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Uso de conservantes foi tema principal de live da Comissão Técnica de Cosméticos do CRQ – IV

A Comissão Técnica de Cosméticos do CRQ-IV (Conselho Regional de Química – IV Região) realizou na quinta-feira (27) a live “Conservantes para a Indústria Cosmética: Polêmicas e Tendências”, com a participação do engenheiro químico Sebastião Donizette Gonçalves, profissional com vasta experiência na área dos cosméticos, e do graduado em Química Industrial e com ampla atuação na área, Matheus Henrique Vieira, que mediou o diálogo sobre o tema.

“É possível fazer um produto cosmético sem conservante”? foi a pergunta guia da live desta noite. Para Sebastião, que coordenou a elaboração do Guia de Microbiologia para a Indústria Cosmética – ABIHPEC e o Guia ABC de Microbiologia – Associação Brasileira de Cosmetologia, fazer a preservação de produtos sem uso de conservantes é uma tendência que veio para ficar.  Segundo ele, os conservantes são os maiores responsáveis pela toxicidade dos produtos. Ao pensar no futuro, ele afirma que o caminho deve ser fazer um produto o mais inócuo possível, que não agrida o meio ambiente e nem o nosso próprio corpo.

“Quando fazem a avaliação de toxicidade de um produto, logo precisam saber qual é o conservante que foi usado. Dependendo de qual for, o grau de toxicidade do produto cai de maneira absurda. É a questão da poluição, de ser um produto mais ambientalmente aceito”, explicou Sebastião.

Ele lembra que todos os produtos de higiene pessoal, por exemplo, costumam parar na água, que sofre muito com a poluição de produtos químicos. Sebastião usou o exemplo da Europa, que já sofreu muito com a poluição e por isso hoje é bem rigorosa com isso. “As diretrizes europeias estão levando muito em consideração o grau de toxidade dos conservantes e produtos que não tenham problemas com disrupção endócrina”, lembrou.

O palestrante ainda reiterou dizendo que “não é só o meio ambiente, mas o nosso corpo também deve ser poupado das toxicidades desses produtos”.

Respondendo à pergunta de uma internauta, Sebastião explicou que os disruptores endócrinos são algumas substâncias químicas que interferem no sistema hormonal, alterando a forma natural de comunicação do nosso sistema endócrino, podendo causar sérios problemas na saúde. “Essa é a razão principal que faz o pessoal cortar o uso de conservantes tradicionais, os biocidas”. Ele conta que existe uma forte tendência em criar uma nova classificação entre produtos que tem disruptores endócrinos e os que não tem.

De acordo com Sebastião, hoje em dia já existem diversos produtos que não usam conservantes tradicionais. Ele recordou que, para fazer um sistema de preservação de um produto, não necessariamente significa usar conservantes. “Você deve usar ferramentas e formulações que não dê condições para a proliferação microbiológica”.  Segundo ele, existem antioxidantes naturais que fazem a preservação, por exemplo. “A maior parte dos produtos cosméticos são aerados, então, com antioxidantes você certamente vai evitar o desenvolvimento microbiológico”, contextualizou o profissional. Matheus completou lembrando que os consumidores estão cada vez mais exigentes, querendo produtos mais naturais e mais saudáveis.

Sebastião contou também que em seus 40 anos de trabalho na área já viu muitos produtos que contém conservantes sem necessidade, citando como exemplo tipos de álcool em gel que contem conservantes. “Um produto que tem 30% de álcool em sua composição não precisa de conservante. A função do álcool em gel é substituir a lavagem das mãos e ele mata os microrganismos pela desidratação, ele não precisa de conservante para isso”, destacou Sebastião, que, ainda, reclamou também da falta de fiscalização para isso.

Na sequência, Matheus lembrou a importância dos profissionais da Química para disseminar informações aos consumidores. “Nós, os profissionais da Química e outros profissionais, precisamos levar essas informações em live, em eventos, porque muitos desconhecem e usam esses produtos sem saber”.

Sebastião destacou que o conservante em si não é um vilão, “ele é um produto que dá segurança para o seu patrimônio, para o seu ativo. O que não pode é ter o exagero de dosagem”. Ele completa afirmando que o ideal é usar a menor dosagem possível, mas tecnicamente necessária de conservante. “O teste desafio é que vai dizer a dosagem certa”.

Muitos internautas participaram perguntando sobre o uso específico de produtos e dosagens.  Falaram também sobre os produtos veganos mais eficientes que estão em alta e também comentaram sobre cursos na área.

“Fiquei muito feliz com a live de hoje, muito feliz com a participação de todos e com tantas perguntas pertinentes”, finalizou o palestrante da noite.

Assista à live na íntegra pelo link https://www.youtube.com/watch?v=SXZGEeeCxOk