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“O cara que sabe Química sabe tudo, porque tudo que a gente faz depende da Química”

Quem conhece o presidente do Conselho Regional de Química da 11ª Região (CRQ XI), José de Ribamar Cabral Lopes, não ignora que o bom humor com que ele conduz a vida é a principal característica da sua personalidade. Mesmo diante de uma pandemia, cujo impacto Cabral Lopes (ou simplesmente “Cabralzinho”) não ignora, ele preserva o otimismo e a crença da força da Química para mudar vidas e conduzir o Maranhão ao progresso. Filho de uma família tradicional do Estado, Cabral Lopes comanda o CRQ XI, que conta com 1.245 empresas e 2.901 profissionais registrados. A síntese da entrevista.

1) Como o senhor caracterizaria a Química no Maranhão? Quais setores são os mais representativos?

José de Ribamar Cabral Lopes – Aqui no Maranhão, temos São Luis e a ilha (Ilha de São Luis), conhecida como Ilha do Amor (risos). São poucas empresas, e o desafio é viabilizar o funcionamento deste Conselho… Mas temos por exemplo o tratamento de água em todo Estado. Vivo brigando com os prefeitos e câmaras de vereadores, a gente tem sido intensivo nisso, participando, insistindo da importância de manter a excelência na água tratada no Estado. Com isso, evitamos doenças e temos um povo bastante sadio… De grandes empresas, temos a Vale e a Alumar. As outras empresas pequenas, além do tratamento de água, temos a extração de água mineral… O parque industrial na grande São Luís não é grande, já foi maior. Com as empresas em perigo por conta da baixa circulação de dinheiro, tudo fica mais difícil. Se os empresários de São Paulo estão reclamando das dificuldades, dizer o que do Maranhão?

2) E a atuação do CRQ XI? Qual tem sido o foco de atuação?

José de Ribamar Cabral Lopes – O foco é a manutenção do CRQ XI, porém, a gente consegue realizá-la de maneira satisfatória, é um Conselho equilibrado… Desde o princípio, o nosso primeiro presidente Ribamar (José de Ribamar Oliveira Filho, atual presidente do CFQ) contou com a minha participação, desde a primeira diretoria. Tive a oportunidade de atuar no governo do Estado do Maranhão, oferecendo auxílio para que elas tivessem um prédio para organizar suas sedes. E isso incluiu na época o CRQ XI. Quanto ao desafio, é essa pandemia doida. Pra você ter ideia, ainda não consegui mandar um fiscal meu no interior. Temos duas delegacias, o Maranhão é um Estado muito grande… Temos a cidade de Imperatriz, onde concentra o pessoal que trabalha com soja, produtos para a industrialização… E o minério da Vale vem lá próximo de Imperatriz, depois de Açailândia, isso exige que a gente mantenha uma delegacia lá para dar assistência. Também tem outra cidade chamada Caxias, onde nasceu o escritor Gonçalves Dias, uma cidade histórica, já a 60 km de Teresina (capital do Estado vizinho do Piauí).

3) Como tem sido o enfrentamento da pandemia de Covid-19 no setor químico no Maranhão?

José de Ribamar Cabral Lopes – Temos a parceria com a Universidade (Federal do Maranhão, a UFMA), auxiliando com algumas coisas junto ao departamento de Química, hoje mesmo (no dia da entrevista, 2 de julho) temos uma reunião aqui pra definir algo para que se possa seguir produzindo álcool em gel, uma porção de produtos que nos foram solicitados pelo departamento de Química. Uma mobilização muito boa que envolveu o CFQ mas que vai ser desempenhada por aqui, no CRQ XI. Ajudando para ser no futuro ajudado. Teremos plenárias aqui por esses dias, e todos esses assuntos, um panorama completo, será nos dado a partir disso. Somos pessoas simples, gostamos de ajudar.

4) Como descreveria a sua experiência pessoal na Química?

José de Ribamar Cabral Lopes – É tudo muito doido (risos). É uma coisa de Deus, eu sou afilhado de São José de Ribamar. No vestibular, o primeiro, um cara como eu, que veio lá do mato por assim dizer… Eu nasci na região dos Lençóis maranhenses (na cidade de Morros), meu pai era delegado regional e comandava oito municípios onde passa os Lençois, Barreirinhas, etc. Vim estudar em São Luís, na Escola Técnica Federal do Maranhão… fui presidente do Grêmio Estudantil e até cover do Roberto Carlos eu fui (risos). Minha vida estudantil teve até área cultural… Mas no vestibular, nesse primeiro, eu não passei pra Engenharia Química não… Era Engenharia Mecânica. Eu trabalhava na Merck (empresa farmacêutica de origem alemã), tive carteira assinada aos 16 anos. O alemão gerente da empresa ficou incomodado porque a aula começava às 7h e eu saía às 13h. Depois eu ia trabalhar às 15h, até as 19h. Como eu falava um pouco de alemão, acabava resolvendo muitos problemas pra eles. Os alemães ficavam aperreados, porque o importante em uma indústria é você dar o comando certo para a fábrica, e isso acontece logo no começo do expediente. Como o alemão tinha dificuldade de se comunicar com o pessoal, ele confiava e delegava as coisas pra mim… Em tudo eu era bom (risos). Sem mim pela manhã, ele pegou e me chamou. Disse que pagaria minha inscrição no vestibular para fazer Química. Ele pagou e eu passei, passamos 15 dias comemorando (risos). Moral da história, me formei em Química Industrial, passei em Economia, fiz dois anos, fiz mestrado em Fortaleza, voltei, fiz Direito… Sou meio doido!

5) E dentro do CRQ, como seu dá sua participação?

José de Ribamar Cabral Lopes – Eu sou um estrategista. Ribamar, o presidente do nosso CFQ, diz sempre que não sabe como a gente consegue realizar tanta coisa… Fui pró-reitor de uma universidade, fui de uma federal, fui presidente da CEASA durante uma vida. Eu tinha facilidade por ter muitos contatos dentro do Estado, um círculo de amizades muito bom, o que abre as portas pra mim. É uma maneira simples de ser, e sempre ter disposição de ajudar. Pra você ter ideia, temos hoje cinco veículos, novos, que nos permitem fazer a fiscalização a contento. Sou afilhado do santo poderoso chamado São José de Ribamar, pra onde eu vou minha estrela brilha (risos). Assim é também no CRQ XI. Nosso trabalho é o de formiguinha, dando nosso resultado.

6) Como será a Química pós-pandemia? Há motivos para otimismo?

José de Ribamar Cabral Lopes – Estamos tocando direitinho… Começou a diminuir aqui na ilha, nas quatro cidades. Está mais forte no interior, lá pro lado de Imperatriz, em Santa Inês, tem um pouco também. Acho que vamos começar a agir melhor. Semana que vem o pessoal vai fazer uma ação boa de fiscalização no interior. O CRQ XI é independente, sempre o mantivemos sem precisar do CFQ. Apesar de que nossa sede por exemplo não é própria, é um comodato… Mas vai dar tudo certo!

7) Qual mensagem o senhor deixaria para os profissionais e estudantes de Química do Maranhão?

José de Ribamar Cabral Lopes – Eu acho que é uma grande profissão. Aqui no Maranhão dizem que eu sou o único advogado químico que se conhece (risos). Mas é uma profissão com campo enorme de trabalho. Quem dá sorte de se formar em Química nunca vai passar dificuldade. É uma disciplina em que pouca gente tem facilidade de aprender e aqueles que aprendem são os famosos “gênios”. O cara que sabe Química sabe tudo, porque tudo que a gente faz depende da Química. Até a gente, pra ser gente, depende de Química. Fui professor e era o assunto mais interessante na sala de aula, a multiplicidade da Química.