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Química Forense: curiosidades sobre o tema movimentaram painel

Especialistas falaram sobre a Química aplicada em investigações no campo legal ou judicial

A série de painéis online Falas da Química – O novo futuro já começou trouxe um assunto instigante para debate na noite dessa quarta-feira (17): a Química Forense. O programa contou com a experiência de dois especialistas no assunto. Participaram o presidente do CRQ IX (PR), Profº Dr. Dilermando Brito Filho, toxicologista e diretor da Divisão de Laboratórios do IML Paraná, e a coordenadora do curso de Bacharelado em Química Forense da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Clarissa Marques Moreira dos Santos. A jornalista do CRQ V (RS) Louise Gigante apresentou o painel.

A conversa online bateu recorde de espectadores e foi bem movimentada. Muitos estudantes, profissionais da Química e demais participantes usaram os chats do YouTube e do Facebook para tirar suas dúvidas e conversar sobre este campo da ciência, que costuma ser lembrado por conta de investigações e crimes. Muitos estudantes quiseram saber da professora Clarissa detalhes sobre a formação do Químico Forense, como a grade curricular e o campo de atuação do profissional.

“É o curso de maior abrangência em termos de estudos investigativos e perícia. Prepara para ser Químico bacharel mas com conhecimentos específicos da Química Forense. Faz parte da área das ciências forenses, como a odontologia forense, a medicina e a psiquiatria. É uma formação interdisciplinar, que se insere também no âmbito jurídico”, explicou ela. “Com esta graduação, o aluno será capaz de aplicar a Química no cotidiano, mas voltada para a área investigativa”.

Quem se forma em Química Forense pode trabalhar como perito, cargo para o qual é necessário aprovação em concurso público. Há também outros campos de atuação, como as áreas que contam com necessidades periciais. É o caso das áreas ambiental, adulterantes, entorpecentes, anabolizantes e antidoping, entre outros exemplos. Também é possível trabalhar em laboratórios que prestam serviços investigativos e análise pericial.

A professora Clarissa conta que, quando os alunos chegam à universidade, manifestam muita curiosidade acerca das investigações. “Uma boa parte acha que os estudos e o trabalho em campo serão parecidos com o que acontece em séries investigativas norte-americanas. Sempre pondero que estamos em um momento de evolução, tentando atingir um patamar próximo daquilo que se vê nas séries. Mas que a realidade e a prática do profissional em perícia são bem diferentes”.

O presidente do CRQ IX (PR), Dilermando Brito Filho, sabe bem como é esta diferença entre o imaginário e a realidade. Ele transmitiu a sua larga experiência e contou que quando começou a atuar nesta área, em 1968, teve que enfrentar muitos desafios.

“A minha atuação à época era mais voltada para análise de laboratório. Mas fui estudando, pesquisando, aprendendo muitas coisas que a minha formação por si só não havia me ensinado. Se o profissional se depara com a situação de não ter aparelhagem suficiente, mas tem o conhecimento da Química, ele vai fazer testes, buscar e vai encontrar uma solução”.

Ele conta que hoje a área está muito mais desenvolvida, mas ainda precisa avançar muito. Um exemplo é o fato de o curso de Química Forense ser oferecido apenas em duas universidades brasileiras: a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

Ele também considera que existe um grande déficit de profissionais da área no país. “O Brasil precisa de mais profissionais de Química Forense trabalhando, de mais concursos e de mais instituições formando. Somos profissionais de fundamental importância e precisamos estar em maior número servindo à sociedade”.

Programação para o Dia do Químico

Nesta quinta-feira (18), às 19h30, a mesa virtual “A Química e a retomada pós-Covid-19” reunirá os presidentes de associações da Química falando sobre o cenário atual da pandemia e perspectivas. Participam o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), Ciro Marino; a presidente da Associação Brasileira de Química (ABQ), Silvana Calado; a presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA), Juliana Durazzo Marra; o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), João Carlos Basílio; o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (ASSOCIQUIM), Rubens Medrano; o ex-presidente e atual conselheiro da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), Norberto Peporine Lopes. O mediador será o jornalista Enio Vieira, especialista em economia, com passagens pelo O Globo, Gazeta Mercantil e secretaria de imprensa da Presidência da República.

Em seguinda, a jornalista Jordana Saldanha, chefe da Assessoria de Comunicação do CFQ e especialista em marketing digital e big data, fará entrevista com o especialista em inovação Monclair Cammarota. Ele falará sobre os cenários de inovação no isolamento social, teletrabalho e aceleração de processos tecnológicos.

Para fechar a série de painéis online, os profissionais da Química terão a oportunidade de aprender mais sobre o LinkedIn, colocação e recolocação profissional. A psicóloga, especialista em Gestão de Pessoas e headhunter, Suely Milanez, fará um treinamento, usando a rede social profissional como ferramenta de apoio.

Os encontros virtuais serão transmitidos nos perfis do CFQ no YouTube e Facebook. Portanto, não é necessário fazer inscrição para participar e enviar perguntas.