conselheiro federal Ubiracir Fernandes Lima Filho abordou a estabilidade química de extratos e produtos derivados da cannabis. Durante a apresentação, destacou os parâmetros técnicos necessários para avaliar essas formulações e o papel dos profissionais da Química na definição de padrões rigorosos para o setor.
“Apresentamos tecnologias em desenvolvimento no Brasil e demonstramos o papel central da Química Analítica na consolidação desse mercado com segurança, rigor e eficácia. O debate valoriza a atuação dos profissionais da Química e insere a nossa área em um setor estratégico e em expansão global. Essa aproximação técnica também reflete a visão da gestão do Conselho Federal de Química, liderada pelo presidente José de Ribamar, que possui trajetória acadêmica e profissional dedicada à Química Analítica. O encontro reforçou a conexão direta entre a pesquisa científica e as demandas reais do setor produtivo”, afirmou Ubiracir.
Na abertura da mesa-redonda, Ana Cristi Basile Dias abordou a complexidade dos compostos bioativos da planta e o reaproveitamento da biomassa residual na economia circular. A professora também destacou a importância dos métodos analíticos para ampliar o conhecimento científico sobre o medicamento.
“Trazer o tema da cannabis para o Encontro Nacional de Química Analítica é fundamental, sobretudo para consolidar o conhecimento sobre o controle de qualidade. Nós, químicos, temos a base necessária para atestar a qualidade dos produtos que serão comercializados, sejam nacionais ou importados”, afirmou.
A pesquisadora acrescentou que a cannabis vai além do CBD e do THC presentes no óleo. Segundo ela, a planta possui uma diversidade de compostos bioativos, como os flavonoides, além de uma biomassa residual que pode ser reaproveitada de forma sustentável em projetos comunitários.
Na sequência, a professora associada do Instituto de Química da UnB, Fernanda Vasconcelos de Almeida, apresentou estudos sobre a quantificação de terpenos e a estabilidade química. A docente explicou como diferentes condições de cultivo e horários de colheita podem alterar a concentração dessas moléculas aromáticas, que atuam em sinergia com os canabinoides.
“O estudo dos terpenos mostra que eles participam ativamente do chamado efeito comitiva, potencializando a ação dos canabinoides. Quanto mais equilibrada for a presença de terpenos e flavonoides no extrato, melhor tende a ser a resposta terapêutica em dosagens menores, o que reduz custos e minimiza eventuais efeitos adversos”, explicou.
Fernanda Vasconcelos também ressaltou a relevância da aproximação entre a universidade, a sociedade civil e as associações de pacientes para tornar o acesso mais democrático e fundamentado na ciência.
A programação técnica contou ainda com a participação da professora associada do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Alessandra Sussulini. A docente apresentou o uso da metabolômica no mapeamento de vias biológicas afetadas pelo óleo de cannabis e pelo canabidiol isolado em modelos celulares e animais de doenças neurodegenerativas.
“Trouxemos pesquisas que demonstram como a metabolômica é essencial para compreender o potencial terapêutico da cannabis. Identificamos alterações em vias críticas, como as relacionadas ao estresse oxidativo na neurodegeneração, produzindo evidências científicas para respaldar a regulação e o desenvolvimento de métodos analíticos confiáveis”, pontuou.
A pesquisadora também ressaltou que uma sessão temática dedicada à cannabis medicinal em um congresso nacional desse porte demonstra a maturidade da ciência produzida no Brasil e abre caminhos para novos pesquisadores.
A presença do Sistema CFQ/CRQs no 22º ENQA reafirma a articulação contínua com a comunidade acadêmica e os setores produtivos. Ao apoiar eventos que discutem normas, controle de qualidade e metodologias analíticas, o Conselho contribui para a valorização dos profissionais da Química e para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
“O 22º ENQA deixa um legado expressivo para estudantes, pesquisadores e para a sociedade brasileira. Foram mais de 700 trabalhos apresentados e cerca de 1,2 mil estudantes em contato direto com novas tecnologias, equipamentos e oportunidades. O apoio e o patrocínio do Sistema CFQ/CRQs reafirmam o compromisso institucional com a ciência, a inovação e o desenvolvimento do país”, concluiu Ubiracir Fernandes Lima Filho.