Mesa-Redonda e palestras encerram a VI Edição do CIPOA, em Florianópolis (SC)

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Dois temas que têm gerado grande debate no país marcaram as últimas discussões da VI edição da Conferência Ibero-Americana de Tecnologias Avançadas em Oxidação (CIPOA): os desafios e oportunidades da interação entre universidade e indústria, e o papel da ozonização na proteção ambiental e na saúde humana.

A relação entre academia e indústria foi abordada em uma mesa-redonda na quinta-feira (10), penúltimo dia do evento. Mediado pelo professor de Engenharia Química da Universidade Rey Juan Carlos (URJC), Javier Marugán, o painel contou com a participação do engenheiro químico da Petrobras, Sílvio Weschenfelder; do engenheiro civil e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Daniel Véras; do engenheiro Achim Ried; e do vice-diretor do Departamento de Ciências Agrícolas e Alimentares da École d’Ingénieurs de Purpan (França), Frédéric Violleau.

O engenheiro químico Sílvio Weschenfelder destacou os desafios e a necessidade de uma mudança de mentalidade em relação à colaboração entre universidade e indústria.

“Existe um paradigma que separa esses dois mundos. Na minha opinião, devemos começar com políticas governamentais voltadas para a indústria e, a partir daí, integrar a indústria nesse ecossistema. Além disso, as universidades podem contribuir para a inovação no setor, criando uma colaboração ideal. Com a indústria impulsionando a academia e a universidade colaborando para uma sociedade melhor, podemos desenvolver um país mais forte”, afirmou.

A mesa-redonda também explorou a necessidade urgente de inovação, colaboração e regulamentação para que a indústria possa enfrentar os desafios da sustentabilidade. O professor da UFBA, Daniel Véras, destacou a importância de transferir tecnologia do ambiente acadêmico para o mercado.

“Precisamos desenvolver pesquisas que interessem às empresas. Isso envolve criar atividades de extensão em colaboração com as indústrias, que podem ser parte de projetos oficiais. É necessário criar um ambiente favorável para essas atividades, redigir relatórios técnicos e nos preparar para o futuro”, ressaltou.

O engenheiro-chefe de desinfecção e oxidação, Achim Ried, enfatizou que estabelecer relações de longo prazo com empresas é um desafio, mas essencial para o sucesso de projetos colaborativos. Ele também destacou que a pesquisa deve ser conduzida em conjunto com a indústria desde o início, envolvendo diversos parceiros para enfrentar questões de escala e regulação de forma eficaz.

Potencial do Ozônio
Na sexta-feira (11), último dia da conferência, a palestra do professor e presidente da Associação Brasileira de Processos Oxidativos Avançados (ABPOA), Renato Falcão Dantas, foi o destaque. Com o tema “O Papel da Ozonização na Proteção Ambiental e na Saúde Humana”, Dantas abordou o potencial econômico do ozônio, afirmando que “a falta de tratamentos com ozônio para purificação e desinfecção da água, assim como na agricultura — onde o ozônio pode ser utilizado para melhorar a qualidade da água e promover o crescimento das plantas — na América Latina, é uma oportunidade”.

Ele também lembrou a necessidade de combinar o ozônio com outras técnicas para obter resultados eficazes na proteção da saúde humana e no tratamento da água, além de destacar a importância de educar jovens cientistas.

“Precisamos atrair pessoas. Portanto, educar e buscar um ambiente político mais favorável, com novos incentivos e produtos, é fundamental. A dinâmica na América Latina é desafiadora, e precisamos ser parte da solução, não apenas apontar problemas. É necessário convidar os governos a ouvir fóruns como este, discutir e mostrar que isso é uma questão urgente”, acrescentou.

O dia também foi marcado pela apresentação do conselheiro federal do Conselho Federal de Química (CFQ), Jonas Comin, que falou sobre o papel dos profissionais da Química nas tecnologias avançadas de oxidação. Comin destacou a importância desses profissionais na promoção da sustentabilidade e da inovação, além de explicar a estrutura do Sistema CFQ/CRQs.

VI CIPOA
Realizada a cada dois anos, a Conferência Ibero-Americana de Tecnologias Avançadas de Oxidação se consolidou como um espaço essencial para a troca de ideias e a apresentação de pesquisas. As áreas abordadas incluem proteção ambiental, engenharia química e de alimentos, além dos setores de energia e clima, com o objetivo de contribuir para uma economia circular sustentável e neutra em carbono, visando mitigar problemas ambientais. A próxima edição do CIPOA será realizada no Equador em 2026.