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Técnica usa casca de romã para prolongar vida útil de morangos

Não é raro comprar aquela bandeja de morangos vermelhos e vistosos e, rapidamente, vê-los se deteriorando. Isso acontece devido à rápida ação de fungos. Pensando nisso, a aluna de doutorado em Química, da Universidade de São Paulo (USP) campus São Carlos, Mirella Bertolo, desenvolveu uma técnica que usa a casca da romã para prolongar a vida útil de morangos em até três vezes.

Com o financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, processo 2019/18748-8) Mirella e a equipe de pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) extraíram um pó da casca da romã, usando um solvente feito com produtos naturais. Com isso, foi possível obter propriedades que retardam o amadurecimento da fruta. “A película serve como um revestimento comestível, e é feita a partir de uma solução formada por polímeros, que é a quitosana, um açúcar, e uma proteína, que é a gelatina. Mergulhamos o morango nesta solução, que depois de seca forma uma película protetora”, explica.

A este material é adicionado o extrato da casca de romã, o chamado composto ativo. “Trata-se de um resíduo da romã que é descartado, tanto no uso doméstico quanto industrial. Estes compostos são altamente antioxidantes, e conseguimos acrescentá-los à nossa solução e aumentar, ainda mais, o desempenho quando aplicada aos morangos.  São compostos naturais, seguros para o consumo, e que não alteram o sabor da fruta, pelo menos nos testes de degustação já realizados. Também não é possível ver a película protetora.  Os morangos revestidos conseguiram manter a coloração, a textura e o aroma.

Para quem já se animou em poder conservar os morangos por mais tempo terá de esperar mais um pouco até o produto chegar ao mercado. Segundo Mirella, o próximo passo é testar a película em outras frutas e, terminada a pesquisa, no final do doutorado, buscar parcerias. “Vamos testar agora no mamão. Também é uma fruta com alta ação fúngica, então, acreditamos que os resultados podem ser positivos. Só após o final do doutorado e com os resultados definitivos, é que será possível a comercialização. Mas, para isso, precisaremos de parcerias e interessados em investir no produto”, finaliza a pesquisadora.