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Químico desenvolve marcador capaz de detectar combustíveis adulterados

Com a elevação dos preços dos combustíveis causada pela crise internacional e levando em consideração a prática já conhecida da adulteração de combustíveis, uma pesquisa promete ser aliada do consumidor na hora de saber se o combustível comprado está adulterado ou não, evitando prejuízos ao veículo e ao meio ambiente.

A combinação de pesquisas, acrescidas pela necessidade da sociedade e as dificuldades regulatórias e de fiscalização motivaram o doutor em Química pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Edvaldo Queiroz a desenvolver em seu doutorado uma estratégia analítica capaz de detectar se o combustível disponível na distribuidora ou no posto de abastecimento está ou não adulterado utilizando moléculas fluorescentes sintetizadas.

Edvaldo explica que a ideia de desenvolver esses marcadores partiu do encontro da pesquisa com combustíveis do professor Leonardo Teixeira, do Departamento de Química Analítica, com a pesquisa de desenvolvimento de moléculas do professor Silvio Cunha, do Departamento de Química Orgânica, ambos do Instituto de Química da UFBA.

Trata-se de marcadores que detectam a condição de adulteração dos combustíveis automotivos. “Existem diversos tipos de marcadores para combustíveis, mas no nosso caso utilizamos um marcador fluorescente para cada tipo de combustível. No trabalho, foram aplicadas moléculas derivadas da 2H-furo[3,2-b]benzopiran-2-ona para a marcação dos combustíveis e detecção de adulteração nos mesmos, através da técnica de espectrofluometria. Eles sofrem uma diminuição da intensidade da fluorescência quando ocorre a adulteração do combustível por diluição”, explica o pesquisador.

“A grande vantagem é não precisar levar todas as amostras coletadas ao laboratório, já que os equipamentos para utilizar a técnica podem ser portáteis e, ainda, a depender do nível de adulteração, nem precisar levar a amostra para confirmação em laboratório”, complementa Edvaldo.

De acordo com o pesquisador, embora seja competência da Agência Nacional do Petróleo (ANP) o controle sobre a qualidade dos combustíveis disponíveis para o consumo, as dificuldades logísticas não podem ser ignoradas. “Transportar todas as amostras de combustíveis coletadas nos postos do Brasil todos os meses para análise laboratorial, que é feito pelo Programa de Monitoramento da Qualidade de Combustíveis da ANP – que, por sinal, é um excelente programa – é muito trabalhoso, custoso e demorado”, reforça Edvaldo.

O marcador precisará ainda ir à testes em campo para que seja, de fato, uma realidade. “Foi uma pesquisa de bancada, mas tem grande potencial para ser colocada em prática”, lembra o químico, que, inclusive, já patenteou a técnica de usar essas moléculas para detecção de adulteração de combustíveis por espectrofluororimetria.

Edvaldo destaca que, em função das questões ambientais, os olhares dos investidores hoje estão voltados para pesquisas que fogem da utilização de combustíveis fósseis, visto que precisamos encontrar outras alternativas. No entanto, ele alerta que, “apesar das buscas por alternativas energéticas serem fundamentais e estarem felizmente avançando muito, nós ainda vamos usar gasolina, álcool e diesel por muito tempo. Portanto, privar pela qualidade deles é fundamental, principalmente nesses momentos de alta dos preços”.

Segundo Edvaldo, outros marcadores e estratégias analíticas com a mesma finalidade já foram desenvolvidos, mas, infelizmente, as adulterações continuam recorrentes. “Vai ser um grande avanço e muito confortável para todos os envolvidos utilizar uma estratégia analítica – sendo nossa ou de outra patente – que possibilite uma detecção de adulteração mais eficaz, para uma maior garantia de um combustível de qualidade na hora do abastecimento”, conclui.

Se você tiver problemas com a qualidade do combustível, a recomendação é fazer uma denúncia junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).