Painel debate protagonismo feminino na ciência e no empreendedorismo químico

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Evento do CFQ reuniu especialistas para discutir desafios, inovação e oportunidades para mulheres na Química e sua atuação no mercado e na sociedade. 

Meninas e Mulheres na Ciência e no Empreededorismo Químico foi tema do painel virtual promovido pelo Conselho Federal de Química (CFQ), realizado no dia 13 de março, como parte da programação da Semana da Mulher. O evento reuniu especialistas para discutir trajetórias, desafios e oportunidades em um campo cada vez mais estratégico para o desenvolvimento científico e econômico do país.  

O encontro foi mediado pelo Conselheiro Ubiracir Lima e contou com a participação das pesquisadoras Ana Cristi Basile Dias, Fernanda Vasconcelos e Francielen Kuball Silva. 

Na abertura, o mediador destacou o compromisso institucional com a agenda da diversidade, equidade e inclusão, ressaltando o papel do CFQ em fomentar debates que inspirem novas gerações. “Vamos conversar sobre trajetórias, desafios e o campo que transforma conhecimento científico em inovação e impacto social”, afirmou. 

Da academia ao mercado 

A professora Ana Cristi Basile Dias trouxe uma reflexão sobre a evolução do papel do empreendedorismo na formação em Química. Segundo ela, durante muitos anos, a trajetória acadêmica esteve centrada exclusivamente na obtenção de diplomas e na publicação de artigos científicos, sem estímulo à aplicação prática do conhecimento. 

“Hoje, o papel do empreendedorismo na química é transformar o conhecimento científico em soluções de mercado, em inovações sustentáveis e novas tecnologias”, destacou. Para a pesquisadora, ainda é necessário incentivar estudantes a enxergarem o potencial comercial de suas pesquisas desde a graduação. Ela também chamou atenção para os desafios enfrentados por mulheres no setor: “No empreendedorismo, o espaço ainda é majoritariamente masculino e temos que provar constantemente nossa credibilidade técnica”. 

Inovação, interdisciplinaridade e novos mercados 

A professora Fernanda Vasconcelos abordou o crescimento de novas frentes de atuação na Química, com destaque para o mercado de Cannabis medicinal. Ela relembrou que, há poucos anos, o tema era cercado de tabus, mas hoje se consolida como uma área promissora de inovação. 

“Para empreender, não basta o conhecimento técnico. Você precisa de apoio jurídico, de um CNPJ, de contadores e advogados que estabeleçam regras claras”, explicou. Fernanda também destacou a importância de fortalecer a produção nacional: “O Brasil tem o ambiente ideal para plantar, mas ainda importamos. Precisamos gerar esse ouro, esses empregos e essa renda aqui dentro do país”. 

A pesquisadora ressaltou ainda a necessidade de romper barreiras entre áreas do conhecimento. “O empreendedorismo exige que saiamos da nossa zona de conforto e interajamos com outras áreas”, afirmou, ao relatar sua transição da química ambiental para o estudo de substâncias com potencial terapêutico. 

Ciência, extensão e inspiração  

A professora Francielen Kuball Silva enfatizou o papel da educação e da extensão universitária na promoção da inclusão e no estímulo ao interesse de meninas pela ciência. Ela destacou iniciativas como a Olimpíada de Química em Santa Catarina, que aproximam estudantes do ambiente científico e do setor produtivo. 

“A ciência não é exclusivamente masculina e estamos aqui para relembrar as mulheres que foram invisibilizadas”, afirmou. Segundo Francielen, experiências práticas são fundamentais para despertar vocações: “Muitas estudantes relataram que foi a primeira vez que entraram em um laboratório. Quando uma menina se reconhece na ciência, a ciência avança porque se torna mais diversa”. 

Sustentabilidade e reaproveitamento de resíduos 

Outro ponto de destaque no painel foi o debate sobre sustentabilidade e o aproveitamento de resíduos gerados em processos químicos. Fernanda explicou que, no caso da extração de canabinoides, já há iniciativas para reaproveitamento integral da planta. “O resíduo é guardado para virar fibra vegetal. O objetivo é a utilização total”, disse. 

Ana também compartilhou experiências nessa linha, destacando projetos voltados ao reaproveitamento de biomassa residual. “Estamos iniciando trabalhos para reutilizar talos, folhas e raízes que sobram após a fabricação de óleos terapêuticos. Queremos transformar esse material em inovação e oportunidades para startups”, afirmou. 

Ao longo do encontro, ficou evidente que o fortalecimento da presença feminina na ciência e no empreendedorismo químico passa não apenas pelo reconhecimento de trajetórias, mas também pela criação de condições estruturais que incentivem a inovação, a interdisciplinaridade e a equidade.  

 O painel reforçou a importância de conectar universidade, mercado e sociedade para que o conhecimento científico gere impacto real e contribua para um futuro mais sustentável e inclusivo.