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Tabela periódica ganha versão em libras

Material inclusivo vai ajudar alunos com deficiência auditiva e professores no ensino da Química

Uma professora de Química do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) encontrou uma forma de facilitar o ensino da Química para alunos que não ouvem. Ela criou uma versão da Tabela Periódica na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). Professora do Núcleo de Química do IFMG campus Bambuí, Alda Ernestina dos Santos teve a ideia de trabalhar na ferramenta inclusiva depois de um curso de Libras que fez durante a suspensão das aulas na pandemia da Covid-19.

Alda conta que existe uma escassez de materiais adaptados para alunos com necessidades específicas, especialmente no ensino de disciplinas exatas. Foi pensando nos professores e seus alunos portadores de deficiência que ela se dedicou a criar o material. E não demorou para aparecer o retorno.  “Desde o dia que apresentamos a tabela, recebo de 5 a 10 e-mails todos os dias, principalmente de professores, agradecendo e dizendo que o material está sendo muito útil. Principalmente nestes tempos de pandemia, em que os pais precisam ajudar os filhos a estudar em casa”. A tabela está acessível no site do IFMG.

A tabela é também um material para alunos em geral que desejam aprender a representação dos elementos químicos em Libras e conhecer as principais propriedades. O material tem, além do símbolo da língua de sinais, informações importantes para cada elemento, como número atômico, massa atômica, distribuição eletrônica, estado físico e o grupo a que pertence.

Professora Alda Ernestina dos Santos

“O intuito foi sim gerar este material com a representação em libras, mas não restringi à representação na linguagem de sinais. A tabela periódica tem informações que conseguimos encontrar em qualquer tabela”.

A professora explicou que a produção do material não teve custo financeiro, mas exigiu muita dedicação e trabalho. O planejamento e execução foram feitos por Alda, que contou com o auxílio de outras duas servidoras do IFMG. Além disso, ela teve ajuda nas questões relativas à informática.

O próximo passo é transformar a tabela em um aplicativo. Trata-se de um projeto de pesquisa que já está em desenvolvimento no campus sob a supervisão de Alda. “Muitas pessoas que conheceram a tabela periódica já estão na expectativa pelo lançamento do app, tendo em vista a interatividade e praticidade que este formato vai proporcionar. Esperamos que muito em breve possamos apresentá-lo. Será mais uma ferramenta para levar a Química a quem precisa de formatos diferentes”.