COP30: A biologia como força motriz da ação climática e da proteção da biodiversidade

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Parceria entre o Sistema CFQ/CRQs e o CFBio reforça o papel integrado da química e da biologia no enfrentamento da crise climática e na proteção da biodiversidade

A urgência climática e a perda acelerada de biodiversidade colocaram a biologia no centro das discussões da COP30. No painel “Conectar para Conservar: a Biologia em Ação Climática pela Biodiversidade e pelo Futuro”, realizado em parceria entre o Sistema CFQ/CRQs e o Conselho Federal de Biologia (CFBio), especialistas reforçaram que enfrentar esse cenário exige ciência aplicada, comunicação estratégica e a capacidade de despertar uma conexão emocional real entre pessoas e natureza, uma condição essencial para transformar consciência em ação.

O debate foi moderado pelo biólogo Gustavo de Carvalho Figueirôa, especialista em Gestão e Conservação da Vida Selvagem. Ele conduziu uma conversa plural com profissionais que representam diferentes frentes da biologia: Jéssica Freitas Souza, conselheira do CFBio e atuante na formulação de políticas; Heideger Lima do Nascimento, especialista em Ecologia e Evolução; Maurício Lamano Ferreira, biólogo do CRBio-01 e referência em arborização urbana; Hugo Fernandes Ferreira, biólogo e professor da Universidade Estadual do Ceará, dedicado à comunicação científica; e Alessandro Zabotto, diretor da Zabotto Ambiental, trazendo a visão prática do setor produtivo.

Desde o início, a comunicação apareceu como ponto crítico e decisivo. Para o professor universitário Hugo Fernandes, ciência sem comunicação simplesmente não existe. Segundo ele, apenas informar problemas não mobiliza; é preciso comunicar soluções de forma acessível, inspiradora e estratégica. 

Ele destacou que grande parte da discussão climática perdeu espaço para narrativas alarmistas e simplificadas, enquanto a ciência permanece distante do cotidiano. “Não estamos conseguindo explicar, de fato, as soluções”, relatou. Desse modo, comunicar bem é tão importante quanto produzir conhecimento. A comunicação precisa despertar curiosidade, traduzir dados complexos e aproximar a sociedade de temas que definem o futuro do planeta.

Políticas públicas e a geografia da injustiça ambiental

O painel aprofundou a relação entre biologia, planejamento urbano e justiça ambiental. Maurício Lamano Ferreira apresentou evidências sobre a distribuição desigual de áreas verdes nas cidades brasileiras, ressaltando como essa ausência amplia ilhas de calor, eleva riscos à saúde e aprofunda desigualdades sociais. “Pensar em verde urbano é pensar muito além do aspecto cênico”, afirmou. 

O debate ainda destacou o Plano Nacional de Arborização Urbana (PLANAU) e sua Regra 3-30-300 — ver três árvores de casa, viver em bairro com 30% de cobertura arbórea e estar a 300 metros de um parque — como diretrizes capazes de orientar cidades mais resilientes e ambientalmente equilibradas.

O moderador Gustavo Figueirôa sintetizou o sentimento central do painel ao afirmar que “a gente só conserva o que conhece. E, para conhecerem, temos que comunicar”. Ele destacou a importância dos serviços ecossistêmicos — como a polinização, avaliada em trilhões de dólares — e reforçou que parte dos tomadores de decisão ainda não compreende plenamente o custo econômico e social de não conservar.

A fala foi aprofundada pela especialista em Ecologia e Evolução, Heideger Lima, que reforçou a urgência de aproximar as pessoas da natureza. Para ele, experiências reais em áreas naturais ou em iniciativas de ecoturismo comunitário despertam o pertencimento necessário para transformar conhecimento em engajamento. Sem esse vínculo emocional, a conservação se torna um discurso distante.

O painel mostrou que a biologia é decisiva para transformar a crise climática em políticas públicas, mudanças estruturais e mobilização social. Mas ciência sozinha não basta. Quando aliada à comunicação clara e à capacidade de gerar conexão afetiva com a natureza, ela se torna um motor de transformação coletiva. 

Assim, a combinação entre ciência, narrativa e paixão tem o poder de definir a força da biologia como protagonista da conservação e da construção de um futuro climático mais justo, seguro e sustentável.

 

Confira a transmissão deste painel no nosso canal do YouTube: https://youtube.com/live/T0RVBx5nMpE?feature=share

Você também pode conferir as fotos de nossa participação na COP30 em nosso Flickr, acesse:

Semana 1 (10 a 15 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330276634
Semana 2 (17 a 21 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330391725/
CFQ na BlueZone: https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330309365/