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Universidades mostram respostas rápidas em meio à pandemia

Essenciais para o desenvolvimento da sociedade, instituições públicas de ensino superior desenvolvem pesquisas e ações fundamentais

As universidades públicas brasileiras estão desempenhando um papel fundamental no combate ao novo coronavírus. São ações de pesquisa, colaboração com hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), desenvolvimento de novas formas de testagem e até a produção de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s) para profissionais de saúde e produção de álcool para distribuição a entidades beneficentes e hospitais.

A atuação é confirmada pelos números da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que apresentou, no início de maio, as principais iniciativas promovidas por 46 universidades federais brasileiras no combate à pandemia.

O estudo foi respondido por 46 instituições de ensino superior do país. São 823 pesquisas sobre o vírus, 96 ações de produção de álcool gel, 276 mil equipamentos de proteção e 55 mil testes já feitos.


No Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (UNESP), que fica em Araraquara (SP), o trabalho não para. Desde os primeiros dias da pandemia no Brasil, um movimento espontâneo surgiu em diversos laboratórios. Alunos e professores começaram a se organizar para produzir álcool 70%, álcool glicerinado e álcool em gel.

Desde então, já são mais de 3 mil litros doados para a Secretaria Municipal de Saúde de Araraquara, que distribui os sanitizantes entre os hospitais, UPAs e entidades assistenciais locais e de cidades próximas. Eles também produzem máscaras e suporte para protetores faciais.

A professora Dulce Helena Siqueira conta que a universidade conseguiu convergir todas as iniciativas e esforços para contribuir. “Temos hoje o engajamento de diversas equipes, o que trouxe um aspecto multidisciplinar e muito dinâmico. Isso envolve desde a logística de recebimento de doações de insumos, o planejamento da produção, formulação, controle de qualidade, organização e escala das equipes de trabalho, até o controle de saída das doações”, explica.

Na Universidade Federal do Goiás (UFG), o laboratório de cromatografia e espectrometria de massas (LaCEM) produziu 34 litros de desinfetante para as mãos que foi destinado ao Hospital das Clínicas da UFG e à Vigilância Sanitária do Estado de Goiás. O Instituto de Química da Universidade também produziu solução de etanol a 70%. Os frascos foram encaminhados para o Hospital das Clínicas e o Hospital Araújo Jorge, instituições que são parcerias de pesquisa. Eles também trabalham produzindo protetores faciais: já foram feitos cerca de 500. Também estão sendo desenvolvidas pesquisas para obter testes rápidos para diagnóstico da Covid-19.

O Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desenvolve dois projetos relacionados à Covid-19: produção de desinfetante e produção de álcool em gel a partir de bebidas apreendidas. Uma parceria entre o (IQ) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) possibilita a transformação de bebidas alcoólicas, apreendidas pela Receita Federal, em álcool gel 70%. O trabalho teve início na última semana de abril, com o recebimento de mil litros de misturas de bebidas no Centro de Gestão e Tratamento de Resíduos Químicos (CGTRQ) do instituto.

Além disso, o IQ participa de testes de desinfecção com drones. A ação de desinfetar áreas públicas, usando veículos aéreos não tripulados (VANTs) para evitar que o coronavírus permaneça nas ruas, tem a participação da professora Nádya da Silveira. Ela explica que o objetivo dos testes é estabelecer condições de aplicação de algum produto químico com poder de desinfecção em áreas públicas ou outros locais em que isso seja necessário. “A partir da nossa experiência no assunto, propusemos o uso dessa substância à base de cloro em uma concentração específica para que ocorra a desinfecção”, relata.

A professora Nádya destaca que o trabalho das universidades públicas durante a pandemia é uma mostra da importância dessas instituições para o Brasil. “Estamos todos vendo o quão rápida foi a resposta das universidades diante de tamanha crise mundial. A universidade pública brasileira conseguiu dar uma resposta de qualidade e rápida para a sociedade. Isso mostra o grau de comprometimento da ciência e da academia para com o país e o bem-estar de uma sociedade”, sentencia.

A Universidade de São Paulo (USP) campus São Carlos é um importante polo produtor de pesquisas e ações no combate ao coronavírus. São três pesquisas em andamento: moléculas criadas no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) que estão sendo testadas para que consigam interromper o ciclo biológico do vírus; produção de biossensores para diagnóstico rápido utilizando técnicas mais acessíveis do que o PCR; e produção de microchips para detecção de vírus e do anticorpo para diagnóstico rápido da doença. O IQSC também está arrecadando doações de álcool 70% para o Hospital Universitário da UFSCar, além de prestar informações para a comunidade acerca de cuidados necessários para evitar o contágio.

O diretor do IQSC, Emanuel Carrilho, ressalta que a universidade tem um papel preponderante na luta para vencer o vírus. “A universidade pública é fundamental no Brasil porque é delas que saem as pesquisas. Todos os docentes são também pesquisadores e o ensino se dá pelo desenvolvimento do conhecimento. No caso deste vírus, que ainda é desconhecido, só por meio da pesquisa conheceremos mais sobre ele. Tudo é um processo de aprendizagem e nunca houve um assunto que tivesse gerado tantas publicações em tão pouco tempo”.