A Química por trás da cachaça: o papel do profissional na produção do destilado

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No Dia Nacional da Cachaça, entenda como a atuação dos profissionais da Química alia conhecimento científico, controle de qualidade e tradição na produção de um dos principais destilados brasileiros.

No dia 13 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Cachaça, uma das bebidas mais tradicionais e de maior relevância econômica do Brasil. Para além do valor histórico e cultural que o destilado carrega desde o período colonial, a qualidade e a segurança da cachaça também passam pelo rigor científico. “É uma bebida genuinamente brasileira. Sua história está ligada aos séculos 16 e 17 e, no Rio de Janeiro, a produção esteve relacionada a um episódio marcante, a Revolta da Cachaça, que teve entre seus líderes Jerônimo Barbalho, posteriormente condenado à morte e decapitado. Desse tempo para cá, a bebida deixou de ser produzida clandestinamente, sem registro e sem qualidade, para uma bebida que, quando acompanhada pelos profissionais da Química, se faz um produto de qualidade”, afirma a professora da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Maria das Graças Cardoso.

A qualidade e a segurança desse produto também estão relacionadas à atuação do Sistema CFQ/CRQs, que acompanha e fiscaliza o exercício profissional da Química nas atividades que integram a cadeia produtiva. Por meio da fiscalização dos Conselhos Regionais de Química, é verificado o cumprimento das exigências relacionadas à responsabilidade técnica e à atuação dos profissionais habilitados, contribuindo para que processos que envolvem transformações químicas sejam conduzidos de acordo com os parâmetros técnicos e legais. A presença do profissional da Química, aliada à fiscalização do Sistema, fortalece o controle dos processos e ajuda a assegurar a qualidade do produto que chega ao consumidor.

Nos bastidores de alambiques e grandes indústrias, o profissional da Química atua em diferentes etapas da produção para contribuir com a segurança, a padronização e a qualidade do produto que chega ao consumidor. Na etapa de fermentação, o profissional acompanha a conversão dos açúcares em etanol pela ação das leveduras, além de monitorar os parâmetros do processo e prevenir contaminações que possam comprometer a qualidade da bebida. “A cadeia produtiva da cachaça envolve não só o processo de destilação, mas o plantio, o corte e a moagem da cana, o processo fermentativo e o envase. Se ela passar por um processo de envelhecimento ou armazenamento, é importante a presença do profissional para orientar os produtores em todos os processos”, destaca a professora.

Na destilação, a precisão química também é fundamental. O controle dessa etapa é importante para garantir que a bebida atenda aos padrões de identidade e conformidade estabelecidos pela legislação. O envelhecimento ou armazenamento em madeira acrescenta uma nova camada de complexidade química. Durante essa etapa, ocorrem reações de oxidação e esterificação, além da extração de compostos da madeira, como taninos e compostos fenólicos, que contribuem para características como cor, aroma e sabor. O controle dessas transformações permite avaliar a composição e a qualidade da bebida. “A reação da cachaça com a madeira é muito interessante, pois ela retira e extrai da madeira os constituintes. Além disso, ocorrem reações de oxidação e de esterificação, entre outras, e são essas reações que fazem com que a cachaça envelhecida ou armazenada em algum tipo de madeira tenha uma grande diferença no sabor”, explica Maria das Graças.

Celebrar o Dia Nacional da Cachaça é, portanto, reconhecer a evolução de um patrimônio nacional que, ao longo do tempo, passou a incorporar conhecimento científico e tecnologia à sua elaboração. A atuação de profissionais da Química ajuda a aproximar tradição e inovação, levando conhecimento técnico às diferentes etapas desse processo. É dessa combinação que nasce uma bebida que preserva sua importância histórica e cultural e segue como um dos principais símbolos da cultura brasileira.