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Semana do Aprendizado traz palestra sobre comunicação interna e o diálogo como ferramenta

O ato de comunicar está muito além de escrever uma sentença, afinal, é preciso saber se a mensagem a ser transmitida estava realmente contemplada no que foi escrito. Nestes casos, vírgulas podem mudar significados, e saber o público a quem se destina um conteúdo pode influenciar na forma como ele será recebido. Essas foram algumas das dicas e reflexões propostas por Roberta Fofonka, no “Encontro de Comunicação: Comunicação Interna e Endomarketing”, realizado durante o terceiro dia da Semana do Aprendizado 2021, promovida pelo CFQ com o objetivo de integrar e atualizar todos os profissionais que compõem o Sistema CFQ/CRQs.

Na manhã desta quarta-feira (29), a jornalista especializada em comunicação empresarial, que traz entre as expertises curadoria de conteúdo e atuação com ações de vídeo, texto, áudio para comunicação interna das organizações, iniciou a palestra lembrando do poder de uma mensagem e como ela está diretamente relacionada à percepção de quem as recebe. Para contextualizar, lembrou de uma brincadeira antiga, o telefone sem fio, enfatizando os ruídos que uma conversa pode ter e como isso interfere nas interpretações. 

A jornalista ainda alertou que um fato recorrente é a naturalização das falhas de comunicação, relacionadas aos ruídos, lembrando que um dos princípios básicos da comunicação é a troca. “Comunicação requer troca. Como se dará o recebimento da mensagem? Precisamos dessas duas pontas”, ponderou.

Um tema bastante abordado pela profissional foi a importância de refletir sobre o processo criativo relacionado à transmissão da informação, em especial, analisando a comunicação que será estabelecida a partir da mensagem. 

Para subsidiar seus argumentos, Roberta trouxe dados relacionados ao mundo corporativo, em que 78% listam a comunicação como segunda habilidade mais valorizada; assim como 64% são falhas de comunicação; e 87% das pessoas são demitidas por comportamento. De acordo com ela, a maioria das pessoas é contratada pelo seu perfil, mas demitida pela falta de habilidade na comunicação. 

“Se comunicar de forma a crescer. Se todo mundo escutar e ninguém falar, vamos contemplar o silêncio. Se todos falarem ao mesmo tempo e ninguém escutar, também não teremos comunicação. E se uma pessoa falar, e ninguém escutar, também não teremos comunicação. A escuta é uma parte muito importante no processo”, disse Roberta, ao trazer para discussão mais um tópico – a percepção do ambiente. 

A jornalista reforçou a importância de prestar atenção em três regras: 

evitar distrações; não ser seletivo ao ouvir o outro; e não deixar perspectivas pessoais interferirem. Ainda segundo Roberta, a ambiguidade, a falta de inclusão e a ordem indireta podem ser prejudiciais e, portanto, necessitam de cuidado. 

No quesito identificação com a mensagem, Roberta citou o exemplo de Camila Farani, investidora brasileira que, apesar de ela mesma ter tido sucesso na área, percebe que textos ainda priorizam o gênero masculino – investidor. “É importante ter uma linguagem que contemple a inclusão, e precisamos usar a língua portuguesa a nosso favor”, ressaltou.

A Jornalista e chefe da Assessoria de Comunicação do CFQ, Jordana Saldanha,  aproveitou para fazer um contraponto, utilizando como referência estratégias adotadas na comunicação do CFQ, que tem como objetivo a inclusão e, também, a comunicação empática com o público-alvo, o que, em alguns casos, pode levar a não utilização integral dos preceitos das normas de redação: “Muitas vezes precisamos fugir da norma para acontecer o processo de espelhamento, como é o caso da equidade de gênero e da diversidade. Mas, só podemos adotar essas estratégias nos nossos meios de comunicação externos se estivermos alinhados com o nosso público alvo e com quem irá receber a mensagem”. 

Para o conselheiro federal Wilson Botter, em psicologia social também há vários estudos em que a linguagem afeta o sentimento de pertencimento; podendo afetar produtividade, inclusive; mesmo que a comunicação tenha sido efetiva. 

Roberta ainda colocou em discussão outros dois pontos que ela considera cruciais na comunicação: a simplicidade e a comunicação não-violenta. Para a jornalista, na dúvida, é melhor sempre optar por textos simples, podendo utilizar, inclusive, o recurso do lide jornalístico (O que, Onde, Quando, Como e Por que). Ainda no tema, ela alerta para prestar atenção no tamanho do conteúdo, nem tão grande que se torne maçante, nem tão pequeno que não desperte interesse, e sempre afim ao local que será utilizado. 

Sobre “Comunicação Não-Violenta”, Roberta falou sobre a importância do diálogo na sociedade, e como ele pode ter um “efeito cascata”, ou seja, recebemos aquilo que emitimos. “Separe os fatos dos julgamentos, não faça análises com base em sentimentos próprios. Aceite o fato, reconheça as suas emoções desconfortáveis, mostre suas necessidades e firme um acordo que viabilize a convivência”, completou. 

Para o servidor do CFQ Faerisson Souza, o caráter subjetivo de um texto precisa ser considerado: “Devido ao relacionamento diário, às vezes, você se comunica de forma mais direta. No entanto, devido sua rotina diária, ao ser  incisivo e mais contundente, você acaba reverberando de outra forma. Cabível reflexão para encontrar um equilíbrio mínimo, não perder a sua honestidade, e não agredir ao público”.

Para encerrar, Roberta completou: “O diálogo é a nossa ferramenta para conviver”.

Semana do Aprendizado

O CFQ promove do dia 27 até o dia 1º de outubro, a Semana do Aprendizado 2021. Neste ano, os temas em destaque serão: Gestão da Mudança; Comunicação Interna; Pool de Serviços; Plano Diretor da Tecnologia da Informação e Comunicações (PDTIC); e Gestão Ágil no Trabalho. 

A Semana contará, ainda, com a promoção do Encontro Nacional de Fiscalização, que trará um curso especial sobre Produtos Controlados. 

Investir em educação e aprimoramento profissional segue entre as metas do CFQ. Devido à pandemia provocada pela Covid-19, nesta edição a ação será on-line e contará com uma semana repleta de informações sobre ferramentas e processos inovadores que foram adotados na autarquia e que visam facilitar a vida dos servidores que atuam no Sistema CFQ/CRQs, entregando serviços de qualidade aos profissionais da Química do Brasil.