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Projeto converte rejeitos da indústria em produtos de alto valor

Pesquisadores reciclam materiais por meio de reações químicas e processos físicos

Para o professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, são os restos de matéria, ou o que chamamos apenas de lixo, que realmente interessam para a realização do trabalho. Ele coordena um grupo que investiga a conversão de resíduos e rejeitos em novos produtos e processos de alto valor agregado, no Laboratório de Métodos de Extração e Separação (LAMES), da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Nelson Antoniosi Filho
Foto: Sebastião Nogueira

“Em nosso laboratório, nós costumamos dizer que nada é rejeito. Tudo pode ser um futuro coproduto associado a um processo industrial da empresa. Então nada é desperdiçado. Tudo pode ser convertido em alguma outra coisa útil”, explicou.

De acordo com Antoniosi Filho, que é doutor em Química Analítica pela Universidade de São Paulo (USP), quando o problema que a empresa possui é identificado, tem início a busca por respostas criativas dentro do laboratório. “Soluções que possam gerar novos processos, novos produtos e agregar valor a todo o processo produtivo da empresa”, completou ele.

No laboratório da UFG, os pesquisadores reciclam materiais por meio de reações químicas e processos físicos, que seriam descartados pela sociedade ou pela indústria, e transformam em novos produtos úteis (coprodutos). Essa gestão de resíduos combate o desperdício e o acúmulo de detritos em aterros, lixões e na natureza.

Além disso, as técnicas de reciclagem são uma opção econômica para a crescente demanda industrial por matéria-prima, diminuindo a necessidade de extração de recursos naturais para tal.

“Transformar tecido em mármore, transformar rejeito de mineração em tijolo balístico, transformar borra de café em filtro de purificação de água, são coisas assim que mostram que a gente tem que ter muita criatividade para poder encontrar soluções que sejam de interesse da empresa e que possam, depois, minimizar os impactos ambientais desses rejeitos e trazer retorno para a sociedade, do ponto de vista econômico ou ambiental”, ressaltou o doutor.

Também no laboratório, o professor diz que o óleo de cozinha usado se transforma no biocombustível biodiesel, biograxas e biolubrificantes, retalhos de tecido viram base para tintas, restos de cascas e sementes de tomate constituem fibras para barras de cereais, suplementos alimentares e cosméticos. Segundo ele, a partir de uma simples borra de café podem ser feitos biodiesel, cosméticos, aromas, fertilizantes e filtros de purificação de água.

O contato de Antoniosi Filho com as mais diversas empresas já dura 25 anos na busca de soluções produtivas. “Nesse tempo, foram cerca de 120 empresas que nós já atendemos em parceria de soluções, tanto na parte ambiental, quanto também na parte de desenvolvimento de soluções analíticas. Buscamos sempre fazer esse atendimento para poder mostrar o quanto a universidade pode ser importante para o setor produtivo”, completou.