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Tabela Periódica: o que veio antes dela?

Foram diversos estudos e teorias até a compilação do modelo que hoje o mundo conhece

O grande feito de Dmitri Mendeleev, a Tabela Periódica como conhecemos hoje, nasceu há 150 anos. Mas e antes disso, como os elementos eram organizados? No início século XIX, os Químicos da época perceberam que era preciso ordenar de forma lógica os elementos conhecidos até então. Os 30 elementos de que se tinha ciência eram elencados em uma lista simples, mas de acordo com o número de massa atômica.

O Professor Doutor em Química, Luís Roberto Brudna Holzle, da Universidade Federal do Pampa, no Rio Grande do Sul, lembra que a construção do modelo atual teve a participação de grandes cientistas, que são pouco lembrados na história da Química. Segundo ele, nomes como Johann Wolfgang Döbereiner, Alexandre-Emile Béguyer de Chancourtois, John Newlands e Julius Lothar Meyer, ficaram à sombra de Mendeleev. Ele destaca, ainda, a importância da Tabela Periódica para o trabalho dos Químicos: “ela é uma espécie de um mapa no qual conseguimos organizar todos os elementos químicos que existem”, frisa.

O caminho até aqui

Em 1829, surgiu o modelo de Tríades de Dobereiner, do químico alemão Johann Wolfgang Dobereiner. Os elementos foram organizados em grupos de três e cada trio apresentava elementos que possuíam características químicas semelhantes. O problema é que as semelhanças foram vistas à época como mera coincidência e, assim, o modelo não ganhou força.

A história da Tabela Periódica passou também pelas pesquisas de profissionais de outras áreas. Em 1862, o  geólogo e mineralogista francês, Alexandre de Chancourtois, apresentou o modelo conhecido como Parafuso Telúrico. Ele distribuiu os elementos em ordem crescente de massa atômica ao longo de uma faixa espiral existente em um cilindro. Com essa organização, Chancourtois observou que os elementos posicionados na mesma linha vertical apresentavam propriedades químicas semelhantes.

Logo depois, em 1865, o químico inglês J.A.R. Newlands organizou os elementos químicos em ordem crescente de massa atômica e colocou-os em colunas verticais. Cada uma das colunas verticais possuía sete elementos. O modelo era chamado Lei das oitavas, uma referência à outra profissão do cientista: músico.

Em 1869, o número de elementos químicos conhecidos já passava de 60 e os modelos apresentados até então não solucionavam uma grande questão: muitos elementos com massas quase iguais colocados próximos sem uma semelhança que fizesse sentido, foi ai que surgiu a grande descoberta de Mendeleev. Como ele costumava anotar as propriedades de cada elemento em fichas, tinha um acervo de informações. Em um dado momento, ele resolveu colocar essas fichas em ordem crescente de massa atômica. Logo após organizar os elementos em ordem crescente de massa atômica, Mendeleev manteve o padrão, mas posicionou os elementos em colunas horizontais e verticais, respeitando as características e semelhanças dos elementos. Arranjando e rearranjando os cartões, ele percebeu que muitas propriedades se reproduziam periodicamente com o aumento do peso atômico dos elementos.  E ai nasceu a Tabela Periódica, de periodicidade de ocorrência/repetição de propriedades, de intervalos em intervalos, que elenca os elementos pela ordem em que foram encontrados e os agrupa de acordo com suas características semelhantes.

Algumas décadas depois, no ano de 1913, o químico inglês Henry Moseley, a partir da tabela proposta por Mendeleev, montou a Tabela Periódica nos padrões que conhecemos até os dias de hoje. Diferentemente de Mendeleev, Moseley organizou os elementos em ordem crescente de número atômico, manteve a organização em colunas horizontais e verticais, mas posicionou os elementos de mesmas características químicas nas mesmas colunas verticais.

A última atualização da Tabela Periódica aconteceu em 2016 quando os elementos 113, 115, 117 e 118 passaram a fazer parte oficialmente dela.