COP30: a Química no centro da Transição Energética

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Painel destaca a Química como eixo estratégico da inovação, da regulação e da qualificação profissional na transição energética

A transição energética, vista como uma das maiores oportunidades estratégicas do Brasil, ganhou destaque na COP30 durante o painel “A Química no Centro da Transição Energética: Regulação, Inovação e Qualificação Profissional”. Promovido pelo Sistema CFQ/CRQs, o encontro reafirmou que a Química, e os profissionais que a tornam possível, ocupa uma posição indispensável no avanço do hidrogênio verde, da bioeconomia e de novas matrizes produtivas limpas.

A discussão foi moderada por Luciano Souza, presidente do CRQ-12, que conduziu um debate preciso e direto sobre o papel da ciência e da regulação em um momento decisivo para o país. Como palestrantes, participaram Lucia Raquel de Lima, presidente do CRQ da 19ª Região, e Emily Tossi, presidente do CRQ XV, trazendo perspectivas complementares sobre tecnologia, qualificação e responsabilidade técnica.

O Brasil já é protagonista na área. Com cerca de 80% da matriz elétrica renovável, o país ocupa posição de referência global, no entanto precisa garantir que essa vantagem se transforme em liderança consolidada. Para Emily Tossi, “o país é pioneiro e exemplo para o mundo em transição energética”, especialmente diante do avanço de tecnologias como o hidrogênio verde.

A Química aparece como eixo estruturante dessa evolução. Lucia Raquel de Lima reforçou que “a ciência e a Química movem a transição energética do Brasil”, destacando que cada etapa — da pesquisa em novos materiais à segurança dos processos industriais — depende de conhecimento técnico qualificado. Sem profissionais preparados, não há hidrogênio verde confiável, não há cadeia produtiva eficiente, não há inovação escalável.

Essa necessidade de qualificação conectou-se ao tema regulatório, considerado essencial para dar segurança ao mercado. A aprovação do novo Marco Legal do Hidrogênio (Lei nº 14.948/2024) foi citada como ponto de virada, já que estabelece bases jurídicas para atrair investimentos e orientar padrões de qualidade. Lucia Raquel de Lima destacou o papel do Sistema CFQ/CRQs em garantir “responsabilidade técnica, rastreabilidade e inovação regulada”, alinhada às normas internacionais, incluindo a ISO 14687, que define a qualidade do hidrogênio verde, e a ISO 14067, que mede pegada de carbono.

A expansão de laboratórios, a valorização da Responsabilidade Técnica e a formação contínua dos profissionais foram apontadas como prioridades urgentes para que o país mantenha competitividade. É um movimento que exige articulação entre ciência, política industrial e educação técnica, um tripé sem o qual a transição energética se fragiliza.

Ainda, Sandra Maria Souza trouxe a dimensão humana do processo. Para ela, a transição já está em curso e depende de cada profissional da química que atua no país. “A transição energética está acontecendo agora. Nós estamos fazendo essa transformação”, afirmou, encerrando com um chamado direto: “Nós queremos um mundo melhor. E quem vai fazer esse mundo? Nós.”

 

Confira a transmissão deste painel no nosso canal do YouTube: https://youtube.com/live/4LXOimlZq9Y?feature=share

Você também pode conferir as fotos de nossa participação na COP30 em nosso Flickr, acesse:

Semana 1 (10 a 15 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330276634
Semana 2 (17 a 21 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330391725/
CFQ na BlueZone: https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330309365/