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Cartilha explica como são aplicados testes para detectar Covid-19

Material foi produzido com a intenção de tornar a linguagem científica mais acessível e fornecer informação de qualidade para os cidadãos

O Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um material didático e ilustrativo que aborda, de forma bem-humorada, a importância dos testes para diagnóstico da Covid-19. A cartilha explica como são aplicados e o que é preciso para sua preparação, além dos desafios enfrentados para que eles sejam adquiridos.

Composto por 12 figuras produzidas com recursos gráficos, o conteúdo trata, entre outros assuntos, sobre o teste PCR, um dos mais utilizados para detectar o novo coronavírus junto com os testes rápidos, que ganharam espaço no nosso cotidiano e também foram destacados no trabalho. O material completo está disponível em formato de vídeo no canal do IQSC no Youtube. Clique aqui para assistir.

O diretor do IQSC, Emanuel Carrilho, conta que a ideia de produzir o material parte da necessidade de levar informação correta para a população – mesmo que ela não seja membro da academia. “Como uma das missões da universidade é a disseminação da informação, resolvemos explicar todas as etapas de um teste, desde o desenvolvimento até a comercialização em larga escala”.

O professor detalha que o processo que detecta o coronavírus tem tudo a ver com a Química. “Apesar de ser um teste de biologia molecular, tudo é feito por meio de Química. Todo o processo de detecção se trata de uma reação química que ocorre dentro da célula. E a Química está em tudo, até no ar que respiramos”, reforça.

Como funciona o teste

Carrilho explica que um dos testes mais eficientes para detectar a Covid-19 é feito a partir de amostra de sangue. Ele é chamado de PCR, sigla que significa reação em cadeia da polimerase, que nada mais é do que uma reação que usa a polimerase, uma enzima que está dentro das células. Toda vez que uma célula se divide, o material genético é duplicado. Neste processo de duplicação, uma das enzimas-chave é a polimerase.

Quando se tem um sistema adequado de DNA e os reagentes necessários para sintetizar um polímero novo do DNA, a enzima começa a polimerizar cópias e mais cópias. Isso cria um mecanismo onde uma molécula de DNA é amplificada em milhões de vezes. Com instrumentos, é possível detectar quantas cópias do vírus está ali dentro. Então, é um mecanismo com o qual se faz seletivamente a reação, especificamente para um dado alvo.

“Sabe-se que o DNA tem este poder de formar um código único pelas sequências específicas de DNA. Assim, é possível ter uma assinatura única que só pode ser de um determinado vírus. E quando temos o reagente que faz o reconhecimento desta sequência específica do vírus, chamado de “primer” ou iniciador, ocorre a reação. Daí sai o diagnóstico. Se der positivo, é porque a pessoa tem o vírus”.