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Técnicas lúdicas dão dinâmica às aulas remotas

Proporcionar aulas de Química mais interessantes para os alunos, sobretudo aulas remotas, tem sido um desafio para muitos professores Brasil afora. Para atingir esse objetivo, uma boa estratégia pode ser a gamificação. Em inglês gamification, que, traduzindo e contextualizando, pode ser definido como o uso de mecânicas e características de jogos para engajar, motivar comportamentos e facilitar o aprendizado de pessoas em situações reais, tornando conteúdos densos em materiais mais acessíveis.

Pensando nisso, o Conselho Regional de Química da 14ª Região (CRQ XIV) promoveu, na última sexta-feira (6), uma live sobre a “Gamificação no Ensino de Química”. A palestrante da noite foi a professora Karla Nunez, química e docente no Centro Universitário do Norte (UNINORTE). A mediação ficou por conta do vice-presidente do CRQ XIV, Antonio Luciano Volpato Alves. O evento online foi promovido pela regional e fez parte da Semana de Química 2021, que trouxe à discussão as competências e as áreas de atuação dos químicos.

A especialista apresentou diversas ferramentas que podem auxiliar o professor na criação de jogos, testes, quizzes, mapas mentais e dinâmicas de turma. Segundo ela, entre as vantagens de gamificar a aula estão: engajamento dos aprendizes, fixação de conteúdo, gerar necessidade de aprofundamento e criar hábitos de pesquisa. Segundo dados apresentados por Karla, 83% das pessoas que fazem treinamentos gamificados se sentem mais motivados e produtivos, além de proporcionar aumento do senso de pertencimento e propósito dos envolvidos.

Ela apresentou dicas de ferramentas e jogos que podem ser usados nas aulas de Química. Segundo Karla, uma ferramenta que vale a pena ser testada em aula é a Roleta das Decisões, um aplicativo de celular que permite aos alunos responder perguntas. A cada resposta, é obtida uma pontuação, que varia de acordo com o que é sorteado na roleta. Já no ambiente Scape Factory, é possível montar um labirinto que precisa ser percorrido enquanto são enfrentados diversos inimigos. Conforme o aluno vai respondendo corretamente às perguntas programadas, ganha pontos e consegue sair. Ambos são gratuitos.

Karla ressalta que é preciso que o professor tenha uma postura mais de mediação e menos de autoridade. “Sei que é difícil, mas precisamos deixar o aluno falar mais, estimular as dúvidas dele. Isso o ajuda a refletir e ter uma postura mais autônoma”. Para ela, usar os interesses dos jovens na internet é uma forma de mostrar que tudo está conectado. “É possível ser influencer de uma forma muito positiva, usar o que chama a atenção e o que eles gostam para levar conteúdo”.

Outro ponto para o qual ela chamou a atenção é o retorno que os professores precisam dar aos alunos. “Aluno sem feedback, é aluno perdido e insatisfeito. Precisamos pensar em promover o engajamento deles, e para isso precisamos ser mentores, aquelas pessoas que guiam o aluno por onde ele precisa seguir”, pontuou.

Volpato destacou que, em seus anos de experiência como professor, muita coisa mudou. Em fala, o vice-presidente se empolgou ao ver as novas estratégias que estão sendo desenvolvidas para oferecer o melhor para o aluno. “Vemos que é muito necessário sempre se atualizar, buscar o aluno com o que faz parte do mundo dele. Poucos anos atrás nem pensaríamos na educação tão ligada à tecnologia. E ser professor não é só uma profissão, é uma missão. Então, é trabalhar de forma diferente para mudar cada vida que temos ali”.