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Química ganha mais espaço no combate à criminalidade

Com o surgimento cada vez mais freqüente de novas drogas e o aumento em escalada do tráfico internacional, a Química tornou-se uma importante aliada da Justiça em busca de materialidades para os crimes relacionados. Para entender melhor esse universo, o Sistema CFQ/CRQ organizou um encontro, em parceria com a Univille, em Joinville (SC), com estudantes de graduação em Química e peritos criminais especialistas em Química Forense.

A definição de Química Forense consiste na junção de estudos de composição tóxica com o objetivo de auxiliar a investigar e compreender como determinados crimes ocorreram. Na prática conecta duas áreas distintas, a científica (Química e Biologia) e a humanística (Sociologia, Psicologia e Direito). Um dos palestrantes do evento, o perito criminal federal Alexanders Belarmino, levou aos participantes um resumo da atuação das perícias da Polícia Federal em Santa Catarina. “Como a perícia produz uma prova? Basicamente examinamos o material apreendido e identificamos se é uma substância já prescrita, ou não, se um medicamento é falso, ou não, se há registro nos órgãos reguladores e uma série de outros quesitos”, explicou Belarmino.

A área de Química Forense, em Santa Catarina, trabalha basicamente com investigações relacionadas a drogas. Segundo investigações da Polícia Federal, o estado vem sendo alvo de várias rotas de tráfico de drogas. “O julgador é um ordenador do Direito. Ele aplica a lei. Por isso ele precisa dos profissionais da área da Ciência e seus laudos conclusivos”, declarou. Belarmino acrescenta que a maior parte das apreensões no estado está relacionada a drogas psicotrópicas, como as sintéticas.

Outra palestrante, a também perita criminal federal e integrante do Grupo de Drogas Sintéticas do Serviço de Perícias de Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal e Membro do Grupo de Trabalho para classificação de substâncias controladas (ANVISA/PF/SENASP), Luiza Caldas, falou sobre casos de novas substâncias psicoativas, que vêm repercutindo mundialmente e forçado os profissionais químicos a analisarem essas moléculas. “Esses estudos são um desafio para todos nós, pois a cada nova droga é preciso descobrir seus efeitos no corpo humano”, avalia. Luiza acredita que este desafio também é regulatório, pois o surgimento de novas substâncias é muito rápido e daí vem a dificuldade de registrá-las.

Compartilhar este conhecimento com os futuros profissionais de Química é fundamental, pois envolve a Saúde Pública – o acesso dos jovens às novas substâncias e suas conseqüências – e a excelência do aprendizado nas universidades. Luiza alerta sobre o surgimento de uma nova droga, que imita o princípio ativo do MDMA (ecstasy). “Esse novo princípio ativo ainda não está totalmente identificado e muitos jovens o consomem achando que é MDMA. Já temos várias confirmações de mortes por conta desse consumo. Já conseguimos incluir essa substância na lista de proibições, o que facilita a prisão de quem a comercializa”, declarou a perita.

O conselheiro do Sistema CFQ/CRQ, Henio Normando, presente ao encontro, celebrou o momento. “O Conselho Federal de Química vem adotando uma estratégia de aproximação e parceria com todos os Conselhos Regionais. Esses eventos são uma forma de compartilharmos os ensinamentos da Química e sua importância na sociedade”, declarou.