Presidente do CRQ de Pernambuco palestra sobre o Sistema CFQ/CRQs no ENQA e fala a profissionais sobre registros e atribuições
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Tendo como palestrante a presidente do Conselho Regional de Química da 1ª Região (CRQ I – Pernambuco), Ana Paula Paim, o Sistema CFQ/CRQs marcou presença no terceiro dia do 21º Encontro Nacional de Química Analítica (ENQA) e do 9º Congresso Ibero Americano de Química Analítica (CIAQA), que estão ocorrendo entre 15 e 18 de setembro de 2024, em Belém do Pará.
A presidente do Regional pernambucano integrou a sessão intitulada “A importância das disciplinas de Química Analítica para profissionais da área de Química”, que teve como coordenadora Márcia Andreia Mesquita Silva da Veiga, da Universidade de São Paulo (USP). Além dela, participaram da apresentação os professores e pesquisadores Orlando Fatibello-Filho, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Eduardo Mathias Richter, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Ana Paula abriu os debates falando sobre as bases jurídicas que fundamentam a profissão de químico, além de dar um panorama sobre a organização dos Sistema CFQ/CRQs, sua missão e atividades prioritárias.
“É a atuação do Sistema CFQ/CRQs, ela assegura que os profissionais da Química sejam qualificados e exerçam suas funções com competência técnica, responsabilidade e ética. Um compromisso para valorizarmos a nossa profissão, para a gente chegar lá e não ter outro profissional no nosso lugar, ou quem quer que seja. Se é uma atribuição do químico, tem que estar o químico lá”, afirmou a presidente do CRQ I.
Ela esclareceu ainda um dos pontos que mais suscitam dúvidas entre os profissionais: as atribuições, as possibilidades de atuação oferecidas por cada formação.
“Os requisitos para a obtenção do registro de Químico, além de você ter o diploma, prevêem também que tem de ter uma carga horária mínima em determinadas áreas. Senão você vai ter o registro, mas não vai ter algumas atribuições. Nós também vimos que temos uma carga horária mínima de 90 horas para o curso de engenharia sanitária, da área de meio ambiente e recursos naturais, e 240 horas para as disciplinas de química analítica, para o curso de Química e bacharelado. Então, as atribuições dos profissionais, elas estão em leis decretos, como a CLT e a lei 2800/56, elas que vão determinar atividades exclusivas da profissão”, afirmou.

Ana Paula considera que a mensagem principal foi passada para os profissionais, o que faz do ENQA uma oportunidade excelente para o Sistema CFQ/CRQs.
“Creio que nosso papel foi cumprido, o de levar informações para os profissionais e, ao final, cada vez mais oferecermos serviços e produtos de qualidade para a sociedade”, destacou.
Outro participante da sessão que contou com Ana Paula, Orlando Fatibello-Filho trouxe um olhar de 48 anos de ensino da Química na UFScar para o debate, ao defender o estudo da Química Analítica como fundamental.
“A Química Analítica é de vital importância na formação dos profissionais. Como professor, sempre exijo os conhecimentos básicos dos alunos porque isso vai ser importante também na caminhada acadêmica”, pontuou.
Emissões de carbono
Uma apresentação de destaque no terceiro dia de ENQA foi a palestra da professora e pesquisadora Luciana Vanni Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que expôs o tema “Como a Floresta Amazônica mudou de sumidouro para fonte de emissões de carbono”.
Ela levou à plateia dados que comprovam a ocorrência do aquecimento global e relacionam sua ocorrência com os índices de desmatamento crescentes na Amazônia. Ela correlacionou, a partir de dados, o fenômeno El Niño e o afrouxamento das leis ambientais ocorridas recentemente com o aumento da temperatura na região – o que, segundo o artigo publicado por ela em renomada publicação científica internacional, afeta diretamente o balanço de carbono da floresta de positivo para negativo.

“Nós dividimos a Amazônia em três sessões: a que fica mais a leste tem índice de desmatamento superior a 40%, e temos um segundo a oeste e um terceiro, mais a oeste ainda (fora da Amazônia brasileira). O que vinha acontecendo é que as sessões mais a oeste compensavam as emissões de carbono da área a leste. E aí a gente chega nessa região, o noroeste da Amazônia, que era 14% desmatado, agora está em 17%. E aí a gente vai ver, essa região, que era neutra, agora também não consegue mais compensar as emissões da área mais desmatada. A leste emite 0.34 bilhões de toneladas de carbono ao ano e a oeste já está emitindo 0.04 bilhões de toneladas”, concluiu a pesquisadora.