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Webinar do CRQ III debate a gestão de Águas Industriais e a conservação de sistemas na pandemia

O Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ III) realizou na semana que passou um webinar para tratar do tema “Gestão de Águas Industriais – Águas de Arrefecimento”.

Promovido pela Câmara Técnica de Meio Ambiente do CRQ III, o evento teve como entrevistado Charles Domingues, que é químico e graduado em Gestão Ambiental, especialista em Engenharia Ambiental, Química Ambiental e Saneamento Ambiental, além de perito e auditor ambiental. Domingues integra ainda a própria Câmara Técnica de Meio Ambiente do CRQ III e é fundador e presidente do Departamento Nacional de Tratamento de Águas – DNTA (Abrava).

O webinar discutiu vários temas relacionados à utilização da água pela indústria, mas o ponto alto do encontro virtual foi a exposição de Domingues sobre o que envolve a paralisação não planejada das atividades industriais (como nos casos de parada por conta do novo coronavírus) e os riscos de danos às estruturas quando da retomada dos trabalhos.

Domingues chamou a atenção para a sensibilidade dos sistemas, em especial os de arrefecimento nas linhas de produção industriais – preocupação que, de certa forma, pode ser estendida também aos sistemas de ar-condicionado de estabelecimentos como shopping centers ou quaisquer grandes espaços similares.

“Sempre fica a pergunta de como parar o processo num centro cirúrgico, como parar uma indústria, um shopping ou um cinema. Não é só parar, mas como também retomar depois. Essa conta tem de ser feita com bastante critério”, indica Domingues.

Sistemas parados por muito tempo podem sofrer efeitos da corrosão

Ele lembra que esses sistemas de arrefecimento geralmente tem contato com o ambiente. Quando ficam parados, há sempre o risco da formação de limos e algas nessa água. Além de alterar as condições de funcionamento, a matéria orgânica pode contribuir para a oxidação – e a corrosão precoce dos componentes do sistema.

“As paradas sempre foram feitas de maneira programada, como por exemplo quando se faz manutenção. Mas isso que está se fazendo agora (em função da pandemia) é algo de surpresa e que não se tem a ideia do tempo de parada. É uma coisa estipulada ou não? Nós não sabemos”, afirma.

Para Domingues, a redução dos riscos à produção faz do profissional de Química ainda mais necessário nesse momento. Desde a escolha do melhor tratamento para a água, com biocidas que não tenham atuação corrosiva, por exemplo.

“Não dá pra ficar com o sistema parado o tempo todo, as bombas têm que funcionar. Aí que o químico, o tratador de água se faz muito mais que necessário. Sem ele esse processo não existe. Pra se parar é preciso prever a retomada”, conclui.

Reuso da água depende de planejamento muito bem executado

Outro tema que atrai grande atenção na utilização de água na indústria é o reuso. Domingues alerta que um bom processo de reuso exige conhecimento técnico. É preciso identificar a utilização planejada para essa água e se a demanda por ela será compatível com o que será produzido.

“É importante saber onde eu vou usar essa água. A partir disso, identificar se eu tenho demanda pra isso. Eu tenho quantidade de efluentes em quantidade suficiente? E a segunda: qual qualidade que eu quero pra essa água. Reuso doméstico é uma coisa, quando partimos para um shopping center, por exemplo, ali se tem banheiro, praças de alimentação, precisamos ver o que há nessa água que será destinada ao reuso… E quando passo pra reuso farmacêutico, eu tenho que ter em mente o que eu pretendo fazer. Vejam como isso é complexo”, completou.

Como entrevistadores, o webinar teve Aline Mesquita, Rafael Caldeira e Roberto Amorim. A mediação coube a Marcus Valença e a abertura esteve a cargo de Harley Martins.