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Químicos orientam sobre a utilização de desinfetante e antisséptico

Qual a diferença entre desinfetante e antisséptico? Posso usar desinfetante de uso geral nas mãos? Em tempo de combate ao coronavírus, estas e outras dúvidas são frequentes entre a população. Na função de servir ao profissional da Química e informar a sociedade sobre a forma correta e eficiente de fazer a desinfecção química contra o coronavírus, o Conselho Federal de Química (CFQ) conversou com conselheiro federal e presidente do Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim-RS), Newton Battastini.

Ele explica que o antisséptico é um produto utilizado na superfície do corpo para interromper e impedir o desenvolvimento de bactérias e vírus. Pode ter diferentes características: fungicida (contra fungos), virucida (contra os vírus), bactericida (contra bactérias) ou esporicida (contra os esporos). Em geral, porém, um mesmo antisséptico acumula todas essas funções.

Além disso, os antissépticos são aplicados localmente sobre a zona a ser tratada. “Uma antissepsia rigorosa é necessária antes de qualquer intervenção cirúrgica como forma de precaução para evitar que um germe entre no corpo do paciente”, detalha Battastini.

Já os desinfetantes são formulações que têm em sua composição substâncias microbicidas e apresentam efeito letal sobre microrganismos. São de uso geral, ou seja, para a limpeza de sanitários, azulejos, pisos, bancadas, paredes etc. Também há desinfetantes específicos para o uso de indústrias, piscinas, lactários, hospitais e para superfícies fixas.

Na falta do álcool gel, o conselheiro ressalta que o correto é lavar as mãos com água e sabão. “Sabonete em barra é ótimo por ser mais emoliente e o pH está entre 9-10. Isso vai deixar as mãos menos ressecadas do que o sabão”.

Fiscalização

Os desinfetantes e antissépticos são produtos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Há legislação específica para cada uso: geral, alimentícia, hospitalar e piscinas. Todas as empresas produtoras devem estar regularizadas junto aos Conselhos Regionais de Química (CRQs). É uma exigência da agência ter profissionais devidamente aptos e regularizados no Conselho.

O gerente de fiscalização do CRQ IV, de São Paulo, Wagner Contrera, explica que a fiscalização das empresas fabricantes de produtos antissépticos e desinfetantes é responsabilidade dos CRQs, órgãos nos quais os estabelecimentos devem estar registrados. As empresas também devem indicar profissionais da Química como responsáveis técnicos.

Segundo Contrera, a população deve evitar a compra de produtos caseiros. “Este tipo de produto somente pode ser fabricado por empresas legalizadas nos órgãos de Vigilância Sanitária e que tenham profissional legalmente habilitado como responsável técnico. O produto caseiro, além de afrontar a legislação vigente, pode colocar em risco os consumidores, já que não está sujeito ao rigoroso controle imposto pelas autoridades sanitárias durante a fabricação, e não apresenta garantias que o tipo de matéria-prima utilizada é adequado para essa finalidade e, por esse motivo, não tem a eficácia comprovada”.

Para se precaver em relação à procedência desses produtos é fundamental que ele seja adquirido no comércio formal, como supermercados e similares, ou em farmácias. Nos rótulos, devem constar os dados do fabricante (razão social e CNPJ), do responsável técnico (nome e registro no respectivo Conselho de fiscalização profissional) e do produto (data de validade e número do registro ou notificação perante a Vigilância Sanitária).