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Risco à saúde: trabalho de limpeza das praias exige proteção adequada

Fotos: Léo Malafaia/FolhaPE

O Brasil todo acompanha o esforço dos milhares de voluntários para retirar o óleo cru (petróleo não refinado) que já atingiu mais de 2.100 quilômetros de litoral de nove estados. O Sistema CFQ/CRQ, que envolve o Conselho Federal de Química (CFQ) e os 21 Conselhos Regionais de Química (CRQs), alerta para o perigo a que essas pessoas estão se expondo: as substâncias tóxicas do petróleo bruto são potencialmente carcinogênicos e mutagênicos.

Segundo a presidente do CRQ da 1ª Região, Sheylane Luz, hidrocarbonetos poliaromáticos (HPA) presentes no petróleo bruto e seus derivados pertencem a um grupo de compostos orgânicos semi-voláteis que estão entre os compostos mais tóxicos do óleo nesse estado e podem causar problemas sérios de saúde, como câncer.

Sheylane, que é Química industrial e mestre em Tecnologia Ambiental, preside o CRQ responsável por Pernambuco, um dos Estados cujo litoral foi mais atingido pelo óleo. Segundo ela, a intoxicação por HPAs pode ocorrer por diferentes vias, como pele ou por ingestão. Por isso o banho de mar, mesmo que para auxílio na limpeza local, é desaconselhado e perigoso, em locais onde haja presença do óleo.

No afã por retirar o maior volume de óleo que encontrar e proteger arrecifes de corais e animais marinhos, muitos voluntários estão entrando no mar e tocando no óleo sem a devida proteção. Sheylane explica que, nesse caso, as luvas e botas não são suficientes. “Por possuírem baixo peso molecular, alguns HPAs podem ser solubilizados em água, aumentando os riscos de contaminação, ou seja, apenas indivíduos devidamente treinados e com equipamentos e vestimentas seguras podem manusear esses compostos”, destaca.

E para onde vai o óleo?

O Sistema CFQ/CRQ lembra que os HPAs são compostos altamente estáveis e que persistem no ambiente, resistindo à degradação química e biológica, além de terem a capacidade de bioacumular em organismos vivos, sendo prejudiciais aos humanos. Sheylane esclarece que estes são poluentes orgânicos, portanto de grande persistência ambiental.

Para Sheylane, o grande questionamento que a sociedade ainda não fez, diz respeito ao destino desse óleo que está sendo coletado nas praias. “Os profissionais da Química podem contribuir para o tratamento e destinação correta desses resíduos, precisamos pensar na forma correta de descarte para não termos um problema mais à frente”, sinaliza.