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Vacina por spray nasal, desenvolvida por pesquisadores brasileiros, avança para a fase de testes toxicológicos

Vacina traz diversas vantagens em relação ao método tradicional injetável

A proposta de pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) de criar um spray nasal contra a Covid-19 avançou mais uma etapa e está cada vez mais perto de se tornar realidade. Após os bons resultados dos testes com camundongos, da conclusão da etapa de escalonamento da produção e da prova de conceito, agora começará a fase dos testes toxicológicos.

Depois disso, será a vez da equipe solicitar a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para finalmente, após aprovação, dar início aos testes clínicos em humanos.

Desenvolvida desde abril de 2020, a vacina por spray traz diversas vantagens em relação ao método tradicional injetável como a atuação direta na mucosa nasal, que é uma das principais portas de entrada do novo coronavírus no organismo. Para garantir a imunização serão necessárias aplicações do spray até as conchas nasais, de forma bem simples e sem treinamento específico, de quatro doses – duas em cada narina, a cada 15 dias.

A ideia é que essa formulação inovadora, viável economicamente e realizada com tecnologia 100% brasileira, possa ser produzida de maneira rápida e em larga escala.  Por não necessitar de agulha, também resolve possíveis problemas de fornecimento de material e reduz a dependência de instituições de outros países.

No entanto, a corrida pela disponibilização da vacina esbarra em alguns desafios. Segundo o professor Koiti Araki, do Instituto de Química da USP e um dos membros da equipe de desenvolvimento do spray nasal, e o professor Marco Antonio Stephano, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e um dos coordenadores do projeto, o maior entrave é fechar parcerias que consigam arcar com os investimentos em profissionais qualificados, responsáveis por validar os métodos analíticos aplicados na fase dos estudos clínicos.

“O MCTI investiu neste projeto mais de R$ 10 milhões. Contudo, somente R$ 9,5 milhões foram aplicados em estudos não clínicos e clínicos da fase I. O restante será destinado a reagentes e material de laboratório. O que, por sinal, não será suficiente. Teremos que pedir suplementação em função do câmbio desfavorável. Para chegar à fase II e III, seria necessária ainda a suplementação de cerca de R$ 350 milhões”, aponta o professor da USP.

Outro problema enfrentado é a dificuldade de importar meios de cultura e reagentes para ELISA (teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos) e citometria de fluxo.

 

Profissionais da Química e a vacina

Em julho do ano passado, Koiti Araki explicou à reportagem que a importância do profissional da Química no desenvolvimento de uma vacina. É ele que detém o conhecimento do processo de produção e das condições que podem ser utilizadas para fazer as formulações. Tudo começa no processo de produção das moléculas, que é função desse  profissional. A partir do momento que se obtém as moléculas, as outras áreas começam a trabalhar.

Além disso, o trabalho desses profissionais permeia todo o processo de desenvolvimento da vacina. “No caso do desenvolvimento de aplicações, a participação do Químico em todas as etapas é muito importante porque é ele que vai dizer o que pode, o que não pode, quais são as condições mais favoráveis”, destacou ele naquele momento.

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Pesquisadores trabalham em vacina spray contra a Covid-19

http://cfq.org.br/noticia/pesquisadores-trabalham-em-vacina-spray-contra-a-covid-19/