Em momento histórico para o ensino da Química no Rio de Janeiro, IFRJ lança cursos de Engenharia, bacharelado e Gestão Ambiental

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Em uma jornada histórica que remonta à década de 1940, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) prepara um grande passo em sua jornada de ensino: neste ano de 2024, pela primeira vez, o IFRJ oferecerá cursos superiores de Engenharia Química, bacharelado em Química e Gestão Ambiental.

Embora o IFRJ ofereça hoje cursos em diversas áreas do conhecimento, que vão dos cursos de Farmácia à Produção Cultural, passando por Fisioterapia e Matemática, é da Química que provêm suas origens: o IFRJ resulta de uma caminhada iniciada com o Curso Técnico de Química Industrial (CTQI), cujas atividades se iniciaram em 1945. A Química foi uma atividade vista como estratégica pelas autoridades da época, que já tinham em mente a criação das condições para que o Brasil iniciasse seu processo de industrialização e desenvolvimento.

O reitor da IFRJ, Rafael Barreto Almada, é também conselheiro federal e membro da diretoria do Conselho Federal de Química (CFQ). Ele presidiu o Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ III – Rio de Janeiro) e afirma que entender essa trajetória iniciada com o CTQI é fundamental para compreender a dimensão do feito do IFRJ ao abrir os novos cursos – muito especialmente o de Engenharia Química –, dentro do paradigma da verticalização do ensino, uma diretriz do Ministério da Educação (MEC) para os institutos federais em todo país.

“O CTQI foi a primeira grande escola que formou profissionais de Química, alinhado com a política pública de fortalecer o segmento no Brasil. Isso tem grande importância e se consolida com a nossa chegada ao curso de Engenharia Química. Porque aí a gente mostrou que um curso consolidado a 82 anos, de Técnico em Química, produziu a verticalização de ensino na própria instituição. Até hoje, nossos alunos, muitos dos que se formam, vão para outras universidades fazer Engenharia Química”, afirma Almada.

Almada, ele próprio aluno da Escola Técnica Federal de Química, uma das denominações que o conjunto dos cursos técnicos recebeu no Rio de Janeiro ao longo do tempo, relembra que centenas de alunos passaram pelos bancos escolares da instituição e que compreenderão o alcance do feito consolidado pelo IFRJ.

“É um curso que ao longo do tempo teve seus altos e baixos. Ele foi criado na Universidade do Brasil, depois ele ficou um tempo no CEFET, depois ele conseguiu sua sede própria, tudo uma luta de resistência. Tem até um livro que conta essa história, feito por alguns professores. Essa instituição é muito representativa pro Rio de Janeiro. Quem é do Rio, todo mundo conhece a Escola Técnica Federal de Química”, concluiu Almada.

O entusiasmo com o novo passo e a evolução do ensino de Química no Rio de Janeiro de Rafael Almada é compartilhado por outros profissionais que trilharam o mesmo caminho na cidade.

Luiz Edmundo Vargas de Aguiar, primeiro reitor da IFRJ e ex-diretor-geral do Centro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis e ex-coordenador do Curso de Química, avalia que a ousadia do reitor e da instituição serão recompensadas ao lançar o curso de Engenharia Química.

“A expansão, a diversificação dos cursos oferecidos pela IFRJ estão consagrados na instituição, fazem parte da sua trajetória. E está em consonância com as diretrizes do governo, com a nova política industrial. O Rio de Janeiro já foi um pólo de indústria química muito importante, o que infelizmente foi sucateado no passado recente, mas que está recebendo um olhar mais atento agora”, afirmou.

Ele disse ainda que o IFRJ reúne perfeitas condições de oferecer um curso de excelência.

“Hoje no Rio de Janeiro temos poucas instituições que formam engenheiros químicos. São profissionais de qualidade e que alcançam salários, remunerações importantes na sociedade. Entendo que o IFRJ possui um complexo de laboratórios aptos a absorver as demandas do curso, sem contar um grande número de professores, mestres e doutores, bem como uma grande tradição em pesquisa na área”, concluiu o ex-reitor.

O sucesso, a considerar a expectativa entre os estudantes, está garantido. De acordo com Almada, os novos cursos tiveram ótima procura. No caso da Engenharia Química, serão disponibilizadas 30 vagas – com 415 candidatos inscritos. O ingresso é feito a partir da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o curso de Engenharia Química será disponibilizado no campus da capital, enquanto o de Gestão será realizado em Arraial do Cabo e o de bacharelado em Química no campus de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.