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Técnica identifica agroquímicos em abelhas

A relação das abelhas com o campo da alimentação, desde a preservação da biodiversidade até a comercialização de produtos, faz com que, atualmente, seja crescente a preocupação com a redução na população desses insetos, devido ao uso de agroquímicos. Mas um novo processo, desenvolvido na Universidade de São Paulo em São Carlos, que detecta essas substâncias tóxicas para as abelhas de uma forma diferente pode representar um divisor de águas.

A pesquisadora Ana Maria Medina, autora do trabalho, conta que a ideia de trabalhar o assunto partiu da importância social e ecológica das abelhas para o ecossistema, tendo como premissa a forma com que podem ser afetadas por produtos tóxicos. O grupo de trabalho da professora Eny Maria Vieira já vinha desenvolvendo projetos com abelhas no Instituto de Química da USP de São Carlos, e ela prosseguiu com o grupo e sob orientação de Eny em seu projeto de doutorado. “As abelhas têm um papel fundamental para a polinização de frutas e vegetais, sem falar que o mel e derivados movimentam o mercado de exportação. Mas nos últimos anos as populações vêm diminuindo. Então, decidi estudar este assunto”.

Ela conta que o novo método se mostrou mais barato e sustentável diante dos outros, que também utilizam solventes e sais, ou aqueles que necessitam de um procedimento mais complexo. Os testes realizados mostraram uma redução do número de abelhas necessárias para identificar os agroquímicos. “Para detectar essas substâncias em abelhas e pólen, geralmente, uma grande quantidade delas precisa ser sacrificada. No método convencional, são necessários entre 5 e 15 gramas de abelhas trituradas, o que equivale a 150 insetos. Com o novo método conseguimos usar apenas três insetos”, relata.

Os testes foram feitos com abelhas africanizadas e as nativas, as jataís. Em uma próxima etapa, o método será testado com outros tipos de inseticidas e outras espécies de abelhas.

A escolha pela Química brasileira 

Tudo começou com rótulos de embalagens e a composição de cada produto. Depois, as notas altas na disciplina Química, ainda na escola. Não havia dúvida de que Ciência estava no caminho de Ana Maria Medina, cuja única dúvida residia em cursar Química ou Engenharia Química. Para tomar a decisão, uma pesquisa de campo, conversa com profissionais e mais uma descoberta, laboratórios e pesquisa científica, o que a levou ao Bacharelado em Química na Universidad Del Valle, na Colômbia.

Mal sabia ela que a escolha não só a traria para o mundo da Química, como, também, a morar em outro país. Um professor de Ana Maria, que havia cursado o doutorado na USP de São Carlos, foi o ensejo para que a vontade de cursar o mestrado no Brasil começasse a ganhar contornos reais. “Eu tinha ótimas referências do curso na USP de São Carlos, então, me inscrevi para tentar uma bolsa. Mesmo sem ter conseguido, obtive uma pontuação alta e decidi vir”, conta.

Depois de ter cursado o mestrado em Físico-química e o doutorado em Química Analítica, aos 32 anos, Ana Maria acredita que a escolha de vir estudar no Brasil valeu a pena. “Você precisa abrir mão de muitas coisas, então chega uma hora que você se questiona se vale mesmo a pena. Mas hoje vejo que valeu sim. Antes eu até pensava em voltar. Agora tenho certeza de que vou ficar e continuar construindo minha carreira no Brasil. É isso o que quero”.