Reconhecimento internacional: conselheiro do CRQ-MA tem dois trabalhos aprovados em conferência da IUPAC

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O incentivo ao uso da inteligência artificial na Química e a criação de comitê dedicado à temática reforçam protagonismo do CFQ na agenda de inovação

O conselheiro regional do CRQ 11ª Região (MA), Rogério Mesquita Teles teve dois trabalhos aprovados para a 28ª Conferência Internacional sobre Educação em Química (ICCE 2026), um dos eventos mais relevantes da área no cenário global. Com foco na Educação em Química na era da Inteligência Artificial (IA), a conferência será realizada em julho deste ano em Istambul e reunirá especialistas de diversos países para debater os rumos da formação científica diante das transformações tecnológicas.

O presidente do CFQ, José Ribamar de Oliveira Filho, comemorou o feito e afirmou que, “a aprovação dos estudos reforça o protagonismo brasileiro no debate internacional sobre inovação e evidencia o alinhamento do Conselho Federal de Química (CFQ) às tendências que impactam a profissão”.

O primeiro artigo selecionado, “Artificial Intelligence in the Education of Chemists in Brazil: is curricular integration necessary?”, dialoga diretamente com as ações estratégicas do Conselho que, desde 2018, já apontava a importância da inovação e da IA para o futuro da Química. O estudo de Teles destaca a atuação do Comitê de Inteligência Artificial e Inovação (CIAI) e evidencia iniciativas como a discussão sobre a inclusão de conteúdos de IA na formação acadêmica, ampliando a preparação dos profissionais para as novas demandas do mercado.

“O CFQ tem uma atuação importante ao estar atento a temas tão estruturantes e atuais. Essa é uma grande contribuição para o avanço da Química no Brasil e também no cenário internacional”, afirmou Teles.

O segundo trabalho, “Chemistry Education and Artificial Intelligence: Evaluating the Effectiveness of ChatGPT in Learning Organic Chemistry”, aborda a aplicação prática da inteligência artificial no ensino da Química, explorando como a tecnologia pode ser utilizada por professores e estudantes para potencializar o processo de ensino-aprendizagem. A proposta reforça a IA como uma ferramenta cada vez mais presente e necessária no ambiente educacional.

De acordo com Teles, os estudos refletem um movimento já consolidado no campo científico. “A inteligência artificial é uma realidade, não dá para negar. Ela está em todos os setores, não só na Química, mas especialmente dentro dela, seja na indústria, na educação ou na governança”, destacou.

A aprovação dos trabalhos, nesse cenário, não apenas reconhece a qualidade da produção científica brasileira, como sinaliza o fortalecimento de uma agenda estratégica que conecta educação, tecnologia e desenvolvimento. “Iniciativas como essa tendem a estimular outras áreas do Sistema a aprofundarem o debate sobre inovação, gerando impactos positivos em toda a cadeia da Química”.

Para o coordenador do CIAI, o conselheiro federal de Química Sérgio Machado, a conquista tem um significado institucional relevante. “Ter um membro do CIAI apresentando um trabalho na ICCE 2026 é extremamente importante não apenas para o comitê, mas para todo o CFQ. Esse feito demonstra que os conselheiros são profissionais atuantes, respeitados dentro e fora do país, e possuem alta formação acadêmica e profissional. É uma conquista que nos enche de orgulho e evidencia para a sociedade que o papel a ser desempenhado pelo Sistema CFQ/CRQs está em excelentes mãos.”

Comitê de Inteligência Artificial e Inovação

A conquista ocorre em um momento simbólico para o país, após a retomada da participação brasileira na IUPAC, ampliando a visibilidade internacional das ações desenvolvidas pelo Sistema CFQ/CRQs. A possibilidade de apresentação dos trabalhos no congresso e eventual publicação em periódico científico fortalece ainda mais esse posicionamento.

Nesse contexto, Machado destacou o papel estratégico do CIAI. Segundo ele, desde sua criação, o comitê tem atuado para inserir a inteligência artificial de forma estruturada no campo da Química. “Quando o professor José de Ribamar instituiu o CIAI, demonstrou que a atual diretoria está alinhada ao estado da arte das transformações que ocorrem no cenário mundial. A inteligência artificial é uma ferramenta que precisa ser dominada e incorporada às ações dos profissionais da Química”, explicou.

Em menos de um ano de atuação, o comitê já elaborou o documento norteador “Diretrizes para Inovação e Inteligência Artificial no Sistema CFQ/CRQs”, que organiza ações em quatro eixos estratégicos: sociedade, processos internos, governança e gestão, e aprendizado e crescimento. Além disso, o comitê promoveu iniciativas como webinários sobre IA e Indústria 4.0 e seminários temáticos, em parceria com outros comitês do Sistema.

Entre as frentes mais recentes, está a aplicação de inteligência artificial na avaliação das Resoluções CFQ nº 342 e 343, reforçando o uso da tecnologia na modernização de processos internos. Para os próximos anos, o planejamento do comitê inclui a ampliação de programas de formação continuada em temas como IA aplicada à Química, aprendizado de máquina, química computacional e automação de processos.

“Também estão previsões de ações voltadas à inclusão desses conteúdos nos currículos de graduação e pós-graduação, ao uso da IA ​​na governança do Sistema CFQ/CRQs, à criação de um observatório de dados e ao fomento à inovação no setor”, concluiu Sérgio Machado.

Imagem: Freepik