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Você conhece a Química por trás dos fogos de artifício?

Saiba também como é o trabalho dos profissionais da área para garantir a segurança no processo de produção dos artefatos

O espetáculo da queima de fogos no Réveillon e em uma série de outras comemorações encanta pela explosão de cores e formas. Como na maior parte das situações cotidianas, também tem Química neste processo.

A explicação científica é simples: alguns materiais podem emitir luz quando excitados e isso ocorre quando os elétrons dos átomos absorvem energia e passam para níveis externos (maior energia). Ao retornar para os níveis de origem (menor energia), eles liberam a energia absorvida na forma de um fóton de luz. Esse fenômeno chama-se luminescência.

Quem explica é o presidente do Conselho Federal de Química, José de Ribamar Oliveira Filho. Segundo ele, a luminescência é usada, entre outras aplicações, na produção dos fogos de artifício. Os foguetes, geralmente, contêm um cartucho de papel no formato de cilindro recheado de carga explosiva. Essa carga diz respeito ao propelente, o responsável por disparar os fogos. “A pólvora é um dos propelentes mais utilizados. Possui, em sua composição, uma mistura de salitre (nitrato de potássio), enxofre e carvão. Perclorato de potássio (KCLO4) também pode ser usado como propelente. Ele é extremamente sensível ao calor”, detalha.

Segundo ele, os fabricantes misturam sais de diferentes elementos à pólvora para deixar os fogos de artifício coloridos. Assim,quando detonados, os fogos produzem cores diferentes. “Se colocar o cloreto de cálcio, teremos a cor laranja. O verde surge a partir do cloreto de bário. E, assim, se trabalha a composição das cores no artefato”, explica.

Atuação do químico
Por motivos de segurança, o processo de fabricação dos fogos precisa ter um químico como responsável técnico. É o que determina uma norma de segurança e saúde na indústria e no comércio de fogos de artifício e outros artefatos pirotécnicos.

O texto especifica que o profissional da área de Química deve ser responsável pela coordenação das operações de produção, inclusive pelo desenvolvimento de novos produtos, estocagem, embalagem, rotulagem e transporte de produtos, além de projetos de equipamentos e instalações e controle de qualidade.

O presidente do CFQ explica que o papel do Químico está na parte de manuseio e na segurança. “Quando se trata de substâncias explosivas, corrosivas, combustíveis e tóxicas, a gente tem que conhecer as propriedades para manipulá-las. Sem a devida segurança, pode até haver risco de morte”.

Ele ressalta ainda que os cuidados devem começar na aquisição dos fogos, que deve ser feita em comércio certificado pelo Corpo de Bombeiros. O usuário deste tipo de artefato também precisa seguir as instruções de segurança contidas nos rótulos. Além disso, é sempre válido lembrar que o mercado já disponibiliza fogos com menor potencial de ruído, ou seja, artefatos que incomodam menos as pessoas sensíveis ao barulho e os animais.

 

 

 

 

Foto: Freepik