O que acontece com o plástico depois da coleta? A Química explica
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No processo de reciclagem de resíduos sólidos, o profissional da Química é um grande aliado
Enquanto o reuso dá uma nova destinação a um produto, conservando sua estrutura, como no caso dos móveis feitos com garrafas PET, reciclar é retornar ao ciclo, é um processo que parte de alterações físico-químicas de um item. Dados da ONG Oceana apontam que, no Brasil, são produzidas 7 milhões de toneladas de produtos plásticos anualmente. Em contrapartida, apenas 1,3% desse material é reciclado, de acordo com a organização Center for Climate Integrity. A quantia, apesar de parecer pequena, representa 91.000 toneladas.
Para movimentar toda essa cadeia de sustentabilidade, é preciso contar com o trabalho de operadores, especialistas em legislação, técnicos de segurança, gestores e profissionais da Química. Izabela de Oliveira é uma dessas especialistas. Engenheira química por formação, hoje trabalha como analista de qualidade de uma empresa de gestão de resíduos sólidos em Curitiba (PR).
“A minha formação me ajuda a entender o material, porque às vezes ele entra no processo, a gente vai abrir na extrusora e não abre o filme. Qual que é o problema? Ah, é a temperatura que está errada? Tem alguma contaminação de algum outro polímero que vai interferir? Então, essa é uma parte em que o conhecimento técnico contribuiu muito.”
Como explica o conselheiro federal Rubem Novais, na indústria de reciclagem existem diversos processos necessários para que haja uma reciclagem efetiva. São várias as dificuldades que podem ocorrer nessa cadeia. Uma delas é relativa aos produtos com várias camadas.
“Essas camadas podem ser de vários polímeros, como plásticos, polietileno, poliestireno. Nos recipientes de leite, por exemplo, às vezes só vemos as caixinhas de papelão, só que aquela embalagem, em geral, é composta por uma camada de plástico, outra de papelão, pode ser que tenha mais uma de plástico ou outra de alumínio, dependendo da fabricante dessa embalagem. E isso realmente traz uma dificuldade para fazer a separação desses produtos e, consequentemente, há uma destinação diferente do que poderia ser, como no caso da reciclagem”, detalha Novais.
Na impossibilidade de seguir para o caminho da reciclagem, esses materiais são encaminhados para alternativas, como o uso pelas indústrias cimenteiras. Esses locais usam esses subprodutos, já triturados, para incorporar ao cimento que será produzido, de modo que há um aproveitamento do material.
No estado do Paraná, é possível acompanhar o crescimento no engajamento dos profissionais da Química no segmento de resíduos sólidos e sustentabilidade. Esses especialistas têm atuado tanto na gestão desses resíduos, bem como em seus processos, sejam eles de resíduos industriais, de laboratório e de saúde.
“Nós, como Conselho, também realizamos essa atividade, por meio das fiscalizações. Isso para verificar se os profissionais que estão atuando nessa área possuem registro junto ao Conselho Regional de Química (CRQ) e orientar aqueles que atuam como responsáveis técnicos, para que possam realizar suas atividades com toda a responsabilidade e ética profissional”, afirma a gerente de fiscalização e administrativo do CRQ-IX (PR), Lilian Contarti.
Como funciona a reciclagem do plástico
As aparas plásticas que chegam às empresas que trabalham com o processo de reciclagem de plástico são colocadas em um maquinário chamado de extrusor, onde são derretidas em um cilindro aquecido. Durante esse processo, ocorre a degasagem, etapa em que há a retirada de gases e umidade do material, evitando defeitos na produção dos filmes plásticos.
Em seguida, o plástico derretido passa por filtros de micragem muito fina, que retêm impurezas e contaminações, como se fosse uma peneira. Ao ser pressionado contra esses filtros, o material sai em formato semelhante a um “macarrão”, que é cortado em pequenos grãos.
Ao serem novamente derretidos, esses grânulos permitem a produção de filmes plásticos, etapa anterior à fabricação de itens como sacolas. O processo pode ser comparado à produção de um tecido antes de ele se transformar em uma roupa. Esses granulados, resultado da reciclagem do plástico, servem como matéria-prima para novos produtos, como bandejas, lixeiras e até cobertores.
9ª Congresso Sul-Americano de Resíduos Sólidos e Sustentabilidade
Entre os dias 5 e 7 de maio, o Conselho Federal de Química participou ativamente do 9ª Congresso Sul-Americano de Resíduos Sólidos e Sustentabilidade (ConReSol). Seja durante palestras, mesas-redondas ou em visitas técnicas e atendimentos realizados no estande, a entidade levou à Curitiba (PR) informações qualificadas sobre economia circular, química verde e reciclagem. Sempre destacando a importância do profissional da Química dentro do processo de gerenciamento de resíduos sólidos e sustentabilidade.