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Uma engenheira química no topo da linha de produção

Conheça a trajetória de Juliana Coelho, a primeira mulher a comandar fábrica da Fiat na América Latina

Aos 31 anos, a engenheira química Juliana Coelho assumiu, no início deste mês, o cargo de plant manager, uma espécie de gerente geral, da maior e mais moderna fábrica do Grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles) no mundo. O Polo Automotivo Jeep de Pernambuco está sob o comando de uma filha da terra.

Ela fez parte do primeiro time de funcionários do polo automotivo de Goiânia, onde começou trabalhando na parte de pintura, passou por vários cargos, aprendeu com experiências no exterior e, agora, assume o maior cargo da empresa.

Formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Juliana conta que a formação na área da Química foi fundamental para a construção de uma base sólida e o avanço dos degraus que a levaram ao atual posto.

Confira, a seguir, a íntegra da entrevista.

CFQ – Como teve início a sua relação com a Química?

Juliana Coelho – Sempre gostei de ciências e minha outra paixão eram os números. Realmente, a Química (orgânica e inorgânica) me ganhou desde essa época. Além disso, tinha uma tia que era da área, trabalhava em uma indústria. Me encantou como é possível ser plural por meio da Química e trabalhar em diferentes segmentos da indústria.

 

CFQ – Durante o curso, você teve dúvidas sobre a profissão?

 

Juliana – Muitas vezes, escolhemos um curso por ter afinidade com alguma matéria e, quando chegamos na graduação, vimos que tudo pode ser mais completo do que imaginávamos. No meu caso, desde o início me identifiquei com o curso, particularmente com disciplinas ligadas a cálculos, fenômenos de transporte, entre outras. A dificuldade sempre aparece, afinal, são novos conteúdos, novas informações, mas para mim foi sempre prazeroso também.

 

CFQ – Quando sua carreira começou?

Juliana – Teve início em 2013, no meu primeiro emprego, já na Fiat Chrysler Automóveis. No programa de trainee, pude fazer parte do treinamento em plantas da Itália e da Sérvia e retornar para Pernambuco para acompanhar a instalação do Polo Jeep. Como engenheira química, entrei na área da pintura, com foco específico na cabine de pintura. Logo depois, comecei minha carreira na gestão, me tornei responsável por um turno de produção e, em seguida, de toda a área. Depois de três anos e meio na pintura, tive a experiência na montagem, onde liderava mais de 1.500 pessoas. Foi uma experiência importante para desenvolver habilidades de gestão. Há um ano e nove meses, tive a oportunidade de ampliar minha atuação e assumi uma área que abrange o suporte a novos desenvolvimentos na manufatura de toda a região Latam. Com isso, consegui ampliar minha visão sobre o negócio da FCA e também do papel da liderança. Agora, começo esse novo desafio de liderar o Polo Automotivo Jeep, uma das plantas mais modernas do grupo no mundo.

CFQ – O início de sua carreira foi como você planejou? Você teve muitas oportunidades de trabalhar na sua área?

Juliana – Assim que me formei, fiz uma pós-graduação na área de Petróleo e Gás. Na época, era um campo promissor que estava em desenvolvimento em Pernambuco. Mas o processo seletivo da FCA teve início e, logo depois, já estava fazendo o treinamento fora do país.

CFQ – Você começou na fábrica em uma área mais voltada para o campo da Química, depois passou a ter outra função. Como sua base na Química ajuda na função atual?

 

Juliana – A Química é fantástica, potencializa tudo. Não tenho dúvidas que o meu conhecimento em engenharia química e sua pluralidade me faz prestar atenção em detalhes que, com certeza, podem fazer diferença em outras funções. Foi a partir dela que me aprofundei nas etapas de produção dos veículos e hoje uso essa atenção aos detalhes que são diferenciais para garantir a excelência da nossa produção.

CFQ – O que você diria para um jovem que pretende atuar na sua área de formação? 

Juliana – Sabemos que estamos passando por um momento crítico, mas ele vai passar. É importante ser persistente, se especializar e se dedicar aos seus objetivos de forma consistente, além de se manter aberto para novas oportunidades.