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Química Verde: óleo de cozinha e fibras naturais podem substituir resinas e colas sintéticas  

Projeto tem diversas aplicações, inclusive na indústria aeroespacial

 Pesquisadores do Centro Universitário Newton Paiva, em Belo Horizonte (MG), conduziram um estudo que pode contribuir com a diminuição da poluição ambiental. O trabalho, coordenado pelo professor Fernando Cabral Lage, da Faculdade de Engenharia Química, consiste na utilização de óleos residuais de soja, de milho, de girassol, por exemplo, ou de resíduos agroalimentares, como casca de arroz, borra de café, bagaço de cana-de-açúcar, sabugo de milho, entre outros.

Por meio de tratamentos químicos são produzidos os materiais nanocompósitos de fontes renováveis. Estes podem substituir os materiais compósitos de fontes sintéticas, derivados de petróleo e utilizados em aplicações estruturais nas indústrias aeroespacial e militar, na construção civil, em juntas de motores, na indústria de alimentos, entre tantas outras. “O emprego de fibras naturais pode contribuir muito para a desaceleração do efeito estufa em escala mundial”, afirma Lage.

Professor Fernando Cabral Lage

Um material compósito é formado pela junção de dois materiais de características e propriedades diferentes, uma resina ou matriz e um material de reforço. “Quando unidos resultam em materiais com propriedades superiores. Por intermédio dos materiais compósitos, excelentes resistências à tração e à compressão são obtidas, além de grande rigidez, em materiais mais leves do que o aço”, explica.

As fibras naturais, especialmente aquelas produzidas a partir de resíduos agroalimentares, são modificadas quimicamente para a produção de nanosílica e nanocelulose, que são substitutos ideais para materiais como fibra de carbono e fibra de vidro, que não são de fontes renováveis e podem apresentar custo muito superior.

Ainda de acordo com o engenheiro químico, grandes empresas multinacionais já mostraram interesse no uso de nano compósitos.  O professor Lage explica que, até o momento, não há uma avaliação quantitativa da redução de custos. “Sabemos que fibras de carbono, por exemplo, apesar de apresentarem desempenho mecânico excelente, possuem custo muito superior ao de fibras naturais. Também há evidências de redução de custos na substituição de epóxi comercial por óleos vegetais epoxidados”, argumenta o docente.

 

Conhecimento e avanços

Para Amanda Suellen de Paula, graduada em Engenharia Química, a experiência de participar do projeto foi ímpar. “Ele (o projeto) teve duração de um ano, concluímos em dezembro de 2020 e o apresentamos no Congresso Nacional de Iniciação Científica. Ficarei realizada se eu conseguir unir a engenharia de processos químicos e a sustentabilidade, que são as minhas áreas”, revela a jovem de 24 anos.

Segundo o professor Lage, há muito campo para aplicação da Química Verde. “O futuro traz enormes possibilidades com o possível esgotamento de reservas de petróleo mundiais”.

Já para o estudante Lucas Lima Rodrigues participar da iniciação científica foi uma grande oportunidade para colocar em prática a teoria aprendida em sala de aula. “Também foi a chance de colaborar com algo inovador, que ainda não existisse no mercado”, acrescenta o jovem de 23 anos. Ele está no décimo período do curso de Engenharia Mecânica.