Compliance e papel da ouvidoria são tema de evento do CFQ para membros do conselho e colaboradores
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O Conselho Federal de Química (CFQ) promoveu em 26 de agosto um evento para o público interno intitulado “A conduta nas relações interpessoais de trabalho”. A condução dos trabalhos ficou por conta do ouvidor do CFQ, Weverton Borges, e a abertura, a cargo do presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho.
“Consideramos importante que as relações interpessoais no ambiente de trabalho sejam mediadas, não no sentido de coibi-las, mas de protegê-las. Vamos nos comprometer por um ambiente sadio e responsável mas que, ao mesmo tempo, ofereça àqueles e àquelas que se sentirem atingidos um espaço adequado para que verbalizem suas queixas e expressem suas angústias”, afirmou o presidente.
A palestra contou com a participação de três convidados: Danielle Ventura, que apresentou como tema a palestra “A implantação da política de compliance e o papel da Ouvidoria, em especial, no combate às más condutas”.
Danielle já atuou como gestora nas áreas de comunicação institucional e Ouvidoria em instituições públicas e privadas e trouxe sua experiência a colaboradores e membros do CFQ que participaram do evento.
Ela defende que a observância das regras de compliance é um benefício não apenas às pessoas, mas também ao conjunto da instituição.
“Um compliance bem feito é uma blindagem da instituição. As pessoas envolvidas têm mais facilidade em identificar como devem fazer as coisas, de forma íntegra, cumprindo com as expectativas das organizações”, comentou.
Em seguida, foi a vez de Ademar Aparecido da Costa Filho que, além de mestre e doutorando em Teoria do Direito, é coautor do livro Compliance Público. A sua palestra tratou da “conduta pautada na probidade administrativa e os Conceitos de assédio moral e assédio sexual e suas consequências jurídicas”. Ele avalia que, primeiramente, é importante que cada um tenha plena consciência de seus atos. O limite de uma brincadeira, por exemplo, é dado muitas vezes por quem ouve.
“É preciso cuidar nas brincadeiras com o outro. Não se sabe o que aquilo que é feito vai desencadear na outra pessoa. Se houver convicção da ofensa, o passo seguinte é buscar a ouvidoria e fundamentar o processo, buscar testemunhas”, assinalou.
A derradeira palestra coube à delegada de polícia Karen Tatiane LangKammer, com o tema “Conduta e postura diante de um caso de assédio”. Ela trouxe um pouco de sua experiência nesse tipo de caso no atendimento ao público em Ceilândia.
“A primeira coisa que uma vítima de assédio sexual precisa fazer é procurar a empresa, os canais de que ela dispõe. Depois, junto a colegas de trabalho, ela pode tentar reunir as provas de que aquilo aconteceu. Já o andamento criminal cabe à delegacia de polícia. Importante registrar o boletim de ocorrência”, afirmou.
A delegada disse ainda que o machismo existente na sociedade brasileira muitas vezes impede que os homens, em especial, percebam que estão cometendo o assédio:
“O agressor muitas vezes não entende que está cometendo assédio sexual. E o assédio atinge não só a dignidade da pessoa humana, como também o valor social do trabalho”.
Esse evento integra um ciclo de ações promovido pela Ouvidoria no sentido de conscientizar o público interno sobre as condutas no ambiente de trabalho e seus impactos.
“O colaborador é a peça-chave para o funcionamento da entidade e protegê-lo e estabelecer e difundir mecanismos de combate às más condutas é medida que se impõe frente ao ingresso de novos colaboradores e à dinamicidade das relações interpessoais”, afirmou o ouvidor do CFQ, Weverton Borges.