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Química em debate: 38º Enequi discute situação atual e perspectivas da ciência no país

O futuro das pesquisas no ensino de Química, a formação de professores, mestres e doutores, o futuro das análises químicas e as novas tecnologias foram temas discutidos durante o38ºEncontro Nacional de Estudantes de Química (Enequi), em Campina Grande (PB). O evento reuniu, nesta semana, cerca de 400 estudantes preocupados em trocar experiências e conhecer os desafios da profissão e do mercado de trabalho.

A pesquisa em ensino da Química, as novas tecnologias e a necessidade de desmistificar a química atual ganharam destaque na maioria das palestras, oficinas e mesas redondas. Professores e alunos destacaram a necessidade de apresentarem a Química como parte do cotidiano das pessoas.

“A Química está em tudo que nos rodeia, no nosso organismo e nas nossas atividades diárias. Quando o homem descobriu o fogo, ele estava já estava fazendo Química, ainda que não soubesse. Precisamos desmistificar a ciência e mostrar o quanto ela é simples, como forma de estimular o interesse pelo assunto, ressaltou a professora Tássila Pereira Neves, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Na sala de aula, precisamos relacionar o ensino da Química aos fatos do cotidiano e estimular a busca de solução de problemas atuais por meio da Química. É isso que estimula os alunos e evita a evasão escolar”, afirmou ela.

No encontro, também foram apresentadas pesquisas atuais utilizando novas tecnologias. Uma delas foi ado pesquisador Igor Gustavo Kelis, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com o uso de inteligência artificial, ele conseguiu desenvolver um instrumento capaz de detectar a presença e a quantidade de glúten em alimentos. “Foi muito bom poder dizer aos alunos que, em breve, pesquisas que só são possíveis em laboratório serão feitas de maneira simples e até mesmo em casa, por qualquer pessoa”, disse o pesquisador.

A estudante do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) Ediene Cunha disse que aprendeu coisas que ainda não tinha conhecimento, como o aceleramento de processos químicos por meio da luz, a fotocatálise. “Foi muito bom descobrir novas situações em que a Química está presente e a gente nem sabia”.

Já a estudante da Universidade de Brasília (UnB) Fernanda Lopesque aprendeu novas formas de aproveitar os recursos disponíveis na natureza. “Nas palestras e oficinas, foi possível entender que o Brasil tem muita matéria-prima que pode ser usada numa infinidade de produtos. A argila, por exemplo, pode ser aproveitada na produção de vários tipos de cosméticos. No laboratório, eu mesma consegui produzir um creme esfoliante com sementes de chia, óleo de coco e bicarbonato de sódio. Isso foi muito legal”.

O coordenador geral do Enequi, Joelysson Borba, disse que o mais importante foi a troca de experiências dos estudantes com os professores e com os próprios colegas. “Eles tiveram oportunidade de conhecer pesquisas que estão sendo desenvolvidas em outros centros de ensino, o que desperta a curiosidade e o desejo de fazer suas próprias pesquisas.Isso é muito importante para o futuro da Química”, destacou.

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