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Rótulo dos alimentos pode ser decisivo na compra

Você costuma olhar o rótulo dos alimentos antes de comprar? Ali é possível encontrar todas as informações nutricionais do alimento, saber a composição química, quanto de cada ingrediente leva, se é rico em açúcar, em gordura, se pode ser nocivo a quem tem determinadas patologias, e por aí vai. Com base nesses dados é que acontece a tomada de decisão do consumidor em relação a determinado item. 

Pensando na melhoria do processo de escolhas alimentares e visando aprimorar a transparência das informações para população brasileira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou novas regras para rotulagem nutricional de alimentos embalados. E o Conselho Regional de Química da 4ª Região  (CRQ IV) promoveu uma live para tratar do assunto e esclarecer as principais mudanças trazidas pela nova legislação. 

O evento online foi realizado pela Comissão Técnica de Alimentos do CRQ IV, e contou com a participação de Pamela Rossi, diretora e consultora da Alimentar Consultoria, especialista em segurança de alimentos e com formação em Ciências dos Alimentos e mestrado em Tecnologia de Alimentos; e de Renata Cerqueira, técnica química, farmacêutica, mestre em Toxicologia de Alimentos e doutoranda em Ciência de Alimentos.

Pamela destacou que as regras não mudaram muito e tratou de tranquilizar a audiência. “O mercado ficou um pouco preocupado com a questão de haver novas regras. Mas não são tantas as mudanças. A legislação foi reformulada, mas prevaleceu o que já existia, só foi escrita de forma mais organizada”. Ela avaliou que a mudança, num primeiro momento, pode ser um desafio para as empresas, e ressaltou a necessidade de adequação. 

Renata Cerqueira apresentou o formato de um rótulo, mostrou as informações fundamentais que precisam figurar e o que deve ser observado pelo consumidor. “Se sou uma pessoa que tem diabetes, tenho que ficar atenta às informações relativas ao açúcar. Se sou hipertenso, ao sal. Se o alimento contém alergênicos, precisa constar no rótulo”, detalhou. Ela apresentou dados de uma pesquisa realizada pela Fiesp/Ibope no ano de 2010 sobre o perfil do consumo alimentar no Brasil. Dentre os consumidores entrevistados, apenas 69% dos têm o hábito de ler rótulos de embalagens de alimentos.  

Ela destacou, ainda, condutas que não devem ser adotadas por empresas e que podem levar à desinformação do consumidor. Por exemplo: apresentar propriedades que o alimento não possua ou que não possam ser demonstradas, destacar a presença ou ausência de componentes que sejam próprios do alimento, ter informações obrigatórias não legíveis. 

A legislação acerca do tema foi revisada com destaque para as mudanças. Pamela explicou que a exigência de duas informações nutricionais foi acrescentada: os açúcares totais e os açúcares adicionados. “O que mudou na composição nutricional da tabela? Quase nada. O que será novo são os açúcares totais e adicionados. É legal esta mudança porque fica mais claro quanto tem de açúcar adicionado e o que é natural. Além dos nutrientes obrigatórios, o rótulo precisa trazer o ingrediente que tem a mais quando se faz alguma alegação. Por exemplo, se diz que é rico em ferro, tem de constar quanto de ferro tem na fórmula”, esclareceu.  

Para a especialista, é necessário olhar a mudança na legislação como uma oportunidade de melhoria no valor nutricional dos alimentos, para a criação de novos produtos e de maior clareza para as escolhas alimentares. “Uma mudança de legislação é o início de uma mudança positiva em vários sentidos. É assim que a indústria inicia o estudo e desenvolve novos produtos para atender à legislação; que se descobrem novos ingredientes, mais saudáveis; que o campo de trabalho cresce para os profissionais da área; e que o consumidor se empodera para decidir acerca do que faz melhor para a sua saúde”.